Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Estamos aqui hoje a celebrar os 50 anos da AGEFE. Como é que vê a evolução da AGEFE e o seu papel na modernização e sustentabilidade do setor em Portugal?
A AGEFE é a Associação Portuguesa da Indústria Eletrodigital. É uma indústria que congrega três setores: o setor elétrico, o eletrodoméstico e também o eletrónico das tecnologias de informação e comunicação. São três setores, é uma indústria que sustenta os grandes pilares da modernização e do desenvolvimento económico no nosso país. Como? De duas formas. Por um lado, porque tem uma capacidade nova de atração de investimento de alto valor acrescentado para o nosso país. Portugal ganhou uma nova centralidade, sem precedentes desde os tempos dos descobrimentos, graças à nossa extensa costa atlântica, que nos constitui como a plataforma essencial para o hidrogénio verde e para o eólico offshore, mas também por causa dos nossos ventos e da nossa exposição solar, que nos fazem líderes na área da energia verde. E, ao mesmo tempo, somos o único país europeu que tem ligações digitais diretas a todos os outros continentes habitados no planeta. Portanto, esta centralidade, que é nova, que Portugal tem, posiciona como um destinatário de investimento exatamente para estas indústrias que têm valor acrescentado, fases de alto valor acrescentado na cadeia de valor do setor elétrico e do setor digital, e que ajudarão a modernizar o país. Por outro lado, esta nossa indústria também serve as outras indústrias. Todas as outras indústrias precisam hoje de ser mais digitais, mais eficientes, mais sustentáveis e conseguem fazê-lo através das soluções que a nossa indústria disponibiliza. Portanto, a nossa missão enquanto associação é exatamente ajudar a que esta mensagem, estas soluções, estes serviços e estes produtos que a nossa indústria desenvolve fiquem ao dispor de todos os outros setores, que são essenciais para o emprego e para a criação de riqueza no nosso país.
Que medidas considera que o setor e também a AGEFE devem adotar para responder aos desafios da transição energética e da digitalização até 2050?
Eu diria que a indústria tem feito um esforço muito grande a desenvolver soluções que correspondem a essa ambição. E isso é assim nas redes, mas é assim também nos edifícios, onde a grande parte do consumo de energia é feito. Nós temos soluções já hoje que permitem que haja uma redução muito significativa do consumo energético, ao mesmo tempo que permitimos outras variáveis igualmente relevantes, como o tema da conectividade, a segurança ou até do próprio conforto, que é tão essencial para a vida das pessoas. Nós já temos essas soluções desenvolvidas, tem havido um esforço muito grande da indústria, diria que nos últimos anos, para desenvolver soluções avançadas que correspondem a isso. Penso que temos sido pouco capazes, enquanto país, enquanto setor, de fazer com que essas soluções cheguem depois aos consumidores finais, aos usuários dos edifícios, àqueles que decidem as soluções e as infraestruturas, sejam de rede, de distribuição ou dos edifícios. Penso que esse é o nosso principal desafio, por um lado, publicitando melhor aquilo que são estas soluções, mas, ao mesmo tempo, trabalhando com o poder político para alterar aquilo que são as mecânicas de contratação neste nosso setor, permitindo que as pessoas possam usufruir dessas soluções que já existem.
Perguntava-lhe também quanto ao programa ELAR, quais são as principais fragilidades que identifica e como é que poderiam ser mitigadas essas fragilidades?
O programa ELAR é um programa que nós acompanhamos desde o início. Procurámos trabalhar com o governo, apresentando soluções e propostas para a sua constituição. Somos severos defensores da existência de programas que ajudem as pessoas a trocarem os seus equipamentos domésticos por equipamentos mais eficientes. Como eu disse, a indústria tem feito um esforço muito grande para desenvolver eletrodomésticos, que são altamente consumidores de energia, por outros que são bastante mais eficientes, com inequívocas vantagens, não só para a sustentabilidade do planeta, redução do consumo no país, mas também para a redução dos custos, dos encargos que as famílias têm com esses eletrodomésticos. Contudo, essa articulação que tivemos, na verdade, não foi totalmente bem-sucedida. A nossa primeira preferência passava pela seleção de eletrodomésticos e elétricos grandes consumidores e que tivessem uma etiquetagem energética inequívoca. O governo decidiu por um programa que não cumpre estes pressupostos. Ainda assim, é um esforço que comprova o sucesso e a rapidez com que a dotação financeira desse programa acabou por se esgotar. É um programa que foi de encontro à expectativa das famílias de terem equipamentos mais eficientes e não deixamos de saudar a iniciativa que foi feita, tendo inclusivamente pedido, como veio a acontecer, que houvesse um reforço da dotação orçamental desse programa.