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Luís Loures, presidente do Conselho Coordenador de Institutos Superiores Politécnicos. Bom dia, bem-vindo à Rádio Observador. Está satisfeito com os resultados divulgados hoje e com este aumento de colocações logo na primeira fase?

Não, os resultados são muito positivos, quer a nível nacional, quer especificamente para as universidades politécnicas. Efetivamente, tal como já foi dito na peça, acreditamos que para estes bons resultados concorreram efetivamente dois aspetos principais. O primeiro tem que ver com a alteração daquele que foi o regime de acesso e ingresso, ou seja, com a eliminação da obrigatoriedade de ter no mínimo duas provas de ingresso, passando para o mínimo de uma prova. Isso teve um impacto muito positivo, que fez com que não só mais alunos que concluíram o ensino secundário este ano pudessem concorrer, mas também que vários alunos que no ano passado concluíram o ensino secundário e que não puderam concorrer, não conseguiram ter positiva nas duas provas, pudessem tentar a sua sorte este ano. E isso, naturalmente, teve um impacto positivo. Ao Conselho Coordenador, para registar estes dois aspetos fundamentais, que são os dois aspetos que nos fazem crescer, resultam de propostas e alterações legislativas apresentadas pelo Conselho Coordenador. Fomos nós que apresentamos à tutela a proposta de redução de duas para uma prova e, para além daquilo que são os resultados positivos a nível nacional, é importante verificar que as universidades politécnicas tiveram um aumento superior a 25% naquela que foi a percentagem de colocação. E isso obviamente que é um aspeto muito relevante e para o qual concorro também, para além destes aspetos que já foram referidos, a questão da alteração da designação, que acaba por permitir uma maior equidade, mas também um maior reconhecimento a nível nacional daquela que é a capacidade instalada e a qualidade das instituições.

Mas acha que essa mudança de nome nestas instituições, agora universidades politécnicas, contribuiu essa simples mudança de nome?

Essa é uma visão falaciosa.

Não, peço desculpa, quando eu digo simples, estou lhe a perguntar se acha que essa simples na razão, ou seja, se terá sido uma razão principal.

Não, não é a razão principal. A razão principal é aquela que eu lhe disse. O que eu estou a dizer é que o subsistema cresceu na generalidade, mas as universidades politécnicas cresceram muito mais do que as universidades tradicionais. Por isso tem que haver uma razão. A questão das provas de ingresso é igual para as duas, não há diferença. O modelo de ingresso foi alterado para o sistema como um todo. O que eu estou a dizer é que esse poderá ter sido também um aspeto, e nós vamos analisá-lo de forma mais concreta, mas poderá ter sido também um aspeto. Por quê? Porque efetivamente havia aqui algum enviesamento naquele que era o reconhecimento do ensino superior politécnico como algo de menor qualidade. E esta correção vai mostrar que isso não é assim. Aliás, é importante dizer isto, eu digo isto sempre, porque muitos quiseram fazer crer e passar uma ideia de que isto era uma transição automática. Não é. Passaram a universidades politécnicas os institutos politécnicos que cumpriam critérios de excelência avaliados por uma agência independente e por painéis internacionais. E eu já disse isto, as pessoas não conseguem perceber muitas vezes. Nós temos universidades tradicionais que não cumprem, à data, os critérios que foram exigidos aos politécnicos para se transformarem em universidades politécnicas. Por isso, não é dizer uma simples transição. Foi resultado de muito trabalho, neste caso, 40 anos de afirmação e que agora começa a ter um resultado prático. E quanto a mim, com o passar do tempo vai criar um equilíbrio ainda maior entre subsistemas, que é aquilo que nós esperamos.

Luís Loures, as notas foram divulgadas mais cedo do que estava previsto. Já aconteceu em anos anteriores também fugas de informação, mas desta vez aconteceu quase dois dias antes do que seria suposto. Como é que avalia esta situação e se também soube pela comunicação social, como já nos disse, por exemplo, esta manhã, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas?

Sim, eu tenho que lhe dizer, de forma muito honesta, que lamento imenso esta situação. Lamento não é que saiba antes, porque eu acho que poder saber antes, o calendário era para amanhã, mas está tudo pronto hoje, não é preciso estar a pressionar e a fazer com que os alunos fiquem nesta expectativa e nesta ansiedade mais tempo. O que eu acho que não é tolerável é, tanto eu como o presidente do CRUP, começarmos a ser contactados pela comunicação social para reagirmos a resultados que não conhecíamos. Parece-me um bocadinho pouco avisado que, obviamente, a tutela tem todo o direito de fazer a comunicação mais cedo. Eu acho é que também a devia ter feito aos reitores das instituições de ensino superior públicas, que são uns dos principais interessados em que o processo corra bem.

Já recebeu essa comunicação do Ministério da Educação, das colocações?

Não. Posso lhe dizer que aquilo que é o fecho de vagas que está a circular e que, por exemplo, ontem o "Expresso" colocou online para os alunos poderem ir ver nota de último ano.

E o Observador também.

Não recebemos oficialmente. Quer dizer, está a ver isto. Eu estou lhe a dizer, por acaso não vi no Observador, porque não me fizeram chegar essa informação. Recebi uma mensagem com "os dados já estão aqui, nós ainda não recebemos" de colegas reitores de outras instituições, que obviamente costumam receber através do Conselho Coordenador, que encaminha no exato momento em que recebe. Mas ainda não recebemos. É preciso ter consideração pelas instituições e é preciso verificar que, efetivamente, o que nós estamos aqui a falar é isto. Imagine, eu agora estou a comentar resultados, mas estou a comentar resultados com base num ficheiro que me enviou a comunicação social que eu ainda não recebi da tutela.

Certo.

E por isso, naturalmente, eu percebo as críticas que foram apresentadas pelo presidente do CRUP e associamo a elas