Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Rádio Observador, muito boa tarde. Estamos na semana derradeira da Fórmula 1. Três pilotos, apenas um pode levar o troféu de campeão do mundo. Lando Norris, Max Verstappen ou Oscar Piastri. Uma diferença de apenas 16 pontos entre os três corredores. 16 também são as curvas deste circuito do Yas Marina, em Abu Dhabi. Tenho comigo para analisar e também antever estes últimos três dias do Grande Prêmio de Yas Marina em Abu Dhabi, o narrador da Fórmula 1 em Portugal, Óscar Góis, jornalista também da Zone. Muito boa tarde, Óscar. É uma semana derradeira, muito semelhante àquilo que já pudemos assistir em 2021, mas com outros contornos. É certo, neste caso não são dois pilotos, são três, mas pergunto-te o que se passou para que apenas na última semana de Fórmula 1 é que se deve entregar o título de pilotos.

É, João. E é, sobretudo, um recuar a 2007, mas também a 2010. 2007, na altura, tivemos quatro pilotos a chegarem à ronda final em Interlagos, no Brasil. Eram eles Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Kimi Räikkönen. Três pilotos que estavam na luta pelo título de pilotos. Lembramo-nos todos certamente muito bem, pelo menos aqueles que seguem a Fórmula 1, da intensa batalha que era a McLaren com Fernando Alonso e o então rookie Lewis Hamilton. Nesse ano, o título caiu para o piloto da Ferrari, o Kimi Räikkönen. Mas é uma temporada, João, muito mais semelhante à que tivemos em 2010. Na altura, eram quatro pilotos que estavam a lutar pelo título, Alonso, Hamilton, Marko Webber e Sebastian Vettel. Vettel que entrava para essa ronda final com 15 pontos de desvantagem e curiosamente foi o campeão do mundo, celebrou o primeiro título de campeão do mundo, na altura também com a Red Bull, precisamente a equipe de Max Verstappen. Tu dizias que é algo semelhante àquilo que tivemos em 2021, em que Lewis Hamilton e Max Verstappen chegaram aqui precisamente ao Abu Dhabi empatados, iguais a nível de pontos. É semelhante, mas é um Max Verstappen diferente do Max Verstappen de então.

Mais maduro?

Mais maduro. Um Verstappen que já sacudiu aquela pressão da conquista de títulos, porque era o piloto esperança. Depois de Sebastian Vettel, foi a maior esperança da Red Bull. E se calhar, depois de Daniel Ricardo não ter corrido tão bem como os responsáveis da Red Bull, na altura Christian Horner, queriam, já vem sem aquele peso gigantesco de devolver um título à Red Bull. É um piloto também muito mais experiente e prova disso é aquilo que vai dizendo nas conferências de imprensa, onde ele se mostra claramente tranquilo. No início da temporada, dizia: "Não, nós não somos candidatos ao título. Há outros carros e há outros pilotos que são muito mais candidatos ao título do que nós." Mas chegados aqui e respondendo diretamente à tua pergunta, foi um misto de coisas. Primeiro de tudo, fomos nós, na DAZN, que no acordo que fizemos com a Fórmula 1, dissemos: "Meus senhores, isso tem que ir até o último grande prêmio." Claro que não, estou obviamente a brincar. Mas há aqui um conjunto de fatores. Primeiro, ao lado Max Verstappen, a experiência de Max Verstappen, a audácia de Max Verstappen, sobretudo a segunda metade da temporada de Max Verstappen.

E era mesmo isso que eu ia te questionar também. Não só a segunda temporada de Max Verstappen, não só como piloto, mas também algumas melhorias que pudemos assistir no lugar da Red Bull, mas também e falando dos outros dois pilotos e também da equipe deles, a McLaren, que já tem o título de construtores assegurados há alguns grandes prêmios. No entanto, e apesar de quase ser certo, quase ser uma opinião unânime da equipe britânica ter o monocarro melhor, tem colecionado vários erros. Eu lembro-me do Canadá, daquele toque entre Lando Norris e Oscar Piastri, Las Vegas, onde os dois monocarros foram desqualificados e também no último grande prêmio, com a não decisão de ir às pits na sétima volta, quando houve, neste caso, a bandeira amarela. Pergunto-te se Verstappen conseguir esse quinto título de campeão do mundo, se é mérito dessa segunda parte da temporada ou se é demérito da McLaren.

Eu diria que é 50/50. Primeiro, é do Max Verstappen, que continua a acreditar. É de uma Red Bull que pra segunda metade da temporada mexeu com as peças de xadrez, tirou a figura maior, aquele que tinha sido até então o único time principal, diretor de equipe, responsável máximo da equipe da esfera da Red Bull. Sentou lá outro homem cheio de experiência, que veio, para os menos conhecidos, de uma espécie de equipe B. Era ele o treinador, por assim dizer, dessa equipe B.

Da Racing Bulls?

Da Racing Bulls. Sentou um homem com muita experiência. Já trabalhou, por exemplo, na Ferrari e trabalhou também na FIA, Laurent Mekies. Foi um Laurent Mekies que trouxe estabilidade, mas que trouxe também algo que a Red Bull precisava, o desenvolvimento do monocarro, a audácia, a astúcia que a Red Bull estava a precisar e, sobretudo, foi alguém que veio tentar nivelar um bocadinho mais os dois pilotos da Red Bull. Sabemos que a Red Bull é uma equipe que trabalha para Max Verstappen. Verstappen é o piloto predileto. O outro piloto está lá para ser companheiro de equipe do Max Verstappen. O Laurent Mekies tentou equilibrar um bocadinho, mas não podemos descurar que do outro lado há também falhas. Falaste aí no caso do Canadá, em que há luta direta entre os dois pilotos. Nós sabíamos que mais cedo ou mais tarde aquilo ia acontecer e o aquilo é o Lando Norris numa pressão intensa que está a fazer ao Oscar Piastri numa das passagens pela reta da meta, toca A sorte da McLaren foi apenas e só Lando Norris ter ficado de fora da pontuação desse grande prêmio e Oscar Piastri ter passado sem grandes problemas por esse incidente. Mas tivemos também o famoso momento da pistola que falhou no pit stop de Lando Norris no grande prêmio em Ímola e a equipe pediu o Oscar Piastri, que teve um pit stop mais rápido, uma paragem nas "box" mais rápida, porque não foi alvo de nenhuma falha mecânica, porque uma pistola falhar para trocar um pneu é uma falha mecânica e o próprio Oscar Piastri dizia isso no rádio, quando a equipe pediu: "Oscar, vamos lá devolver aqui a posição", recordando um grande prêmio da Hungria de 2024. Ora, foi uma McLaren que a espaços neste ano de 2025, voltou a 2024. Cometeu vários erros. E outro dos erros, aquele que está mais presente na nossa memória, é mesmo o do fim de semana passado no Qatar, quando estava escrito no guião de qualquer estratega, havendo a obrigatoriedade por parte da FIA e da Pirelli de um jogo de pneus não poder estender o seu stint, ou seja, o número de voltas que faz além das 25 voltas, sendo um grande prêmio com 57 voltas, estava mais do que escrito no guião de qualquer um dos estrategas das 10 equipes do Mundial de Fórmula 1, que se houver um safety car à volta sete, é para parar. Ora, a McLaren não parou. O Oscar Piastri, de resto, até questiona a equipe: "Vamos parar, não vamos parar?" Era ele quem estava a liderar a corrida no momento.

E deixa-me responder. Deixa-me interromper, Oscar, até porque nós muitas vezes, e falando novamente do Verstappen, é um piloto que com essa maturidade, com essa experiência, com outro calo, que diz mesmo: "Não, eu vou parar. Sou eu que paro porque sou eu que mando, porque eu sinto." E para além desse guião escrito, quase essa obrigatoriedade, essa pit stop grátis que muitas equipes aproveitam, muitos pilotos, e também vou colocar o nome de Lewis Hamilton aqui, param porque sentem que é a altura para parar. Pergunto-te se não houve esse tato, essa experiência por parte tanto de Lando Norris, como também de Oscar Piastri, para dizer que à volta sete, e tendo em conta essa limitação do stint por parte da Pirelli, é para parar, ponto final.

Do lado do Oscar Piastri, eu acredito que havia mais neblina, porque o Oscar Piastri tinha pista livre, era líder da corrida na altura, por isso não sabia aquilo que os outros iam fazer. Era ele o primeiro e foi ele o primeiro a passar pela linha de entrada do pit lane na via das boxes. Já o Lando Norris, e isso nota-se na câmera onboard do piloto da McLaren, que vinha em terceiro, vinha imediatamente atrás do Max Verstappen nesse momento da corrida, nota-se que o próprio Lando Norris, quando vê o Max Verstappen entrar para o pit lane, aguarda também, ele reduz e muito para perceber: "Então, mas chama-me, não chama-me?" Ora, o que acontece ali? Acontece que os pilotos têm o seu feeling, mas há muito mais informação que está do lado da box, do pit lane, do muro das boxes, de quem está a acompanhar nas fábricas, no caso da McLaren em Woking, do que um piloto dentro do carro, que tem um certo nível de informação que é limitado, neste caso, e por isso os pilotos ali limitam-se a corresponder àquilo que são as ordens da equipe. Há dois engenheiros, cada piloto tem o seu engenheiro. Esses engenheiros estão em contacto permanente com as equipes de estratégia. As equipes de estratégia, por sua vez, estão em contacto permanente com as simulações que vão sendo feitas nas fábricas. Portanto, há aqui um trabalho de equipe e a equipe como um todo, falhou. E o mais penoso é que falha no momento em que não poderia falhar. Mas há outro dado aqui, João, que nós não nos podemos esquecer.

Muito rapidamente, sim.

E que temos falado muito sobre isto. A McLaren tem dois pilotos na luta pelo mundial de pilotos. A Red Bull tem um. E isso, parecendo que não, pesa, porque a McLaren procura ser justa para com os seus dois pilotos e ao tentar ser justa com os dois pilotos, pode ser muitas das vezes mais injusta do que justa. E pode ter sido isso que aconteceu no domingo.

Muito rapidamente e temos apenas tempo para mais duas perguntas e apelo ao teu poder de síntese, Oscar. Vamos falar novamente de Max Verstappen, muito rapidamente. 2021, 2022, 2023 e 2024, todos anos em que o piloto neerlandês conseguiu levar para casa o troféu de melhor piloto da Fórmula 1. Um quinto título colocava-o em que patamar dentro dos grandes deste desporto?

Primeiro coloca-o no patamar de Michael Schumacher, que é o único piloto que neste momento conquistou cinco títulos mundiais consecutivos. Ou seja, nós sabemos que Lewis Hamilton e também Michael Schumacher têm cada um sete títulos mundiais, mas isso é no cômputo geral. Cinco títulos consecutivos só Michael Schumacher tem. Isso colocaria imediatamente Max Verstappen uma vez mais no topo da tabela, não vou chamar dos melhores de todos os tempos, mas de um dos melhores da sua geração, senão o melhor da sua geração. Logo aí demonstra aquilo que tem sido a hegemonia deste miúdo, que desde muito cedo apostou tudo na carreira, na Fórmula 1.

E para terminar, Oscar, peço-te neste caso uma previsão, quem ganha no domingo e já agora pra ti, fazendo já um pequeno balanço desta temporada, a surpresa do ano e o desaire desta temporada de Fórmula 1.

Surpresa do ano, sem dúvida alguma, o companheiro de equipe do Max Verstappen para 2026, falo de Isack Hadjar, piloto da Racing Bulls. Um piloto que nas fórmulas de promoção, sobretudo na Fórmula 2, deixava antever que este ano em Fórmula 1 poderia ser um ano complicado, sobretudo muitas vezes pelas comunicações rádio que tinha para com os seus engenheiros. Foi um piloto muito maduro, sobretudo depois de ter começado a temporada, não ter sequer arrancado para o primeiro grande prêmio porque despistou-se na volta de preparação para a grelha de partida no grande prêmio da Austrália, mas também o Andrea Kimi Antonelli, outro dos rookies, miúdo novo, piloto da Mercedes, que está nesta altura, na altura em que nós estamos a falar, está muito próximo de Lewis Hamilton no mundial de pilotos. Quanto à desilusão, a Ferrari. A Ferrari não pode deixar de ser uma desilusão, porque vai buscar um sete vezes campeão do mundo, Lewis Hamilton, porque aposta todas as fichas neste piloto, mas também em Charles Leclerc, e este ano, à hora que nós estamos a gravar, não tem qualquer vitória conquistada, a não ser uma vitória numa corrida sprint no grande prêmio da China. Ainda assim, teve também uma desclassificação no final desse grande prêmio da China, no domingo, no grande prêmio. Quanto à previsão pra domingo. Olha, um dos três vai ser campeão.

Exato.

Que seja uma corrida emocionante, é aquilo que se espera, que seja idêntica e tão diferente da de 2021, ou seja, que não haja polêmica. A polêmica que tivemos no final de 2021, que não exista, mas que se possa decidir na última curva do circuito do Abu Dhabi, do Yas Marina. E lá estaremos a partir das 11 horas da manhã, na DAZN, pra acompanhar tudo de fio a pavio.

Precisamente. Oscar, mais uma vez, muito obrigado por esta entrevista. Já sabe, Fórmula 1, o último grande prêmio este fim de semana. Oscar Piastri, Lando Norris ou Max Verstappen será um esse campeão do mundo. Mais uma vez, Oscar, muito obrigado.