Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

"Ideias Feitas", na Rádio Observador, com o Alberto Gonçalves. Olá, Alberto, bem-vindo.

Olá, Ricardo. Obrigado e boa tarde.

E hoje queres ir às eleições em Israel?

É, a gente vai cobrindo as eleições de todo lado, ou quase. Mas eu queria começar por lembrar que além de andarmos há anos a ser bombardeados, passe a expressão, com a lenda de que Israel está a praticar genocídio em Gaza, deve ser o único genocídio da história em que a população afetada cresce em vez de diminuir. Além disso, também temos que levar em cima com o mito de que em Israel se pratica o apartheid, em que as vítimas são os árabes que lá vivem. E só o facto de haver árabes a viver em Israel já é suspeito ou já ajuda a demolir vários mitos que correm por aí, visto que seria interessante contar quantos judeus vivem hoje em países do Médio Oriente e em países predominantemente muçulmanos em geral, e na quase totalidade dos casos, praticamente nenhum. Mas mais interessante do que o racismo estrutural israelita, que permite a cidadania plena dos árabes e a infinita tolerância das sociedades islâmicas, que não convida à presença de judeus, é os árabes israelitas poderem votar livremente e com consequências eleitorais, coisa que, como alguns, poucos, têm notado nos últimos dias, não acontece em mais nenhum país do Médio Oriente. Eu repito, porque vale a pena repetir, pelo menos parece-me, que Israel não é apenas a única democracia do Médio Oriente, Israel é o único país do Médio Oriente em que os árabes podem votar, pelo menos em eleições livres e justas, e não em simulacros de eleições, que isso há outros países em que eles podem votar. E há outra coisa que não tem sido tão notada nos últimos dias, é que não é somente no Médio Oriente. Não há nenhum país islâmico em que os árabes possam votar em eleições realmente democráticas. Pelo menos países islâmicos em que haja população árabe significativa. Em Israel podem votar. Ontem houve eleições em Israel e os árabes votaram e, mais do que isso, os árabes têm partidos formados por árabes que concorreram em condições de igualdade com os restantes partidos e, mais ainda, os partidos árabes elegeram, e em maior número até do que em eleições anteriores, deputados árabes para o Knesset, o Parlamento de Israel, e com programas avessos às necessidades de defesa de Israel, ainda por cima. Ao contrário, portanto, de todos os países vizinhos, o regime israelita é democrático. Ao contrário de Israel, os países vizinhos é que são racistas e só não praticam apartheid porque já não há lá judeus que possam sofrer qualquer discriminação. Estes são alguns factos e outro facto ainda é que Israel continua a ser demonizado pelos seus inúmeros inimigos, também no Ocidente, os quais nunca criticam a expulsão dos judeus dos países islâmicos, ou a expulsão formal, ou o facto de eles se sentirem levados a sair airosamente antes que lhes acontecesse alguma coisa. Ou seja, nunca é criticado o racismo evidente que se pratica nesses países, é criticado o racismo imaginário que se praticaria eventualmente em Israel. E também nunca se critica a falta de cultura democrática desses países islâmicos ou muçulmanos vizinhos de Israel. E o que eu acho engraçado não é isto. O que eu acho engraçado é que pessoas genuinamente bem-intencionadas, pessoas de boa índole, continuam a espantar-se com as pessoas que demonizam a democracia israelita enquanto não têm qualquer objeção às ditaduras em redor. Ainda há quem se espante com esta reação. Este espanto parece-me esquisado ou gasto, ou que não faz sentido, porque essa gente que critica Israel não critica Israel apesar de Israel ser uma democracia. Essa gente critica Israel justamente porque Israel é uma democracia e é uma nação livre e próspera e pratica o modelo capitalista de mercado livre e é uma sociedade científica e tecnologicamente avançada, essas coisas todas. Em suma, muitos dos que detestam Israel, detestam Israel por ser uma sociedade ocidental ou por partilhar aqueles valores com o Ocidente, ou aqueles valores que nós, pelo menos dantes, nos habituávamos a atribuir ao Ocidente. O ódio a Israel é indistinguível do ódio ao Ocidente. Claro que é agravado pelo velho antissemitismo ou antissionismo, como se diz agora, que é a simples recusa de que Israel possa existir. Isto também pesa, com certeza. Agora, para acabar, Ricardo, quanto às eleições propriamente ditas, a contagem ainda está a decorrer e, como é costume por lá, aquilo é sempre complicado. São muitos partidos, muita necessidade de acordos, tratos e alianças e é impossível prever neste momento, pelo menos eu não consigo, prever quem e como formará governo e com quem formará governo. Para quem não é antissionista, não acho especialmente importante escolher entre o senhor Netanyahu ou o senhor Isankot. O importante, qualquer que seja o primeiro-ministro e as alianças que conseguir fazer para chegar lá, é que as políticas do futuro governo continuem a assegurar de modo competente a existência de Israel, não só por questões de mera humanidade, com certeza, mas porque Israel é a primeira linha de defesa de um Ocidente em crise e para quem preza Israel e para quem odeia Israel, para ambas as fações, Israel é um exemplo.

Obrigado, Alberto, e até amanhã.

Até amanhã, Ricardo.