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Está agora conosco, em direto, Carlos Pereira, que é director do LusaJornal em França. Carlos Pereira, bom dia. A julgar pelo que aconteceu esta noite e também já com o pedido de demissão do ministro do Interior que conhecemos, a declaração de Macron teve muito poucos efeitos práticos.

Sim, o que disse o Macron ontem resumiu a situação. Veio falar ao país para dizer o que se estava a passar no país, o que toda a gente já sabia. Dizer que a justiça ia ser mais célere e ia punir os que estavam a roubar agora. Esse é um discurso que já ninguém espera. A justiça não é célere, a justiça não funciona bem e o Estado foi completamente ultrapassado durante este último fim de semana. O que se veio a passar, a violência que aconteceu, mostra que o Estado não estava preparado, a polícia não tinha antecipado esta situação, ou pelo menos antecipou mal, e que ficou surpreendida. De fato, o que aconteceu foi violento e ultrapassou todas as outras manifestações que já aconteceram até aqui.

Sim, por várias cidades francesas. Esta manhã ficamos a saber que há uma reunião de urgência do governo. Carlos, o que é que pode sair desse encontro?

Ajudar os comerciantes. Se há um balanço dos dois mandatos Macron, é que ele conseguiu aguentar o Covid, ajudando as empresas a ficarem de pé. O que hoje os comerciantes nos dizem, ou que tenho ouvido esta manhã, é que esperam que ele aqui também faça a mesma coisa. Há muitos comércios que foram roubados, vandalizados.

Foram saqueados.

Espera-se que o governo agora ajude estas empresas a não fecharem, porque muitas delas têm tendência a fechar.

Estamos a falar aqui de apoios econômicos para os lesados das manifestações, mas não há nenhuma forma de conseguir controlar este tipo de protestos tão violentos.

Esse é o problema. E o problema também é que a reivindicação inicial dos estudantes e do nível de vida, que é difícil, ontem já ninguém falou e hoje de manhã já ninguém fala. Isso passou para um segundo plano e o que ficou nestas manifestações é, de facto, estes atos de violência, que já estão a acontecer há vários anos. Isso acontece em fim de manifestações, etc. E aqui viu-se de uma forma muito mais grave, muito mais agressiva, logo no início da própria manifestação. É isso que fica de resultado de uma jornada que devia ser uma jornada de protesto e de pedir mais meios, as escolas necessitam de mais meios, portanto, os estudantes estavam a manifestar. O nível de vida é difícil devido ao aumento do combustível, etc. Isso tudo, ontem e hoje, ninguém está a falar.