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De facto, é a principal pergunta neste momento. Tenho o sentimento, no entanto, que o Presidente da República já tem o nome e que eventualmente já terão começado a pensar, porque era de tal maneira evidente esta queda. É muito difícil e parece ser muito simples, nem a direita está suficientemente forte, nem a esquerda está suficientemente em confiança para realmente poderem encontrar dentro dessas forças sozinhas, um nome que possa ser consensual. Sébastien Lecornu, que é o ministro da defesa, que é um homem de confiança de Emmanuel Macron, o presidente, porque tem ligações também inclusive com a extrema-direita, tem uma boa ligação à direita francesa e não está zangado com os socialistas, é claramente o nome que poderia parecer, de alguma forma, muito lógica. A grande dificuldade é que o primeiro-ministro que for nomeado tem como principal missão aguentar pelo menos os dois, três meses para o voto do orçamento. E, portanto, aqui, mais do que simplesmente o nome, é também conseguir compreender a esse nível, a este ponto, nesta situação, qual é realmente a vontade dos partidos. Nós estivemos a assistir nesses últimos dias a algo que é a primeira vez em toda a história da Quinta República, é uma insistência e uma espécie de conivência entre a extrema-direita e a extrema-esquerda, que ambos pedem não só a dissolução da Assembleia da República, mas também a demissão do Presidente da República. Ou seja, uma nova dissolução para chegar a essa conclusão óbvia, se todos os governos caem por falta de confiança ou por falta ou numa moção de censura, então o próprio presidente da República tem que chegar à conclusão que se deve demitir. E é isso, uma das bases da reflexão, como é que os outros partidos também podem compreender se têm ou não têm interesse em ir muito rapidamente ou mais rapidamente do que o previsto a eleições. Portanto, dos nomes, Lecornu para mim seria um dos lógicos, embora haja uma série de nomes, Darmanin seria outro, por exemplo. Mas nessa altura, eu tenho o sentimento, francamente, que o Presidente da República já terá escolhido.
E Armando Santos Ruivo, esta nova crise política vem comprovar um pouco que Emmanuel Macron, neste momento, na reta final do mandato, já não tem condições para gerar o mínimo consenso político no país?
É preciso compreender de forma muito clara que a Constituição francesa é presidencialista e, portanto, mesmo um presidente enfraquecido continua a ter poderes, só que nós podemos considerá-los acima do que é a realidade. E é isso. Esse ponto, para mim, é realmente um divórcio. De resto, é interessante ver como é que a imprensa internacional reage e inclusive até conseguiu emitir em direto para alguns deles o discurso do François Bayrou, porque a França está a viver momentos de dificuldade e de enfraquecimento, ao passo que é a segunda economia europeia e, portanto, é tão consequente para fora como para dentro. E aí, de uma certa forma, o presidente Macron continua a ter um peso, porque é o presidente da República, porque tem uma ligação com o exterior que é forte e nenhum país pode realmente imaginar ou ter interesse em que haja uma demissão do Presidente da República, novas eleições nesta altura. E, portanto, nessa base, o presidente Macron continua a ter alguma capacidade. Agora, dentro da sociedade francesa, é óbvio que todos estão prontos para 2027 e alguns, como eu dizia, até estão ansiosos por poderem ir a votos muito mais cedo, convictos que iriam ganhar. É exatamente a posição da Marine Le Pen neste momento.
Armando Santos Ruivo, muito obrigado por ter estado em direto conosco na Rede Observador, vereador português na Câmara de Paris, a ajudar-nos a contextualizar esta nova crise política em França.