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Para todo o setor, este tipo de práticas são preocupantes, porque estamos a falar de um comércio completamente ilegal, de um produto que não é azeite, com a indicação de que é azeite. O setor está bastante preocupado, porque isto pode vir a danificar a imagem do setor e temos vindo a conversar com as autoridades, promovendo o diálogo no sentido de fomentarmos que cada vez mais sejam encontrados este tipo de fraudes, que sejam detectadas e que estes produtos sejam tirados do mercado. Eles não têm nada a ver com o azeite. O setor vive bastante preocupado com estas fraudes que todos os dias vemos nas redes sociais, na borda de estrada e apelamos ao consumidor que consuma produtos nos locais habituais e que não há milagres. Se um garrafão de azeite está hoje em dia a um preço médio de 45 a 50 euros, não há milagres em comprar um garrafão de azeite a 15, 20, 30 euros. Isso é completamente impossível.
Numa altura em que o preço do azeite está a atingir recordes, podemos dizer assim, eu pergunto-lhe se este tipo de práticas é nova, no sentido de surgir agora perante este aumento do preço do azeite ou se é uma coisa que já está há algum tempo?
Esta prática sempre existiu, não com esta dimensão. Com essa dimensão não existiu. Mas nós vemos muitas vezes o consumidor pouco esclarecido, muitas vezes à procura do produto típico, sem rótulo, sem nada, e nós o que apelamos é que as pessoas consumam produtos devidamente rotulados e nos locais habituais. Nos últimos anos, esta prática também existia, não com esta dimensão, porque o azeite também não estava a este preço. Mas, sobretudo, o que apelamos é que não há o chamado azeite caseiro, isso não existe. O azeite é todo produzido ou extraído no lagar de azeite, independentemente da sua proveniência, é sempre extraído no lagar de azeite. O que apelamos é que os consumidores se inibam de comprar este tipo de produtos, muitos sem rótulo e outros com rotulagem completamente enganosa. A preços completamente disparatados.
Para o consumidor menos atento, como é que é mais fácil fazer essa distinção?
Primeiro é ver a rotulagem. O azeite tem que ter a rotulagem se é virgem extra ou virgem. E depois não comprar em redes sociais, na borda de estrada, comprar junto dos produtores, junto dos lagares, junto das cooperativas, junto dos comércios habituais e certamente terá muito mais confiança. Agora, comprar produtos em marketplace da internet, na borda de estrada, a desconhecidos, certamente que irá estar a comprar um produto que não é conforme.
Disse-me há pouco que a ASAE está a fazer uma boa investigação e uma boa intervenção perante este tipo de situações. Eu pergunto-lhe: o que é que outras instâncias podem fazer para combater este tipo de práticas?
Eu acho que para além da ASAE combater este tipo de práticas, nós também temos vindo a falar com a GNR no sentido também de controlar os roubos no campo. Tem havido também este ano imensos roubos no campo, infelizmente, alguns têm sido detectados. Mas o que nós temos que fazer? Temos que criar campanhas de sensibilização ao consumidor para o consumo correto de azeite, sobretudo para aquilo que é o aumento do conhecimento do consumidor para aquilo que é azeite, o que é que é o azeite virgem e o que é o azeite virgem extra. Isso é que é importante, é que nesta época comecem a surgir estas campanhas de informação ao consumidor, apelando também ao consumo de azeite, mas sobretudo apelando a que o consumidor consiga distinguir os diferentes tipos de azeite e que no futuro não seja enganado.
Falou-me em roubos no campo. Está a falar de produto ou de maquinaria?
Produto. De azeitona. Falamos de roubos de azeitona, tem acontecido sobretudo a sul do país, mas também em Trás-os-Montes