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Tivemos essa informação há pouco por parte da ministra da Presidência, que existem cerca de 10, 12 mil ofertas de emprego, juntamente com as condições de acolhimento. Se é uma mão de obra que olham com bons olhos, se já tem noção também até a nível geográfico, quais é que possam ser as regiões do país que possam ser alocadas estas mesmas pessoas que vêm da Ucrânia. O que o Daniel nos pode contar acerca disso?
Sim, nós temos vindo a receber nos últimos dias muitas propostas de muitos empresários que além de darem nota da necessidade de trabalhadores, têm nota de que os trabalhadores vindos da Ucrânia são normalmente bons trabalhadores, pelo menos pelo histórico que já temos do passado. Houve um período há cerca de 10 anos atrás, que houve uma grande afluência de ucranianos e ficaram, ainda que há muitos, mas todos os que passaram, deixaram de certa forma alguma saudade, porque são trabalhadores efetivamente competentes. Naturalmente, e neste momento, aquilo que curiosamente temos vindo a receber nos últimos dias, inúmeros empresários que têm entrado em contacto connosco e dando a disponibilidade da oferta de empregos e inclusive da oferta até de alojamento associada à oferta de emprego. Estamos a falar aqui de forma transversal. Na zona Norte, Lisboa, Algarve, mesmo zona do Douro, que é uma grande necessidade de mão de obra, as zonas mais interiores, que são voltadas para o turismo. Há aqui um grande número de empresários que estão disponíveis para dar alojamento, para dar boas condições de vida a estes trabalhadores que possam vir, estes refugiados, que serão bem-vindos ao nosso país.
O Daniel Serra há pouco falava dessa questão do histórico que Portugal tem com as pessoas da Ucrânia. Também tendo em conta esse histórico, o que o Daniel pode dizer, que é mão de obra qualificada, mão de obra com competência?
Sim, a maioria dos trabalhadores que vêm da Ucrânia são pessoas qualificadas, embora tenha aqui a barreira linguística, mas mesmo isso, eles têm uma grande capacidade de adaptação e rapidamente aprenderam a língua. Sabemos que estes novos que virão agora poderão ter esta dificuldade e naturalmente numa primeira fase será mais para trabalhar na cozinha, nas copas e depois quando tiverem alguma maior facilidade com a língua, poderem trabalhar nas salas com os clientes. Mas o que nós notamos é que eles têm uma grande capacidade de aprendizagem, bastante rápida. Muitos deles, os mais novos, dominam o inglês, isso também é uma facilidade para a necessidade que também na parte turística, as empresas têm essa procura por pessoas que falam também línguas, mas diria que a maioria dos ucranianos, daquilo que no passado pudemos avaliar, é que são pessoas competentes, trabalhadoras e que rapidamente se encaixam, acabam por ficar integradas com muita facilidade e aprendem a língua também em pouco tempo. Diríamos que nesta fase, com a dificuldade que em Portugal existe de mão de obra, isto seria uma parceria, uma relação em que passaríamos a ter aqui uma componente solidária, também combatíamos aqui com a necessidade que o país tem de emprego.
É quase como uma oportunidade que surge também de ambas as partes.
Eu diria que é win-win. Isto é uma situação que todos ganham, embora com a desgraça de um povo que está a sofrer, mas que o país, Portugal, recebe-os de braços abertos e como disse há pouco, da parte da restauração, pelo menos temos este registo, existem muitos empresários que inclusive, para além do emprego, estão disponíveis a arranjar alojamento, alimentação e as condições de boa qualidade de vida para esses trabalhadores.