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No próximo sábado arranca a 104ª edição da Volta à Itália em bicicleta, o Giro, e o português João Almeida foi confirmado como líder da equipa Deceuninck-Quick Step. É precisamente o líder da equipa belga quem eu tenho agora comigo. Desde já, olá, João Almeida.
Olá, muito obrigado pelo convite.
João, o João já está em Itália, correto?
Sim, correto. Já me encontro em Itália.
Já esteve a treinar?
Sim, já estive a treinar também. Estive ali nos tempos de recuperação até a corrida.
Como é que se encontra a nível físico?
Acho que me encontro bem. A preparação foi bem feita. Agora é descansar e ver como é que o corpo reage à primeira etapa.
A primeira prova.
E ver se estou pronto.
Sim. Esta edição número 104 começa então no sábado, dia 8, e terá já um contra-relógio individual em Turim, no qual o João até costuma ser bastante forte. Daquilo que já pôde olhar para a prova deste ano, para as 21 etapas, e também fazendo a comparação ao Giro do ano passado, quais é que são as primeiras impressões que o João nos pode dar?
Sim, vai ser um Giro bastante duro. O contra-relógio de sábado é um bocado curto, é um prólogo, então penso que não vai haver muitas diferenças. E depois temos um Giro com etapas de terraços, uma etapa muito dura de terraços. Temos muita alta montanha, portanto vai ser um Giro muito duro e com certeza vai ganhar o mais forte.
Onde é que o João Almeida acredita que vão estar os maiores desafios e onde o próprio João Almeida se calhar poderá encontrar maiores dificuldades?
Sim, acho que os maiores desafios vão ser a etapa dos terraços, logo a etapa 11. Vamos ter o Monte Zavalan, vamos ter uma etapa muito dura na última semana, que tem como última subida o Passo Giau. Vão ser etapas bastante duras e, sem dúvida, acho que vou ter dificuldades, mas espero me encontrar bem e não passar mal.
O João ano passado acabou por ser essa surpresa, ficando no quarto lugar da tabela geral. Ainda assim, o João durante 15 dias liderou com a rosa vestida, até foi carinhosamente alcunhado como a Pantera Rosa. Acabou por cair naquela etapa rainha, o Stelvio, a subida ao Stelvio. Este ano o João acredita que já pode encarar estas provas assim de montanha alta de uma forma diferente? A preparação já vai nesse sentido?
Sim, exato. Estamos preparando o melhor possível, embora lá está, é tudo muito relativo e imprevisível também. Esperamos estar ainda melhor do que o ano passado. E se fizer igual ao ano passado e fizer uma coisa como o ano passado, acho que seria muito positivo outra vez e vou dar o meu melhor.
Falei nessa questão do Stelvio porque realmente foi uma etapa muito dura para o João Almeida na edição do ano passado e curiosamente o diretor desportivo da Quick-Step, o Davide Bramati, disse que a última semana seria a mais dura e também a mais importante por ter subidas brutais. Foram as palavras do Davide Bramati. De que forma é que o João, já tendo essa experiência do ano passado, pode encarar precisamente essa última semana das subidas mais brutais?
Sim, exato, este ano vai ser diferente, vai ser basicamente igual, mas no fundo é mais uma vez dar o meu melhor e tentar recuperar o máximo possível dia a dia para conseguir ter uma boa performance.
O que significa para o João este voto de confiança por parte da Deceuninck-Quick Step ao elegê-lo como líder para o Giro deste ano? Porque eu creio, se não estou em erro, que o ano passado a Deceuninck não tinha um líder declarado.
Sim, exato. Lá está, era a primeira vez que estava a fazer um Grand Tour, não sabia como é que ia reagir em três semanas. Este ano, pronto, já não é a mesma coisa. É o segundo que vou fazer. Vamos ver. Não há garantias. Muita coisa pode correr mal, mas estamos tranquilos e vou dar o meu melhor, que é o mais importante.
O João Almeida este ano tem estado em boa forma, fez terceiro lugar na Volta aos Emirados Árabes Unidos, fez sexto lugar no Tirreno-Adriático e fez sétimo na Volta a Catalunha, onde inclusive venceu essa classificação da juventude. Acredita que esteja na melhor forma possível para encarar este Giro?
Sim, penso que sim. Também fiz um bom estágio de altitude, em que me senti bem. Portanto, agora é cruzar os dedos e espero que corra tudo bem.
O João pode ser considerado como um dos elementos desta nova geração de ciclistas com 20, 21, 22 anos, como é o caso do João, que de facto têm rompido tudo o que é recordes no que ao ciclismo diz respeito. E se olharmos, por exemplo, ao seu colega, o belga Remco Evenepoel, que vai estar a dar um contributo também ao João, eu creio que também vão ser os primeiros minutos do Remco. Mas de que forma é que o João também olha para estes novos ciclistas da idade do João e até alguns mais novos, como é o caso do Pogačar, estarem a aparecer assim em grande força no mundo do ciclismo?
Sim, é fruto de muito trabalho, muito esforço, muito sacrifício. Desde muito cedo que nós trabalhamos imenso e somos muito profissionais, desde os 17, 18 anos. Então, no fundo, isto é fruto do nosso trabalho e acho que cada vez mais jovens vão se atrever, mas acho que é o nosso ciclismo, um ciclismo diferente, mas acho que é muito bom.
Pegando aqui no caso do João Almeida enquanto líder e o facto de também ter o Remco Evenepoel a auxiliar o João, acredita que desta forma a Quick-Step vai encarar este Giro mesmo para atacar a classificação geral?
Sim, acho que sim. Temos uma equipa muito forte. Ele também está muito bem e se ele tiver mais força e fizer a corrida dele, acho que também é muito bom. É bom sinal. Ter alguém como o Roglic lá dá muita confiança.
Na edição do ano passado, eu recordo-me que a própria equipa reconheceu, naqueles 15 dias que o João levava a rosa, que de facto não tinham preparado a Volta à Itália do ano passado para ter precisamente um ciclista a lutar por essa classificação geral. A pergunta que eu faço neste caso ao João é se este ano a ambição da Lotto DSTNY já passa nesse sentido, para atacar um top 10 ou até mesmo um top cinco.
Sim, este ano os corredores estão mais fortes. A equipa basicamente é a mesma, não muda nada. Os corredores são quase os mesmos, só temos corredores muito bons e que não nos vão delidir. Acho que mais facilmente serei eu a delidi-los, porque é uma corrida muito dura e vão ser dias muito duros, principalmente psicologicamente. Mas vamos todos mais bem preparados e com um objetivo mais específico e com foco maior na classificação geral.
É verdade que o ano passado a edição da Volta à Itália decorreu num contexto muito diferente do habitual. Este ano não será propriamente diferente, que é o contexto pandémico. O ano passado houve equipas a abandonar a Volta à Itália, precisamente porque houve atletas que testaram positivo e depois esses atletas tiveram que ser retirados, até várias equipas que acabaram por ser retiradas. De que forma é que vocês estão a preparar essa situação?
Sim, já nós tomamos todas as medidas possíveis. Somos testados constantemente e temos a nossa bolha fechada, cada equipa tem a sua bolha. Então acho que a probabilidade de haver algum caso é muito baixa, embora nunca seja impossível. Basicamente temos a nossa bolha fechada, todos somos negativos e se não haver contacto com mais ninguém, ninguém vai dar positivo, ninguém tem o vírus. Mas é continuar atento e cumprimos todas as medidas que são necessárias e acho que vai correr tudo bem.
Para terminar, João, qual é a expectativa do João Almeida para a edição deste ano? Olhando para a classificação, onde é que o João gostava de ver o seu nome no dia 30?
Se terminar nos 10 primeiros seria um bom objetivo. Obviamente, quanto mais para cima, melhor, mas também temos aqui um pelotão muito forte e vai dar o meu melhor.