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Jana Várzelas, é integrante da Comissão de Trabalhadores da Groundforce. Começo por perguntar qual é a reação da Comissão de Trabalhadores a esta notícia de que o governo chegou a acordo para a TAP pagar o subsídio de férias e também os salários em atraso aos trabalhadores.
Isto é uma lufada de ar fresco que os trabalhadores estavam desesperadamente a precisar, sobretudo depois do balde de água fria que foi a semana passada, quando a TAP pela primeira vez anunciou que nos ia pagar e isso acabou por não ser possível por impedimento por parte do acionista majoritário da Groundforce. Neste momento, termos essa garantia é realmente muito positivo e muito bom.
E daquilo que conversaram e chegaram a acordo com o Ministério das Infraestruturas, este passo em frente pode significar o cancelamento das próximas greves?
Em primeiro lugar, dizer que a Comissão de Trabalhadores é um órgão que representa todos os trabalhadores da empresa, portanto, da Groundforce, mas não é em si um órgão que esteja envolvido nas negociações propriamente ditas, porque isso é matéria que compete às organizações sindicais. Da mesma forma, esse tipo de decisão não compete de forma alguma à Comissão de Trabalhadores.
Ainda assim, no entender da Comissão de Trabalhadores, seria este um motivo que justificasse o cancelamento dessa greve?
Como lhe digo, nós nem sequer podemos ou queremos emitir opinião nesse sentido, porque não nos cabe a nós, mas não há dúvida nenhuma que consideramos que foram notícias muito positivas. Realmente o resto não podemos pronunciar-nos, nem devemos, porque não nos cabe a nós, é matéria que compete apenas e só às organizações sindicais, tanto que são essas organizações que são as subscritoras dos pré-avisos de greve e será de acordo com o seu entendimento o momento para fazer o levantamento. Esperamos que tudo acabe bem, esperamos que tudo corra bem, mas realmente não nos podemos pronunciar nesse sentido. O que sentimos é que há uma lufada de ar fresco e sentimos que a esperança renasce.
Jana Várzelas, terminava por perguntar-lhe precisamente o que é que esta notícia também pode significar para aquilo que é o futuro da empresa a longo prazo?
À parte das questões pecuniárias, que as pessoas têm diversas matérias em atraso que precisam de receber. Temos diversas famílias dentro da família Groundforce, temos diversas pessoas a passar por necessidades por falta dos pagamentos que lhes são devidos, mas há uma coisa de que as pessoas também não querem abdicar e que desejam com toda a força, que é ver a estabilidade da empresa no que diz respeito à sua estrutura acionista, que não está de forma alguma ainda definida. Portanto, isso é um desejo grande que nós temos. Aquilo que sabemos até ver é aquilo que está no comunicado. Esperamos que o Montepio faça a venda a um dos interessados que tem no âmbito do leilão que efetuou. Não havendo sucesso, de acordo com o que ouvimos o ministro das infraestruturas, a TAP terá uma solução. Portanto, isso é o que nós mais desejamos, ver a nossa empresa estabilizada para podermos trabalhar descansados, sem ter todos os dias a dúvida se vamos receber no fim do mês ou não. Ninguém consegue trabalhar assim, nem faz sentido, nem é suposto.