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José Carlos Simão é Director da Direção-Geral dos Serviços Marítimos. Boa tarde. Foi emitido um aviso para embarcações portuguesas que estejam no Mar Negro e que estejam no Mar de Azov. Que aviso é este que a direção emitiu esta tarde?
Trata-se de um aviso preventivo, no sentido de alertar os navios de bandeira portuguesa que estejam nesta zona do Mar Negro, para saírem dessa área de navegação, atendendo ao crescente risco que se faz sentir e atendendo ao histórico recente de incidentes com navios. Quatro navios da Marinha Mercante foram atingidos recentemente, nas últimas horas. Um navio da bandeira panamiana, um bulk carrier, outro da Moldávia, o terceiro das Ilhas Marshall e também um navio porta-contentores do Japão. Navios que estavam perto do mar da costa ucraniana e que foram atingidos com mísseis. Portanto, o risco é real e nesse sentido emitimos um alerta para que as embarcações se afastem desta área de navegação e que evitem a utilização dos portos próximos da Ucrânia, uma vez que os da Ucrânia estão fechados, portanto, para esses portos não irão naturalmente, mas evitem os portos da proximidade e evitem mesmo ir para o Mar Negro do ponto de vista comercial, se for possível. Recentemente, nós tínhamos cerca de 20 navios a operar nessa zona, navios de bandeira portuguesa. Naturalmente que não estavam na zona próxima da Ucrânia, mas para prevenir eventuais incidentes, emitimos este alerta para os navios de bandeira portuguesa se afastarem o mais depressa possível e é isso que está a acontecer.
Falava de 20 embarcações, têm conhecimento de 20 embarcações que recentemente estavam no Mar Negro. Neste momento, esse é o número mais atual que têm de embarcações que possam estar naquela região?
Exatamente. Vinte navios que estavam ontem nessa região, todos eles se estão a afastar. Não temos relatos de nenhuma ocorrência com estes navios e, de forma preventiva, vão-se afastar cada vez mais daquela região. Foi para isso que nós fizemos o aviso e pedimos também aos navios para aumentarem o nível de proteção. Como sabe, os navios têm o nível de proteção oficial, nível um, dois ou três, e enquanto estiverem naquela região, mesmo estando-se a afastar, devem elevar o nível de proteção para o nível três e adotar todas as medidas mitigadoras face ao risco da região.
Esse reforço de segurança é o aviso também que deixam para embarcações que queiram continuar nessa região ou que precisem de continuar nessa região em função dos trabalhos que estão a fazer?
Exatamente. Naturalmente que os navios vão-se afastar todos, exceto finalmente face a algumas cargas mais críticas, e até mesmo de cariz humanitário, se tiverem que ir mais próximo, ativar o nível de máxima proteção no sentido de mitigarem os riscos daquela região, de facto.