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Esta noite, por volta das 21h30, há um asteroide que vai passar muito perto da Terra e que pode, inclusivamente, ser observado a olho nu. Vamos perceber melhor este fenômeno com o astrónomo José Augusto Matos. Boa tarde.

Olá, boa tarde, Diana.

José Augusto, que asteroide é este?

Este asteroide é um asteroide que por vezes passa nas vizinhanças da Terra. Convém também dizer aos nossos ouvintes que as vizinhanças, neste caso de hoje, são quase 2 milhões de quilómetros. Portanto, não é propriamente aqui muito perto de nós. É também um asteroide que é observado já há algum tempo, ele já foi descoberto nos anos 90. E é observado por quê? Porque este, como outros, é daqueles que são observados com algum cuidado, não vá um dia sofrer alguma perturbação e poder vir a ameaçar a Terra. Há algum cuidado relativamente a ele. Em termos de observação, também convém referir às pessoas que este asteroide só é acessível a telescópio e já é preciso um telescópio razoável para conseguir acompanhá-lo. Portanto, não é propriamente um objeto que seja facilmente visto por qualquer pessoa. Tem que ter um telescópio e tem que saber onde é que ele está para fazer esse tipo de observação. Mas, de facto, apesar de passar a 2 milhões de quilómetros, no futuro, se tivesse uma perturbação qualquer, podia passar eventualmente mais perto. Mas a ideia também é esta, não há o perigo do céu nos cair na cabeça hoje, portanto, as pessoas podem estar descansadas que não correm perigo nenhum com este asteroide.

Então, quando lemos em algumas notícias que este asteroide pode ser potencialmente perigoso, isso neste momento não corresponde à verdade.

Não. Isso é um exagero nesse tipo de notícias, porque de facto este asteroide passa a uma distância significativa. Convém também referir que nós temos asteroides desse género que no passado já têm feito passagens muito mais próximas, alguns até a distâncias inferiores, por exemplo, daqui à Lua. Mas este não, este de facto estamos a falar de um objeto que passa, nesta passagem em concreto, a quase 2 milhões de quilómetros e não constitui qualquer perigo. Logo à noite podemos estar descansadinhos e dormir descansados que não há perigo nenhum dele bater cá.

Qual é o tamanho deste asteroide, José Augusto?

Estamos a falar de um asteroide que tem 1 km de diâmetro. Obviamente que se fosse o caso de ele vir na direção da Terra, era um asteroide perigoso. Embora nós também tenhamos algum cálculo de probabilidade sobre estes choques. Por exemplo, um asteroide desta dimensão, claro que a probabilidade vale o que vale, mas provavelmente pode atingir a Terra de 600 mil em 600 mil anos. Há uma probabilidade dentro deste valor de tempo. O que significa que é muito raro a Terra ser atingida já por um corpo desta dimensão. No entanto, já aconteceu com certeza no passado, pode voltar a acontecer no futuro e obviamente que é um asteroide perigoso. Não estamos a falar de algo como aquele que provocou a extinção dos dinossauros há 65 milhões de anos, mas obviamente que se batesse na Terra, era motivo de preocupação. Não ia provocar uma extinção global na Terra, mas onde batesse provocava estragos significativos. E portanto, aí que estes e outros convém estarem sob vigilância, para nós sabermos onde é que eles andam, quando é que eles passam, que tipo de aproximações é que fazem, porque um dia, esperemos que daqui a muito tempo, podemos ter o caso de um que venha na direção da Terra e aí estamos metidos num grande sarilho. Convém estarmos atentos a isso.

José Augusto Matos, já me tinha dito em outras ocasiões, inclusivamente, que nós neste momento não estaríamos preparados caso isso acontecesse. O facto de conseguirmos determinar o trajeto pode ser a solução para que possamos estar preparados no futuro para um evento desta natureza?

A primeira questão realmente relevante é essa. Ou seja, nós temos que estar muito atentos e muito vigilantes relativamente a esses objetos que passam próximo da Terra, porque o estar vigilante é meio caminho andado para estarmos prevenidos. Isso também é uma questão, mas é preciso ver que nós neste momento não temos nenhum sistema de defesa contra este tipo de objetos. Ou seja, se tivéssemos um dia destes uma situação em que fosse detetado um asteroide destes a caminho da Terra, de facto nós não tínhamos grandes meios de defesa e bem que podíamos fazer o testamento ou então viajar para outro planeta, porque realmente ficávamos numa situação muito complicada. Mas de facto, o importante antes de mais nada é estar vigilante, saber onde é que eles andam e no futuro ter também um sistema de defesa. É claro que nós precisamos de estudá-los mais. Aliás, vamos ter uma missão agora daqui já há pouco tempo, já está no espaço, que vai fazer um impacto contra uma lua de um asteroide para ver a reação, vamos assim dizer. Temos que estudar melhor para perceber se um dia tivermos que desviar um asteroide destes, que tipo de instrumentos é que podemos usar. E ao lançar, por exemplo, um projétil contra um corpo destes, temos também que saber que efeito é que isso vai provocar.

E com quanto tempo de antecedência conseguimos fazer esse cálculo?

Ora bem, estas detecções de asteroides podem acontecer um ano ou dois anos antes. Por exemplo, vamos supor o caso de um asteroide ou de um cometa, também podemos ter a situação de um cometa que viesse a caminho da Terra, nós com sorte podíamos detetá-lo uns anos antes de cá chegar. Agora, mesmo assim, se calhar não conseguíamos elaborar um sistema de defesa contra isso. Convém que, de facto, esse sistema de defesa, ao existir no futuro, esteja mais ou menos preparado para entrar em ação. Nós neste momento não temos isso ainda. Mas também, como há pouco referi, é preciso ver que estes corpos que têm 1 km, 2 km, 5 km, 10 km, que são os perigosos, também atingem a Terra em períodos de tempo muito latos. E daí que não estamos agora à espera que venha já um a caminho nos próximos anos. Embora, nunca estamos livres, mas a probabilidade de isso acontecer é baixa.

Portanto, vamos esperar que não nos calhe a nós, José Augusto Matos.

Exatamente. Vamos esperar que não venha cá parar nenhum a Portugal, embora também deixe aqui uma boa notícia para os nossos ouvintes, é que em Portugal eles nunca caem porque nunca dão cu isto. Portanto, podemos também ficar descansados.