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Luís Pereira dos Santos, presidente do Instituto de Avaliação Educativa, que se junta agora a nós para analisar estes dados do TIMSS. Bom dia.

Bom dia.

Perguntava-lhe, em primeiro lugar, se encontra alguma explicação para esta descida das notas dos alunos na disciplina de Matemática.

Encontrar explicações na área da educação nem sempre é fácil, é uma área extremamente complexa e as próprias políticas educativas demoram muitos anos a ser, não só implementadas, mas também operacionalizadas nas escolas. Portanto, é sempre muito difícil encontrar uma explicação simples para os fenômenos educativos. O que é um fato é que do ponto de vista técnico, o IAVE é um instituto que tem a incumbência técnica da aplicação destes estudos e da análise dos resultados. Do ponto de vista técnico, o que temos de relevar é que os resultados dos estudos internacionais é para isso que servem. Permitem-nos ter dados sobre o nosso sistema educativo e permitem-nos depois, em termos de atuação, de políticas educativas, tentar perceber o que é que se passa, e depois atuar. Mas são questões que não são simples.

E face a estes resultados, e particularmente à disciplina de Matemática, antecipa-se essa necessidade de introduzir mudanças no sistema para melhorar os resultados dos alunos destes níveis de escolaridade?

Não compete ao IAVE fazer juízos desse gênero, mas há claramente um decréscimo que foi considerado estatisticamente significativo relativamente ao ciclo avaliativo de 2015 e, portanto, agora as entidades do Ministério da Educação, com estes dados, têm que tomar as medidas que considerarem pertinentes. Não é propriamente ao IAVE que compete dizer o que temos que fazer no nosso sistema educativo, mas com certeza que o que nos interessa é fornecer dados ao sistema educativo, às entidades, que depois vão trabalhar sempre com o mesmo objetivo, que é melhorar as aprendizagens dos alunos, obviamente.

E há aqui um dado que resulta deste relatório, que não será propriamente novo. O estudo mostra que o meio socioeconômico em que vivem as crianças afeta o desempenho escolar. Não será propriamente uma novidade.

Não é uma novidade. Vários estudos têm corroborado este resultado. Em termos mais genéricos, o que nós podemos dizer é que o desempenho dos alunos está muito ligado ao estatuto socioeconômico, às condições que os alunos têm, até aos recursos que os alunos têm em casa. E este estudo mostra-o muito claramente. E portanto, é um esforço da sociedade em geral, que tem que ser feito para minorar as desigualdades entre as pessoas e entre os estatutos socioeconômicos e portanto, o papel da escola aqui é fundamental. Muitas vezes é a escola o único ponto, o único local onde os alunos têm acesso a recursos, têm acesso ao conhecimento e, portanto, o papel da escola aqui é extremamente importante. Agora, é claro que isto já é um dado que é conhecido de muitos estudos, obviamente.

Comecei esta notícia por fazer referência à descida da média das notas em Matemática. Será o dado mais negativo dos resultados deste TIMSS. Há boas notícias desta avaliação feita a Portugal?

Não se pode dizer que tenha havido aumentos significativos em termos de médias. Posso dizer que a boa notícia é, em termos gerais, tal como aconteceu no PISA, a evolução que o país teve. Se olharmos para os resultados que tivemos em 95, Portugal participou em 95, teve resultados muito baixos, e depois só participou a partir de 2011, no quarto ano. E no oitavo ano, só em 2019 é que participamos. Portanto, ao olharmos esta evolução, vemos que houve um trabalho enorme por parte de toda a sociedade, por parte de todo o sistema educativo, políticas educativas transversais em termos políticos, em termos de orientação política, foi transversal a todos, uma grande aposta no sistema educativo. Isto é a informação mais positiva que podemos tirar destes resultados, que refletem o trabalho que foi feito no final do século XX e início do século XXI, no nosso sistema educativo. E portanto, isto é muito positivo, porque apesar de ter havido alguma diminuição dos valores, nós estamos num patamar que não se compara com o patamar que tínhamos em 95, porque tínhamos também o peso de muitos anos em que a nossa educação não tinha grande expressão em termos da nossa sociedade. E, portanto, o que há de positivo é isto.

Há uma evolução grande em relação a anos mais longínquos.

Claramente. Agora temos algumas oscilações, mas sempre dentro de um patamar que nos compara com países que nós consideramos já desenvolvidos e bastante importantes nesta área.