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Perguntava-lhe como é que vê estes últimos desenvolvimentos, o facto de três inspectores do SEF terem sido acusados.

Nós temos de esperar até à decisão do tribunal para avaliar o desenvolvimento, mas já agora esta informação que hoje vi de manhã nas notícias, que estão acusados só três inspectores, está um bocadinho estranho para nós.

Era isso que lhe ia questionar também, se faz sentido serem só estas acusações.

Sim, porque daquela informação que nós tivemos dos média, tudo o que sabemos do caso, havia a possibilidade de salvar a vida do Ihor Homeniuk. Daquela informação que eu tive, estavam lá muitas pessoas que viram ou encontraram o Ihor algemado, deitado no chão e podiam intervir, podiam ajudar, podiam chamar médico, podiam chamar a atenção. E se ninguém fez tudo isso, na minha opinião, claro que eu não posso julgar, não sou juiz, mas na minha opinião também têm alguma responsabilidade. Mas aguardamos a decisão do tribunal e depois também da nossa parte, da comunidade, vamos intervir e pedir justiça se não for satisfeita com a decisão do tribunal.

Falou com a família, entretanto?

Eu falei na semana passada com a esposa do Ihor. Naquela altura, ela disse que não teve nenhum contacto da parte dos investigadores de Portugal, só falou com o advogado dela e ela nem me podia explicar em que estatuto ela está neste processo. Portanto, ela ainda não fez nenhum pedido de indemnização por causa da morte do marido, mas capaz isso tem que ser feito depois do tribunal. Eu não posso comentar isto porque também não estou dentro do processo, mas achamos que ela também tem que receber algum apoio do Estado, porque ela ficou com duas crianças sem marido.

Até agora, ela não foi contactada nesse sentido?

Eu só posso comentar aquilo que falei com ela. Hoje, já depois de ter esta informação, de manhã, eu telefonei à esposa e ela disse que já foi contactada por um advogado e que se está a apresentar dela no tribunal e depois do julgamento, o advogado vai pedir indemnização.

Muito bem. A acontecer uma condenação neste caso, ela pode ser simbólica para os imigrantes ucranianos em Portugal?

Sim. Antes deste caso, em geral, havia poucos casos de comportamento dos polícias ou de trabalhadores do SEF contra ucranianos. Não seja que não foram com outros imigrantes. Quando aconteceu este caso, nós falámos com o cônsul que estava cá da Ucrânia e ele confirmou também que havia poucos recusas de entrada no território de Portugal a cidadãos ucranianos. Mas este caso é simbólico, eu acho que não é só para imigrantes, não só para ucranianos, não só para imigrantes, mas para toda a sociedade portuguesa, porque matar uma pessoa, seja imigrante, seja qualquer outra pessoa, é um crime fora do normal, fora de perceber e tal caso é muito grave para toda a sociedade.

Até porque até hoje há alguns pormenores que ainda não foram esclarecidos sobre este caso. Acha que esta acusação vai permitir que tudo isso seja esclarecido em tribunal?

Nós todos esperamos e precisamos todos que este caso seja esclarecido. Da nossa parte, por parte da nossa associação, acho que por parte de toda a comunidade, nós temos muitas perguntas que sem estas respostas não vamos parar. Claro que depois do julgamento, depois de ter a decisão do tribunal, se não for suficiente para nós, para as nossas perguntas, vamos continuar a fazer estas perguntas ao governo, ao ministro da Defesa, aos diretores do SEF e aos políticos cá em Portugal.