Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Está agora em direto ao telefone deste jornal das 10, o presidente do Conselho Nacional de Educação, Domingos Fernandes. Muito bom dia e obrigada por se juntar a nós. Pergunta muito aberta, logo aqui de início: como é que avalia o estado da educação em Portugal, sabendo que o senhor tem lamentado muito a falta de dados que existe sobre o setor da educação?

Com certeza. Muito obrigado por esta oportunidade. Nós, no Conselho Nacional de Educação, temos, como imagina, acompanhado as políticas públicas da educação desde sempre, é uma das funções do Conselho. E falando de uma forma muito geral, há algo que eu penso que é sempre importante referir e sublinhar. A sociedade portuguesa, os partidos, a vida democrática, as políticas públicas, quer do Partido Socialista, quer do Partido Social-Democrata e de outros partidos que participaram nos diferentes governos, contribuíram de forma decisiva para que Portugal hoje seja um país com uma educação que é incomparável com aquilo que se passava, nem é preciso recuar 50 anos, 30 anos. Isto é importante dizer-se, porque são instituições credíveis, nacionais e internacionais, que o reconhecem. Portanto, eu não vou agora massacrar os ouvintes com dados e estatísticas sobre o assunto, mas esse é um ponto de partida. Naturalmente que nós temos, e o Conselho Nacional de Educação tem vindo a sublinhar, um conjunto de desafios que são muito diversificados e que exigem das políticas públicas, seja qual for o governo que está a governar, exige uma assertividade e uma coragem até, para as levar para frente. Porque nós temos hoje um sistema que está numa fase, eu diria, de transição, e acredito nisso. Quer dizer, nós estamos numa fase de transição para poder colocar o sistema educativo português num outro patamar de qualidade, e este é um grande desígnio.

O que é preciso para a transição, caminhar para um ensino com mais qualidade? Para isso, nós temos apontado aqui algumas dificuldades, nomeadamente a falta de professores.

Exatamente. Essa é naturalmente uma questão que é preocupante, que tem gravidade, mas eu estou convencido que temos dados já que nos indicam que há pessoas mais interessadas em ingressar em cursos de formação de professores e há medidas que o governo tem vindo a tomar que podem contribuir para que esse problema seja resolvido. Não é resolvido de hoje para amanhã, certamente, porque nós temos também aí um problema que referiu inicialmente, o país precisa, e essa é uma questão a enfrentar, e o Conselho Nacional de Educação tem até uma recomendação nesse âmbito, que é a questão da falta de dados.

Sim, exatamente.

Nós, de facto, temos um problema de falta de informação e com isso, qualquer ministro, qualquer governo, terá sempre dificuldade em tomar as medidas mais adequadas, porque não conhece rigorosamente a situação.

O atual ministro tem assumido muito essa dificuldade. Domingos Fernandes, conseguimos fazer um balanço do que foi esta experiência, este primeiro ano de exames digitais? Houve dificuldades técnicas que não sabemos exatamente o que foram. Parece-lhe que é um caminho que Portugal deve continuar a insistir, a fazer?

Eu penso que é uma situação que se verifica já em muitos países, tem um conjunto de vantagens significativas. E a experiência em Portugal, eu conheço mal os detalhes, tenho ouvido. O que sei, para já, porque ainda é um pouco cedo, para se fazer uma análise profunda, mas aquilo que parece é que, de modo geral, quer dizer, ouvindo os diretores de agrupamentos e os professores, houve uma aplicação, uma administração das provas que se pode considerar genericamente positiva. Houve, de facto, também, algumas situações que têm de ser analisadas e a mim impressionou-me um pouco, mas isso vai ser com certeza clarificado, o facto do atraso da divulgação dos resultados das provas finais no nono ano. Penso que o próprio Ministério da Educação está a tomar medidas para perceber exatamente o que é que se passou. Portanto, eu penso que é um processo que vai fazendo o seu caminho e não me parece que tenhamos razões para dizer que houve qualquer espécie de cataclismo, muito longe disso. Quer dizer, eu em geral, por aquilo que sei, e enfim, ainda não sei tudo, não sabemos tudo, vamos com certeza aprofundar, mas por aquilo que parece, as coisas estão muito mais do lado positivo do que do lado negativo.