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Pergunto a ele então o que deu origem àquela situação, o que está definido em termos de transporte, de distribuição das vacinas, quem está encarregue do quê, no fundo?
Esta situação, quem está definido nas áreas da jurisprudência da Polícia de Segurança Pública, principalmente nas cidades, é a PSP. Mas sendo dado a uma força de segurança, o transporte deveria ser a GNR a fazer tudo. Isso torna-se inexplicável. Acho que não há necessidade absolutamente nenhuma desta situação. Isto tem sido recorrente, este choque, muitas das vezes, com as áreas territoriais, de qual a força que deve fazer, se deve ir à frente. Isto mais parece um show completamente para os órgãos de comunicação social. Isto não tem razão de existir. Ao longo dos anos, tem havido estes conflitos. Portanto, a única solução, embora nós vivemos num país com sistema dual, de uma força militar e outra força civil na área da segurança, isto de fato, estes pequenos conflitos que não têm razão absolutamente nenhuma de existir, volto a frisar, só acabaria com a fusão das duas forças. E de fato, não se justifica haver duas forças atualmente em Portugal, um país tão pequeno, com tanta falta de recursos, com tanta falta de elementos nas respectivas forças, em que a pirâmide está completamente invertida, ou seja, em termos percentuais, entram mais chefias, mais oficiais, em termos percentuais, do que a base da pirâmide. Não há necessidade destes conflitos. Isto tem-se verificado na Volta a Portugal, tem-se verificado nas fiscalizações da Unidade de Ação Fiscal, chamada antigamente Brigada Fiscal. Há sempre estes conflitos que nós vemos nas redes sociais, que não têm razão de existir. Eu gostaria de deixar aqui um alerta muito importante. Quando se transporta uma mercadoria de grande valor, uma mercadoria ou o acompanhamento a uma alta personalidade susceptível de sofrer um ataque, por exemplo, o presidente dos Estados Unidos, etc. Não é necessário o show off. Não é necessário dar muito nas vistas. Os transportes e as deslocações, em termos de modus operandi das forças de segurança em todo o mundo, é passares despercebido e fazer a segurança à entidade ou ao transporte sem dar muito nas vistas. Esta é a base fundamental da segurança. Tudo que ultrapasse isto, na questão das vacinas, dizem que é susceptível de serem furtadas, portanto, tem que haver uma segurança. Essa segurança deve ser completamente discreta. Não deve ser com quilombos ligados, sirenes. Mas para quê? Se a segurança é levar as vacinas em segurança para as várias cidades e para os vários hospitais do país, ela deve ser feita discretamente. E não tem sido o caso. Tem havido um aproveitamento, no fundo, que os políticos gostam, e que toda a gente se quer mostrar. Isto num país tem que acabar, porque volto a frisar, esta questão do transporte de uma alta entidade ou de uma mercadoria altamente valiosa, deve ser feita com a máxima segurança e com a máxima discrição.
Ou seja, neste caso, quer como aconteceu no sábado, quer à chegada da vacina ao centro de distribuição, como depois à distribuição pelos vários hospitais, é uma tarefa que cabe à GNR.
Foi atribuída à GNR. A GNR transportando uma carrinha de militares das operações especiais ou da unidade de intervenção, pode-o fazer perfeitamente, não há problema absolutamente nenhum.
Tem de ser essa a força da vacina que estabeleceu isso?
Não sei quem é que estabeleceu, mas o que é certo é que partiu de Coimbra e fazia-se isto sem alarido absolutamente nenhum, sem quilombos ligados e sem sirenes. Não há necessidade absolutamente disto. Isto faz-se discretamente, é aquilo que eu digo, a regra fundamental da segurança das altas entidades e do transporte de grandes valores é a discrição completa, é a máxima segurança com a discrição máxima. Esta é a premissa que deve ser utilizada em todo o mundo, não é só em Portugal, é em todo o mundo. É assim que deve ser. Não divulgar que vai ali aquele transporte, aquela coisa, para quê? Não há necessidade. A GNR tomou conta, se fosse a polícia, fazia o seu transporte. A GNR que mantém 94% do território nacional, foi-lhe atribuída certamente essa missão. Não sei porque isso foi para a própria entidade. Mas repare, o transporte de órgãos faz-se pelos elementos do trânsito. Hoje, os elementos do respetivo hospital distrital onde se retirou o órgão e transporta-se para Lisboa, para São José ou para o Porto, à mais alta velocidade e o mais rápido possível, na melhor segurança e transporta-se sem alarido absolutamente nenhum. Claro, tem que se ultrapassar às vezes e atingir velocidades que não são permitidas na lei para o órgão chegar em boas condições, mas não é necessário todo este alarido. Isso faz-se praticamente todos os dias o transporte de órgãos, que é uma missão importantíssima, e entra-se na área da PSP e às vezes até se pede ajuda à polícia. "Olha, desenrasca-nos aí para abrir caminho, porque de fato temos que estar o mais rapidamente possível", por exemplo, no Hospital de São José.