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Doutora, eu perguntava-lhe então: a autarquia fala numa situação caótica, já disse que teme uma situação semelhante à de Reguengos de Monsaraz. Qual é exactamente o ponto de situação?
O ponto da situação é que nós, neste momento, estamos com todos os utentes positivos, à exceção de quatro, de acordo com o último rastreio que fizemos na sexta-feira. Ontem é que recebemos os resultados. E a somar às 17 funcionárias que já tínhamos positivas, tivemos mais sete ontem. Portanto, neste momento, estamos com 24 funcionárias em situação de Covid positivo e na instituição apenas restam cerca de 10 funcionárias para prestar apoio aos idosos, sendo que nem todos eles têm categoria de profissionais.
Portanto, só para que fique claro, qual é o número total de utentes do lar?
63.
Muito bem. O presidente da Câmara faz também um pedido urgente de ajuda. Que tipo de ajuda é que é absolutamente necessária neste momento? É repor os funcionários que estão neste momento em isolamento?
Sim, neste momento a nossa maior dificuldade é ter mão de obra para prestar os cuidados directos a idosos, uma vez que eles são todos grandes dependentes e precisam de tudo, que lhes façam tudo. Ou seja, desde os cuidados de higiene aos cuidados de alimentação, aos posicionamentos. E é essa a nossa maior dificuldade, é ter profissionais que façam esse serviço.
Neste momento, neste fim de semana em concreto, têm 10 funcionários para quase 60 utentes. Como é que está a ser gerir esta situação?
Desde o início que temos aqui uma grande equipa, um espírito de equipa e um espírito de missão que é transversal a todos. Só não fazemos aquilo que não podemos. Mas o que é certo é que sentimos que a todo momento alguma de nós pode falhar e a situação fica absolutamente insustentável. É esse o nosso maior receio.
Teme que isso aconteça, que surjam mais casos e que a situação fique-
Exato, que surjam mais casos. A situação já é insustentável. Mas pode ficar ainda numa situação de gravidade muito grande.
Já receberam algum tipo de resposta a este pedido de ajuda?
Sim. Hoje, após a divulgação das notícias, tivemos aqui vários contactos de pessoas que querem ajudar, que se vão voluntariar. Há três delas que já cá estão na instituição, que já chegaram e que estão a ajudar, nomeadamente na administração das refeições. E tive já a confirmação por parte da Segurança Social de que amanhã chegarão seis auxiliares de ação direta e dois enfermeiros. Portanto, o nosso pedido foi ouvido e, a confirmar-se, é uma situação já muito mais estável e de grande ajuda.
Portanto, amanhã chega então este reforço.
Sim, vamos acreditar que sim. Quero acreditar que sim.