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E junta-se agora a nós a atriz Lídia Franco. Muito boa tarde, Lídia Franco. Agradeço-lhe desde já por se juntar a nós aqui na Rádio Observador. Começava por lhe perguntar como é que recorda a atriz Carmen Dolores.
Boa tarde. Eu recordo a atriz Carmen Dolores como um ser humano maravilhoso e único, que nos deixa também esse legado de humanidade, de dignidade. Como atriz, eu não perdia uma única peça de teatro em que ela entrasse. Eu conhecia-a desde quando eu era muito pequenina, porque ela trabalhou muito com a minha avó, que dirigia o teatro radiofónico da antiga Emissora Nacional. E deixa-nos também, entre tanta arte que ela nos deixa, tanto amor, deixa-nos também a maravilhosa obra da Casa do Artista. Não há nenhum artista, nenhum ator que não seja da família do coração da grande atriz, da grande pessoa que era Carmen Dolores.
Lídia Franco, o que é que deixa a atriz Carmen Dolores, não só para o teatro português, mas também para toda a cultura em Portugal?
Exato. Por exemplo, essa obra, a poeirarte da Casa do Artista, é uma obra importantíssima. Porque ela não só era uma grande artista, a qual podemos sempre recordar, embora não no teatro, evidentemente, que é sempre o principal para um ator, mas, por exemplo, o trato, a delicadeza, o amor, a compreensão, o pôr-se no lugar do outro, são exemplos que deixa para todos nós. Por vezes também falávamos ao telefone. A nossa família acabou por ficar muito ligada. E de fato, é um exemplo, é um grande exemplo do comportamento, da ética, da evolução de um grande artista que deixa a todos os artistas em Portugal.
A Lídia Franco estava aqui a enumerar qualidades da atriz Carmen Dolores. Gostava de lhe perguntar como é que era Carmen Dolores com os amigos, como pessoa, com a família. Como é que recorda também a pessoa Carmen Dolores, não tanto a atriz, mas também a pessoa?
Exatamente. Por exemplo, eu estava lhe a dizer que as nossas famílias acabaram por ficar muito próximas. E de fato, eu por vezes telefonava-lhe, pedia conselhos, mas sei que não era só eu. E acho que todos os meus colegas, acho que sem exceção, a recordam como uma segunda mãe para nós, não só na atenção que nos prestava sempre, sem exceção, quando nos aproximávamos dela ou quando ela sentia que nós precisávamos de alguma coisa, como também com o seu comportamento ético, sempre. No fundo, como pessoa, como artista. E era de uma delicadeza extrema. Sempre. Ela compreendia, o que eu estava a dizer há pouco, o que estava a tentar dizer, pôr-se sempre no lugar do outro, sempre com uma delicadeza extraordinária, que, aliás, se refletia na sua voz quando ela interpretava, mas sempre, evidentemente, através do que ela própria era. Como os atores são sempre uma mistura do que são com a personagem que incorporam, e pela voz dela se via o ser humano maravilhoso, absolutamente maravilhoso, que ela era.
A voz também aqui lembrada pelo encenador Carlos Vilela nesta reação que também deu ao Observador. Lídia Franco, só mesmo para terminar, perguntava-lhe: a Carmen Dolores foi também condecorada pelo Presidente da República, neste caso, em 2018. É de fato a confirmação de uma vida cheia e de grande importância para o teatro e para a cultura portuguesa.
Sem dúvida, e também Diogo Infante no Teatro Trindade. Deu o nome dela à sala do teatro. Todos esses gestos são importantes, são mais que merecidos e ajudam os mais novos, mesmo das próximas gerações, a investigar, de fato, mais sobre quem foi a grande, maravilhosa Carmen Dolores. Como exemplo, sempre como exemplo.