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Lua Afonso, bem-vinda à Rádio Observador.
Boa tarde.
Como correu este almoço com José Pedro Aguiar-Branco durante o dia de hoje e de que é que falaram?
Foi uma receção muito agradável. É uma pessoa que admirava muito e que acompanho sempre. Foi uma visita que correu bastante bem. Falamos sobre muitos temas, muito vastos, sobre a atividade dele e também esteve a explicar-me um pouco o percurso dele até chegar aqui e sobre muitos temas muito variados.
Como é que têm sido estes últimos dias? Esta carta enviada pelas professoras gerou muita atenção. Houve essa menção no discurso no 25 de Abril. Tem sido possível manter a agenda, que já deve ser apertada, entre aulas e tantas atividades?
Estes últimos dias têm sido desafiantes, mas com o apoio da minha família, dos meus professores, que têm sido também extremamente compreensivos, tenho conseguido manter as minhas obrigações, que têm de ser mantidas dê por onde der. Já tenho testes, já tenho competições, portanto, tenho que continuar a rotina e tenho conseguido dentro do possível.
Lua, como é que organiza o dia para ter tempo para tudo?
Ao início da semana ou no final da semana anterior, sento-me com os meus pais e tento analisar como é que vai correr a semana, eles ajudam-me sempre e a maioria das atividades são contínuas, todas as semanas é igual, portanto já consigo prever um pouco aquilo que vai acontecer. Depois as outras que vão surgindo, vai sendo um improviso e vou tentando articular aquilo que são as prioridades da minha semana e aquilo que preciso me esforçar mais naquele momento específico.
Para além deste gosto pelo espaço, pela NASA, e depois deste almoço com José Pedro Aguiar-Branco, Lua, a política poderá ser um caminho no futuro?
Não me comprometendo, é uma área que eu também tenho interesse. A atividade política, ainda não estou envolvida de uma forma como a maioria das pessoas associa à política ou a um partido político, por exemplo, mas a área da política interessa-me muito. Por exemplo, na área do associativismo, da intervenção social, e que eu acho que é uma parte da vida política que é igualmente importante.
Lua, com tão boas notas, com tanto sucesso em tantas áreas, acredito que sejas uma jovem com muitas ambições. Gostaria de perceber se Portugal é um país que consegue dar resposta às ambições de uma jovem de sucesso em tantas áreas diferentes.
Depende. Nalgumas áreas, como é óbvio, nós não temos a dimensão e a projeção que seria necessário, mas também não é esperado e não se exige isso de um país como o nosso. Por exemplo, no setor aeroespacial, estamos a crescer de uma forma bastante consistente, mas claro que ainda não temos a dimensão de uns Estados Unidos ou das grandes potências europeias, o que é perfeitamente normal. Portanto, não sei se ficarei por cá, se terei o meu futuro noutro país, mas é gratida até agora pelas oportunidades que o país tem dado.
De certeza que esta pergunta é repetida, mas há tempo para sair com os amigos, para ter outro tipo de atividades próprias de uma rapariga de 18 anos?
Há tempo para tudo, há tempo para ter amigos, há tempo para ter uma relação, há tempo para sair, para me divertir, para almoçar, para conviver, porque sem isso, acaba por também ser a base para todas as outras coisas serem possíveis e para eu conseguir continuar com a sanidade mental ou a predisposição que eu tenho para fazer tudo o resto. E depois dentro das atividades também, acabei por criar vários grupos de amigos que me acompanham, me inspiram e me ajudam a ser cada vez melhor em cada uma delas.