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A verdade é que, mais do que as palavras de Luís Montenegro, o facto político do Pontal é o regresso de Pedro Passos Coelho, porque foi Pedro Passos Coelho que ditou um padrão de comportamento político que consistiu em, durante uma crise, prometer que venceria a crise sem cortar salários, sem cortar prestações sociais, sem aumentar impostos, e que depois cortou tudo e aumentou os impostos, e que disse que os portugueses tinham de empobrecer e que o corte de direitos sociais tinha que ser permanente. O facto político principal do Pontal é o regresso de Pedro Passos Coelho, a sua presença a mostrar que o padrão será o mesmo. Luís Montenegro será a sombra desse Passos Coelho que disse que queria ir além da troika e que o programa da troika era em grande medida o seu próprio programa. E que nos vai ajudar a interpretar o comportamento e as palavras de Luís Montenegro, enquanto está na oposição, dizer que tudo é possível e que fará tudo pela melhor maneira, e depois veremos se um dia lá chegar para nos mostrar o seu verdadeiro programa. Portanto, o facto político do Pontal, o verdadeiro discurso político do Pontal é o regresso de Pedro Passos Coelho.

Portanto, aos olhos do PS, e questiono-lhe isso também, Porfírio Silva, esse passismo, o regressar do passismo poderá aqui ser visto pela negativa?

Na verdade, o programa político do passismo foi o programa de defender que a resposta à crise teria que ser o empobrecimento dos portugueses e que a resposta à crise tinha que ser o corte de direitos sociais, e que esse corte de direitos sociais tinha que ser permanente. O PSD hoje varia de discurso de um dia para o outro, de um mês para o outro, mas a verdade é que quando tiveram a oportunidade de mostrar um programa para o país, mostraram aquilo que significa realmente essa linha para o país. Nós, pelo contrário, entendemos, como temos mostrado em termos de governação, que respondemos a grandes crises, e ninguém duvidará de que a crise pandémica primeiro e depois a crise provocada pela guerra na Ucrânia, são desafios imensos, são realidades inesperadas, são circunstâncias que tocaram profundamente e de forma muito dolorosa a realidade do nosso país, a realidade dos portugueses. E a nossa resposta a essas circunstâncias, a nossa resposta a essas crises, é precisamente a contrária. Nós precisamos de preservar o rendimento das famílias, precisamos de preservar o rendimento dos portugueses, dos trabalhadores, dos pensionistas, e precisamos de apoiar a atividade económica, para que a atividade económica continue a ajudar o país a ir em frente, para que as empresas continuem a ter condições para enriquecer o país e para podermos continuar aquilo que, pela primeira vez, este governo de António Costa conseguiu, que foi uma série de anos consecutivos a crescermos mais do que a União Europeia, coisa que nunca tinha acontecido antes. E portanto, a nossa resposta é outra. E nós percebemos que o PSD regressa ao passado, mas nós vamos continuar com os portugueses este caminho de responder à vida concreta dos portugueses, à vida concreta das empresas e à necessidade de trabalharmos todos para seguir em frente.

Questionava-lhe também a propósito desse discurso de Luís Montenegro ontem à noite. Falou de uma espécie de estratégia nacional que o próprio PSD levará daqui adiante, falou das questões de baixar o IRS no quarto, quinto e sexto escalões. Falou também dos custos que essas medidas podem vir a ter. De que forma é que também o Porfírio Silva e o próprio PS olham para esta estratégia nacional avançada por Luís Montenegro, se isto é possível, não é possível?

Aparentemente, o PSD de Luís Montenegro quer começar a contar a história a partir do fim. O PSD tem sido contra o aumento do salário mínimo nacional. O PSD tem que dizer se agora já é a favor do aumento do salário mínimo nacional. O PSD tem que dizer se agora já é a favor de uma estratégia na concertação social para aumentar o salário médio, como o governo propôs e quer discutir com os parceiros sociais. O PSD tem que dizer se agora já é a favor do aumento extraordinário das pensões com efeitos retroativos. O PSD tem que dizer no que diz respeito, por exemplo, à energia e no que diz respeito à forma como encarou o mecanismo ibérico para travar o efeito do aumento do gás no aumento da eletricidade, se o PSD continua a estar do lado dos especuladores em matéria de energia ou se está do lado daqueles que querem travar o aumento dos custos da energia. O PSD não pode contar a história a partir do fim. O PSD tem que assumir as suas responsabilidades, não pode dizer à segunda-feira uma coisa e à terça-feira outra e tem que explicar como é que tudo isso que agora diz que quer encaixa em tudo aquilo que tem dito nos últimos tempos e que tem sido sempre contra, tem sido sempre a desfavor das medidas que o governo toma para contrariar os efeitos negativos da crise na vida dos portugueses e na vida das empresas.