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O Bloco de Esquerda considera que as medidas que o Governo tem tomado não são as adequadas para responder a esta fase da pandemia. Repetir as mesmas medidas do passado, quando neste momento as circunstâncias são diferentes, acaba por não demonstrar uma evolução de pensamento e uma adequação das medidas à realidade, ao momento, que deveria acontecer, na nossa opinião. Não nos parece é que a forma de contestar estas medidas seja colocando em causa a sua validade. Por um lado, porque é o Tribunal Constitucional quem deve determinar se elas são ou não constitucionais, não são partidos. E por outro lado, é retirar a discussão de onde ela deveria estar: se estas medidas são ou não as adequadas para a resposta deste momento pandémico. Na nossa opinião, dado que desde o início a bitola que avaliamos era a da pressão sobre os serviços de saúde, que neste momento não está numa fase aguda, nós consideramos que estas medidas não são as adequadas para o momento pandémico que estamos a assistir.

Então, na ótica do Bloco de Esquerda, quais seriam, em traços gerais, as medidas que deveriam ser tomadas neste momento?

O Bloco já disse no passado que, a par do reforço de testes, de forma muito mais direcionada que atualmente hoje existe, o que o Governo propôs foi uma possibilidade de testagem por iniciativa individual, quando nos parece que deveria fazer muito mais sentido uma testagem por setores de atividade, por presença de espaços de testagem junto de empresas, junto de zonas de muito fluxo, mais do que esperar a proatividade dos cidadãos. Esse é um dos problemas. E mais do que isso, algo que já deveria ter sido feito há muito tempo atrás, não só agora: o reforço dos profissionais de saúde. Veja-se o exemplo das equipas de rastreio de casos, que neste momento já estão com muita dificuldade para conseguir, em tempo útil, acompanhar o número de infetados, suas relações e com isso também servir como tampão à evolução da pandemia. Desse ponto de vista, as notícias que dão conta, por um lado, que o Estado não teve políticas para manter os profissionais de saúde e, por outro lado, que os profissionais de saúde estão a sair do SNS, demonstram essa falha da parte do Governo. E por último, a questão da vacinação, que no nosso ponto de vista, tem que ser acelerada e isso poderia e deveria ter acontecido se a capacidade de produção mundial de vacinas tivesse ocorrido debaixo de um levantamento de patentes e com uma capacidade de garantir que mais pessoas em tempo útil tinham acesso à vacinação. Grosso modo, são estas as medidas. Há mais, estas são as principais, que nos parece que são os pontos onde o Governo tem falhado neste contexto. E como se falhou na prevenção, se falhou na preparação para conter a evolução da pandemia, agora está a fazer-se uma corrida atrás do prejuízo e desse ponto de vista, a repetir medidas do passado, como as restrições de movimentos, recolher obrigatório à noite, etc., quando, na verdade, a consequência é a ação das mesmas medidas para momentos pandêmicos diferentes e, por isso, também com consequências diferentes, como se consegue perceber na evolução dos números.