Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Antes de mais, Luís Filipenses, começo por lhe perguntar: se lhe pedisse um resumo deste livro que aqui apresentou, de uma forma breve, também do que é que precisa a cidade de Gaia, o que me diria?
Precisa de muita coisa. Precisa primeiro de reabilitar tudo que se degradou nos últimos 12 anos. Estradas, escolas, bairros sociais. Precisa urgentemente de uma rede de transportes de primeiro mundo, não aquela que está pensada, não a que está a funcionar, nem a que está conceptualizada, mas uma rede moderna, que privilegie as prioridades que eu aqui defini, os movimentos pendulares trabalho-casa, casa-trabalho, o transporte escolar e também os transportes dentro das próprias freguesias, que não podem ficar dependentes do transporte de mais longa distância. Precisa de habitação, das 4 mil casas que nós nos comprometemos a construir nestes próximos quatro anos. Habitação a custos controlados para jovens, para a classe média. Precisa de novas vias de comunicação que façam com que o crescimento enorme da cidade nos últimos anos tenha resposta numa mobilidade mais fácil. Temos um conjunto de estradas previstas que vão, como outras que abrimos no passado, rasgar o município e, de uma certa forma, também ajudar na reconstrução da nova cidade. Era um município muito assente em estradas apertadas, em freguesias muito atrofiadas por essa mobilidade reduzida e, portanto, essas vias serão muito importantes. Precisa muito de apoios sociais. Na primeira infância, creches, nomeadamente. Na terceira idade, centros de dia, apoio domiciliário. O nosso objetivo é duplicar o apoio domiciliário em quatro anos. E depois precisa de muita cooperação com outros municípios da Área Metropolitana do Porto, para poder lançar grandes eventos que potenciem a visibilidade da cidade em Portugal, na Península Ibérica, na Europa, para captarmos mais investimento, criarmos mais emprego em zonas empresariais, não só industriais, mas também de serviços, que já temos pensadas e refletidas para muitas zonas do concelho, nomeadamente para o interior, onde existe muito espaço, muito território vago, onde os podemos instalar. Portanto, é um novo recomeço. Aquilo que fiz no passado tinha a ver com uma cidade que não tinha infraestruturas básicas. Saneamento básico, habitação social, vias de comunicação essenciais. Demorava-se a andar duas horas da Avenida do Freixo à Rábida, construísse a estrada de circunvalação. Mas é um novo capítulo. É um capítulo mais virado para os tempos atuais e para o futuro. Queremos uma cidade digital, queremos uma cidade que os senhores jornalistas estejam em qualquer ponto da cidade e tenham Wi-Fi, não precisemos de entrar numa pastelaria para ter Wi-Fi. Portanto, é uma cidade moderna do século XXI que queremos construir.
Disse há pouco que era preciso um safanão político ao país. Esta mensagem direciona-se a alguém em concreto, algum partido em concreto?
Eu tenho partido, sou muito coerente com o meu partido. Nunca enfrentei ou prejudiquei meu partido. Ao contrário, já fui prejudicado por pessoas do meu partido muitas vezes. Pelo doutor Rio, por exemplo, que obstaculizou uma candidatura a uma outra câmara. Eu nunca fiz isso, nem farei. O meu partido é o meu partido. Não tenho razões de queixa para me afastar. Posso ter convergências, posso ter divergências pontuais em relação a algumas matérias, mas a minha boa relação com os dirigentes do partido fará com que essas divergências possam ser discutidas no local próprio. Sou membro vitalício do Conselho Nacional do PSD. Portanto, é um lugar apropriado para eu, eventualmente, dar as minhas achegas. Sou apoiante do doutor Marques Mendes desde a primeira hora. Sou um indisciplinado disciplinado.
Falou ainda ali dentro sobre o TGV. Por que é tão crítico desta obra?
Não sou crítico da obra. Já não adianta muito. Acho que já não se pode fazer a obra andar para trás. Embora eu talvez preferisse um comboio pendular que não pendulasse tanto, fosse mais barato e que se investisse esses milhões noutro tipo de coisas. Bom, mas é assim, existem pressões da própria União Europeia, apoios da União Europeia, a vida é o quê? Agora, não significa que não se maximizem as vantagens do TGV. Acho que, por exemplo, a ligação a Madrid, que é muito importante para Portugal, e acho que algumas escolhas que estão indiciadas, que se forem corrigidas, todos ganharemos. Ter três estações de metro do TGV no Grande Porto, a 10 minutos umas das outras, porque o comboio não poder andar a mais do que a 30 ou 40 km/h, é algo que só um país muito rico se pode dar ao luxo. Aliás, era um país muito rico, normalmente não fazem dessas coisas. Portanto, são pequenas achegas que eu acho, por exemplo, o primeiro-ministro é um homem muito sensato e com muita vontade que o país ande para frente e algumas dessas achegas poderão ser ouvidas.
Na apresentação de ontem de Pedro Duarte à Câmara Municipal do Porto, a segurança foi o primeiro tema do projeto. Aqui, corrija-me se eu estiver errada, eu já dei uma olhada no programa e não vi a segurança muito abertamente. É um tema que aqui em Gaia não faz tanto sentido?
Já falei sobre segurança. E medidas, temos medidas. Eu reuni com a liderança metropolitana da PSP da GNR Identificámos os problemas. Eu tenho um bom historial de ligação com a PSP e com a GNR. Nos meus mandatos construímos quase todos os quartéis e postos da PSP. Existem alguns que precisam urgentemente de obras, por exemplo, o Arcuzelo ou Canelas. Portanto, temos uma boa ligação e uma boa cooperação. O meu foco neste momento está na cooperação da Polícia Municipal com as forças de segurança. E a senhora, no primeiro dia que eu tomar posse, vai ver a diferença nas ruas de Gaia. Vai ver que a Polícia Municipal não precisa de pôr cartazes a dizer que ela vai para a rua, vai mesmo para a rua, vai deixar de ter tarefas administrativas como hoje tem, que acho que pagar a polícias municipais para andar a passar multas de urbanismo não faz nenhum sentido. Vai vê-los no Jardim do Morro, vai vê-los nalguns bairros sociais, vai vê-los onde eles são precisos. Vai vê-los no trânsito, perto das escolas. A Polícia Municipal tem homens muito competentes e, portanto, o meu foco é maximizar a atuação da Polícia Municipal e a sua cooperação com a PSP e com a GNR. É evidente também que existem problemas de segurança em Gaia, mas não se comparam com aqueles que existem no Porto ou em Lisboa. São, felizmente, de outra índole e de outra gravidade. Mais vale atacar os problemas quando eles se indiciam, do que depois irmos correr atrás do prejuízo. Eu penso que temos preocupações com a segurança, vamos apostar muito na videovigilância, nomeadamente começando pelo centro histórico, onde há muito turismo e onde há muita movida. Vamos começar por zonas de maior pressão de putativa delinquência. E a videovigilância hoje é um instrumento absolutamente imprescindível. Vamos apostar muito na Polícia Municipal. Se for necessário expandir os quadros da Polícia Municipal, poderemos vir a fazê-lo. Mas acho que já o número de homens que a Polícia Municipal nesta altura tem, se forem utilizados de uma forma mais persuasiva e mais inteligente, já será uma mudança muito grande nas ruas de Gaia.
Pegando num tema um bocado mais nacional, que avaliação faz da lei dos estrangeiros que foi aprovada em Assembleia da República? E também perceber aqui em Vila Nova de Gaia, concretamente, de que forma é que este tema também está ligado aqui à cidade.
Eu não segui muito esse dossiê. Eu segui o que os senhores jornalistas escreveram, as polémicas com as avaliações da constitucionalidade, essa coisa. A ideia com que fico é que é uma lei mais ou menos equilibrada. Eu penso que é uma lei que compagina duas vertentes. Uma, somos um país de gente tolerante, que gosta de quem vem viver para junto de nós, que acolhe bem os imigrantes. Temos comunidades de imigrantes muito importantes. Aliás, neste momento os imigrantes é que estão a sustentar, por exemplo, a Segurança Social. Além de que existem muitas áreas da nossa economia que sem a imigração, pura e simplesmente, teriam que fechar. Nós infelizmente não estamos a produzir portugueses em quantidade, nem sequer é desculpa a imigração. Os portugueses têm emigrado, é verdade, não deviam ter emigrado tanto, emigraram por razões diversas, mas mesmo que todos cá ficassem, ainda seriam poucos para as necessidades do país. Portanto, precisamos da imigração. Essa imigração, para ser uma imigração que sirva o país, tem que ser uma imigração que tenha condições para ser recebida com dignidade, ter habitação, ter emprego, ter apoio social decorrente dessa integração plena na nossa sociedade, e não um país que abre as portas e entra toda a gente ao magote, não sabendo quem cá está, nem o que vai cá fazer. Que é o que aconteceu nos últimos 10 anos. Também acho que não chega a lei da nacionalidade. É preciso que um conjunto de instituições do Estado funcionem melhor. A AIMA, por exemplo. Eu acho que o governo devia reforçar brutalmente, pelo menos transitoriamente, a AIMA para limpar dossiês, porque como sabe, por exemplo, há situações de imigrantes que estão em centros de acolhimento. Se em três meses não tiverem uma decisão dos seus processos, ao fim desses três meses são colocados na rua. Ninguém sabe para onde eles vão, o que vão fazer, quem vai tratar deles, que tipo de atividade vão ter. Ora, não faz nenhum sentido que existindo uma instituição, que existe para resolver esses problemas, e principalmente devia resolver os mais agudos, esses que decorrem de pessoas que estão numa situação de transitoriedade, que precisam de decisão. Depois temos colônias de imigração fantásticas. Eu, por exemplo, tenho uma enorme admiração pela imigração dos países de língua oficial portuguesa em geral, dos brasileiros, que neste momento já somos o segundo país do mundo de acolhimento de brasileiros, a seguir aos Estados Unidos. Não conseguiremos ter tantos como os Estados Unidos, é evidente. Mas a seguir aos Estados Unidos já é Portugal o país com mais cidadãos brasileiros, que são na sua esmagadora maioria excelentes trabalhadores, que se integram muito bem. Também penso que deve haver uma abertura em relação aos países africanos de língua oficial portuguesa, em relação a timorenses e a angolanos, a moçambicanos, gente da Guiné, São Tomé. Esses devem, ao meu entender, ter prioridade. Mas não devemos fechar a porta a ninguém.
Uma última pergunta. É uma cara conhecida desta cidade, já liderou a Câmara durante muito tempo. Não acha que a cidade também precisa de novos protagonistas ou acha que um regresso faz sentido?
Depende. Se os novos protagonistas não prestarem para nada, não precisa de protagonistas. Eu sou sportinguista. Quando o meu clube vai comprar jogadores à Moldávia, à Ucrânia, não sei o quê, agora foi buscar uns tantos que nem têm cara de jogadores. Não é preciso jogadores novos, mais vale ficar com os velhos que lá estão. Na política é igual. Os novos protagonistas só interessam se tiverem qualidade e se vierem acrescentar alguma coisa. Eu na lista que apresento para a Câmara Municipal, tenho uma lista em que nos oito primeiros lugares, além de mim próprio, só há uma pessoa que repete. Enquanto que na lista que se opõe à minha, que é ao fim e ao cabo a lista da atual Câmara Municipal campeã de processos, nos cinco primeiros lugares, quatro são presidentes de junta que estiveram com esta maioria nos últimos 12 anos. E o quinto é um senhor muito respeitável, que já foi ciclista, um grande desportista. Certamente ficaria com o pelouro de desporto se ganhassem as eleições, o que não vai acontecer, mas do que houve, certamente que eu irei pedir-lhe conselhos sobre vários aspetos de desporto, mesmo ele não sendo eleito, como não é provável que seja.