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A minha primeira questão é se vocês concordam com este cancelamento dos festivais este ano.

Isto é uma decisão de saúde pública e irresponsáveis seríamos nós, ou seria o festival, se não concordasse com a situação. Os festivais são exactamente isto, são momentos para que as pessoas se possam divertir, conviver e socializar, e este estado em que estamos não o permite. Portanto, sem dúvida que faz todo sentido haver uma decisão em consonância com o estado pandémico em que nos encontramos.

E esta decisão vai prejudicar o festival, o futuro do festival?

Prejudica o presente. O futuro, cá estaremos para o ano, por isso inclusive já anunciamos as datas para o ano de 2021. Prejudica, sem dúvida. Estamos a falar de encargos muito elevados que já tínhamos assumido, mas cá estaremos para o ano para voltar a ter o Mealha Madriguas de novo em Vila Nova de Gaia, aqui no nosso país.

E já agora, quais são as datas que já estão previstas?

As datas são 16 a 18 de julho de 2021 e para a semana contamos começar a anunciar artistas, etc.

E vão manter parte do cartaz deste ano ou ainda não pode divulgar?

Sem dúvida que há interesse de alguns artistas em regressar. A nossa ideia é fazer sempre um cartaz o mais interessante e sempre uma edição melhor que a outra. Portanto, há com certeza artistas do cartaz que nos interessa manter. Há outros que se calhar vamos aguardar para poder fazer um upgrade ao cartaz. O mundo da música é um mundo muito variável, ano após ano, quer pela importância dos artistas, quer pelos novos trabalhos. Portanto, vamos aguardar também para dar espaço a outras oportunidades em alguns dos artistas que estavam confirmados para este ano. Mas sem dúvida que alguns dos mais importantes vão ser anunciados em breve.

E qual é que foi a reação dos artistas que já estavam marcados para este festival quando souberam desta notícia?

Esta notícia é uma notícia que já toda a gente esperava. No fundo, esta é uma situação que o mundo todo está a viver, não é só Portugal. Aliás, nós se calhar somos dos países que melhor temos respondido a isto. Os principais importadores e exportadores de artistas internacionais, estamos a falar dos Estados Unidos, estamos a falar de Inglaterra, estamos a falar do Brasil. Estes países estão a viver situações muito mais complicadas do que nós, portanto os festivais por toda a Europa já têm vindo a ser cancelados. Isto era algo que era esperado.

E de um ponto de vista financeiro, o que é que isto faz a uma empresa e como é que trabalha a questão dos cachês dos artistas, por exemplo? Vocês terão que pagar os cachês aos artistas ou isso fica sem efeito?

É dramático, porque os cachês são contratos de serviço que ou não são efetuados ou não devem ser pagos, mas o problema não são só os cachês. O problema é todos os custos que um festival e com a estrutura que nós vimos a trabalhar há um ano, uma série de custos que já foram assumidos e despendidos, de produção, de um sem número de coisas, e isso é que é o grande prejuízo do festival.

No entanto, estes problemas financeiros não vão prejudicar o futuro? Prometem um cartaz tão bom como o que seria este ano?

Não, nós prometemos um muito melhor. O Mealha Madriguas tem tido esta panóplia de surpreender ano após ano e para o ano queremos que seja melhor. Por isso é que vamos guardar as pérolas deste ano e vamos acrescentar mais algumas na próxima edição