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Contamos nesta edição com o Bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas. Muito obrigada por estar conosco. Já lhe vamos perguntar como é que essa coordenação está a ser feita, mas primeiro que tudo, que ponto de situação nos pode fazer sobre a devastação que encontrou e a falta de comunicações?
Muito boa tarde a si e a todos os ouvintes da Rádio Observador, eu a todos saúdo no momento em que a zona centro do país, particularmente na orla costeira, está a enfrentar dificuldades generalizadas de destruição, não só de floresta, mas de bens, de casas. É rara a situação de casas que não tenham perdido, pelo menos, parte do telhado ou que enfrentem situações de falta de luz, de energia, de possibilidade mesmo de locomoção, de água e todas as situações a ela ligadas, nomeadamente a falta de ligação. É por isso que um quadro completo, completo mesmo da minha diocese ainda não tenho, porque vou mandando mensagens que agora, pouco a pouco, vão filtrando quando há alguma ligação das redes e depois as pessoas procuram deslocar-se para responder.
Nessa altura, senhor D. José Ornelas, o que é preciso aí?
Olhe, já estão a chegar devagarinho algumas coisas. Tem aqui muita gente a trabalhar do país inteiro. Pelo menos a apreciação que eu faço, a coordenação da mobilização da segurança a vários níveis chegou aqui muito rapidamente. No mesmo dia, logo a seguir à noite fatídica do vendaval, já aqui concretamente, eu estou a viver aqui no seminário e quando cheguei cá, já estavam cá, porque este foi designado como um ponto logístico importante de assistência às brigadas de todo o gênero, de bombeiros, de Proteção Civil, de polícia, da Guarda Nacional e tantas outras corporações que estão cá e aqui têm refeições. Só para lhe dar uma ideia, hoje foram servidas aqui no seminário mil refeições. Não é o seminário que fornece, mas é o seminário que disponibiliza instalações. Há pessoas aqui a viver, etc. Digo isto para dizer o quê? Que, de facto, a ajuda a nível nacional chegou rapidamente.
E como é que está a ser coordenada? Porque amanhã é sábado, provavelmente algumas pessoas até podem estar a pensar ir para aí para dar uma ajuda, mas depois, às vezes, também há excesso de voluntários. Como é que tudo isso se coordena?
Isso há que contatar o município, concretamente este município, ou a Coordenação Nacional da Proteção Civil, porque não adianta muita gente. Nós temos aqui voluntários a trabalhar, mas já estão enquadrados. Há muitos voluntários, muitos jovens que estão aqui já a dar a sua contribuição, mas dentro de estruturas que já estão a ser organizadas. Agora, não sei se vale a pena vir muita gente simplesmente com boa vontade. Isso é preciso decidir com a Proteção Civil. Penso que é a melhor forma de responder. Segundo, concretamente a Cáritas Diocesana aqui de Leiria já abriu uma conta e também está a receber bens essenciais não perecíveis que possam ser colocados à disposição das populações necessitadas. Depois, há todo um trabalho, e eu digo com um certo orgulho dessa forma de ver a quantidade de homens, de profissionais e de gente com equipamentos para responder às necessidades. Concretamente, uma das maiores é a obstrução de estradas. As estradas principais dá uma impressão que já foram, de algum modo, agilizadas, mas é evidente que a multiplicação de estradas com a quantidade de árvores que há em cima delas, não se faz de um momento para outro. Mas esta gente tem trabalhado o dia inteiro, vem cá, dorme umas horas, come, toma um banho e isto é o que podemos dar, mas que continuam a trabalhar. Vêm desde o Alentejo ao norte do país.
Há um sentido de comunidade e há também a ajuda que vem chegando de outras zonas do país. Muito obrigada, D. José Ornelas, o Bispo de Leiria-Fátima, que esteve connosco.
De qualquer forma, toda a ajuda que saia, eu apelo, de facto, à solidariedade, mas também a uma solidariedade que seja organizada.
Exatamente, essa era a dúvida, não é? Porque às vezes há excesso de voluntarismo.
Sim, até porque chegar tantas vezes não é fácil. Há zonas, e quando eu digo isto, que aqui já começa a haver, sei que foram trazidos muitos geradores e parte da cidade, concretamente aqui de Leiria, para já daquilo que era um enorme destroço que estava no centro da cidade, já foi razoavelmente limpo, que já começa a haver eletricidade e onde há eletricidade há também água, mas isto é de uma forma intermitente e temos de pensar que isto não é um clique de Harry Potter que muda a situação. Mas há um trabalho empenhado e que se vê a funcionar, e isto dá-me gosto e energia para continuarmos este esforço.
Portanto, o melhor é mesmo procurar informação junto da Cáritas Diocesana de Leiria, junto da Câmara Municipal.
E eu estou para enviar um comunicado também em nome da diocese, com elementos desses, dos pontos de recepção de bens, porque já fomos contatados, estamos constantemente contatados por muitas pessoas, mas também aqui na diocese e pondo à disposição aquilo que temos para dar a conhecer e para colaborar na organização daquilo que está a cargo do município e dos municípios aqui à volta, porque não é só Leiria, é toda esta zona centro que está com esta calamidade às costas.
Senhor D. José, muito obrigado.
De nada. Obrigado pelo vosso serviço.