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Os reis Juan Carlos e Sofia com o Príncipe Filipe e a Princesa Letizia
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Felipe VI quis adiar o casamento, Juan Carlos quase morreu no Botswana. O que revela o novo livro de Pilar Eyre sobre a realeza espanhola

"Sucesión" reconstrói as polémicas dos últimos 20 anos da Casa Real espanhola, da tentativa de Felipe VI de adiar o casamento à queda de Juan Carlos no Botswana que quase lhe custou a vida.

A sensação de ler Sucesión, o novo livro da jornalista e cronista social catalã Pilar Eyre, é a mesma de espreitar pelo buraco da fechadura. A curiosidade ultrapassa o desconforto, mas é inevitável sentir, ao longo de várias passagens do livro, que alguns detalhes são demasiado (como o banho de espuma com detergente de loiça da infanta Elena depois da separação). A descrição de ambientes, diálogos, e até pensamentos — que a autora garante, serão “verídicos” — são como um mergulho na intimidade dos membros mais importantes e decisivos da Casa Real espanhola.

Mas ao contrário de outras obras, em Sucesión não há revelações bombásticas. Na verdade, é como se a cronista tivesse reunido todas as grandes polémicas das últimas duas décadas numa única obra romanceada. A partir das histórias já conhecidas — como as promessas de casamento a Corinna que revelou na biografia Eu, o Rei –, Eyre traça um perfil psicológico de cada membro da família real espanhola e os desenvolvimentos que resultaram na crise e na sucessão ao trono, que se deu em 2014. Entre os pormenores inéditos, traz uma nova versão para a queda no Botswana; reconta ao detalhe uma luta entre o avô e o pai de Letizia que terá ocorrido no dia do casamento com Felipe, em 2004; fala sobre um pedido do então príncipe das Astúrias para adiar o casamento diante dos atentados em Atocha; passa a limpo a estranha reverência que se revelou um pedido de desculpas de Letizia a Juan Carlos no funeral da irmã em 2007; e chega ao casaco sujo de lama que a Rainha ainda guardará intacto depois da visita a Valência nas cheias de 2024, o ano que assinala uma década de Felipe VI no trono espanhol.

A capa da edição espanhola da obra, da Planeta

A “verdade”, esta só quem viveu cada momento poderia confirmar. Mas Eyre diz que as histórias do livro resultam de 40 anos de trabalho que a fizeram conhecer a realeza “melhor” do que a própria família. O primeiro compromisso como correspondente real de Pilar Eyre foi em 1980, quando foi enviada por uma revista catalã para acompanhar um evento oficial de Juan Carlos e Sofía. Assume ao El País que foi a primeira e última vez que a Casa Real a acreditou como jornalista. “Foi a carreira mais curta de sempre”, ri-se. Desde então tem investigado a partir dos bastidores, e revelado de tempos em tempos alguns dos episódios mais sórdidos envolvendo a família real espanhola — como as 1500 amantes de Juan Carlos, número publicado no livro sobre a Rainha Sofía em fevereiro de 2012, dois meses antes da infame caçada em Botswana.

Nesta obra mais recente, os protagonistas são os quatro que figuram na capa do livro, mas o foco é mesmo na rivalidade de Juan Carlos I com Letizia, sendo que Corinna está muito presente. Ambas entram na vida da família real no mesmo ano, como recorda em entrevista ao podcast Onda Cero, mas a relação extraconjugal do rei só se tornou pública quase uma década depois — um período em que as polémicas de Juan Carlos pareciam ofuscadas pelo interesse da imprensa cor-de-rosa na então princesa das Astúrias. “Letizia sempre suspeitou que a maioria desses rumores partia do Rei Juan Carlos, precisamente para evitar o escrutínio público e poder fazer o que bem entendesse”, assume Eyre, ao HuffingtonPost espanhol.

King Queen Felipe Letizia

▲ O casamento de Felipe VI e Letizia, em 2004 -- um ano que assinala também a entrada de Corinna na vida de Juan Carlos

Tim Graham Photo Library via Get

É já no primeiro capítulo, na página 24, quando reconta o clima no dia do casamento real de Felipe e Letizia, que escreve também sobre um rei apaixonado. Recupera o já conhecido distanciamento de Sofía e Juan Carlos para descrever ao pormenor como ambos viviam em apartamentos separados por uma porta com código em Zarzuela e como, aos poucos, o então rei criou para a amante uma corte paralela: com um palácio, empregados, viagens e eventos extraoficiais que frequentava como “segunda esposa”. Eyre descreve ainda como o próprio monarca chegou a acreditar que um dia realmente poderia assumir a relação publicamente: “Asseguro-te que no futuro serás minha mulher diante do mundo”.

Depois de tornada pública, a relação de amor transformou-se numa disputa judicial, que acabou por expor ainda mais detalhes sobre a família paralela do rei. Do dia em que a rainha Sofía se cruzou com Corinna em Zarzuela às voltas de carro que teve de dar para que a amante tivesse tempo para deixar o hospital durante o internamento de Juan Carlos em 2010. Mas também do que se construiu ao redor deste romance: como o pavilhão de caça secreto em El Pardo, com elefantes e rinocerontes empalhados, e que terá custado mais de dois milhões de euros; ou as relações com figuras controversas da política internacional, de Vladimir Putin aos emires do Golfo Pérsico.

Foi, aliás, um desses príncipes, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, a receber Juan Carlos no autoexílio em Abu Dhabi. Eyre descreve como o primeiro Natal na ilha de Nurai, aparentemente solitário, foi celebrado ao lado dos “hermanos” árabes, que trouxeram uma nova amiga ao rei emérito: Cecília, uma brasileira de Florianópolis. Ao ESdiario TV, Pilar Eyre garante que Juan Carlos continua a ser acompanhado por jovens brasileiras até aos dias atuais. “Vi uma fotografia do rei há uns meses em muito boa companhia, em que ele aparecia com umas mulheres brasileiras, muito bonitas, jovens, e com coisas sobre a mesa, misteriosas, mas que revelam que está a passar muito bem”, diz a jornalista, completando: “Mas creio que ele nunca amou alguém como Corinna, foi o grande amor da sua vida”. Um romance vivido com tanto empenho, que culminou num momento decisivo para a monarquia espanhola e mudou o destino do rei.

Ascensão e queda em Botswana

Um pouco antes de embarcar para o fatídico safari que marcaria o início do fim para o reinado de Juan Carlos I, o rei estaria convencido de que conseguiria divorciar-se da rainha Sofía para se casar com Corinna. Pilar Eyre dedica quase dez páginas à reconstrução de uma reunião familiar que terá acontecido no restaurante madrilenho El Landó em março de 2012. Terá sido nesta ocasião — já dois anos depois do pedido de casamento formal que terá feito à amante — que o então rei disse aos três filhos, Elena, Cristina e Felipe, sobre as suas intenções. Juan Carlos chega mesmo a confirmar que falou com Mariano Rajoy sobre a possibilidade, de acordo com a versão de Pilar Eyre. A conversa, conta a jornalista, terá encerrado com a opinião contrária do futuro rei Felipe, que afirmava “não aprovar” a decisão por estar a “pensar nos espanhóis”.

O capítulo sobre a caça de elefantes no Botswana pode ser aquele que mais novidades traz. Numa mistura de versões da queda que resultou no regresso às pressas do safari em África para uma cirurgia de emergência em Madrid, e que obrigou a Casa Real a comunicar oficialmente a viagem secreta do Rei, a jornalista recria um novo cenário para o acidente. Mantém a queda acidental no meio da noite, confirmada tanto por Corinna no podcast de 2020 como por Juan Carlos no seu livro de memórias recente, mas adiciona uma camada a mais de drama. De acordo com Eyre, o monarca caiu sozinho e permaneceu desmaiado no chão por horas até ser encontrado por membros da sua equipa, já num estado de hipotermia. Mais: o médico pessoal do rei chegou a duvidar que chegaria vivo a Espanha.

▲ Juan Carlos criou uma corte paralela para Corinna, com palácio, empregados e viagens extraoficiais

Carlos Alvarez/Getty Images

Ainda na versão apresentada por Pilar Eyre, para impedir fotografias de curiosos, o rei terá sido envolto num plástico e em cobertores para ser levado da cabana ao helicóptero que o transportou para fora do acampamento. Durante a viagem de regresso, num avião privado organizado por Corinna, o rei terá pedido um copo de vinho — a gota de água para a “princesa”, que terá pedido ao piloto para fazer uma paragem na Suíça para que desembarcasse antes da comitiva seguir para Madrid. Eyre recupera o diálogo que já tinha contado em 2022, no seu blog no Lecturas. “Este avião vai diretamente a Madrid”, terá respondido o comandante. “Mas, e eu?”, questiona Corinna. “Pode ir à merda”.

Mas o pormenor que ainda não se sabia é que terá sido este episódio a motivar o rei a transferir os 65 milhões de euros para a amante. Na história que conta Eyre, antes do médico desconfiar de uma hemorragia interna e exigir o regresso imediato de Juan Carlos para Madrid, o monarca pediu para falar em privado com o empresário de origem síria Mohamed Eyad Kayali, que financiou o safari. Corinna terá encontrado mais tarde, no meio dos seus pertences, um bilhete a dizer: “Quando leres isto já terão depositado na tua conta 65 milhões de euros”.

No começo de outubro de 2026, Juan Carlos renunciou à tentativa legal de recuperar o valor transferido na altura, parte de uma fortuna que havia sido oferecida em 2008 pelo governo da Arábia Saudita. Para Eyre, em entrevista ao El País, o dinheiro não faz falta ao rei emérito, que, garante, terá muitas contas espalhadas por bancos internacionais. “Quando Juan Carlos morrer, as suas filhas serão duas das mulheres mais ricas da Europa. Ambas serão milionárias.”

A “loba” Letizia

Quase dez anos depois do casamento, o interesse da imprensa nas roupas, na forma física ou nas cirurgias estéticas de Letizia já não era suficiente para encobrir a vida que levava o rei. 2012 foi um ano de descobertas sobre Juan Carlos, no embalo das investigações já em curso a Iñaki Urdangarin e Cristina e o caso Nóos, iniciado dois anos antes. A popularidade da agora Rainha nunca foi muito alta, mas a “princesa triste” Letizia acabou por construir uma imagem mais sólida graças ao faro jornalístico, aponta Eyre, e o instinto de “loba”, para lutar contra os membros da família real que se revelariam, afinal, “tóxicos”.

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▲ Felipe VI, Letizia e as filhas, Leonor e Sofía

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A prosa quase sem pausas de Eyre é como o extravasar de pensamentos. Nas várias passagens em que menciona a Rainha, deixa no ar a hostilidade recíproca entre genro e nora. De acordo com a jornalista, Juan Carlos acha que Letizia fala demais, gesticula demais. Chega a mencionar que o rei terá dito que lá em casa “só se fala o idioma letizio”. Mas a opinião negativa espelhava-se também na rainha emérita, que considerava a mulher do filho muito magra e mal vestida — Eyre menciona um comentário do príncipe Pavlos, da Grécia, primo de Sofía, que terá dito que Letizia se vestia como “uma secretária”. Quando aborda a abdicação, a jornalista escreve que Juan Carlos terá questionado o filho sobre as intenções de Letizia, sugerindo que a sua mulher poderia ter conspirado contra o seu reinado. A roupa simples escolhida pela mulher de Felipe para o fatídico dia, na versão de Eyre, é prova da pouca importância que Letizia dava ao sogro.

Entretanto, quando teve a oportunidade de barrar a entrada de Letizia na família, Eyre aponta que Juan Carlos fez justamente o contrário. A cronista social descreve como o então rei se considerava progressista ao permitir que o filho seguisse com a união a uma mulher divorciada; e que o único detalhe na nora que não apreciava era o facto de ter sido jornalista. Já há muito que circulam histórias de que o príncipe terá ameaçado desistir do trono se não o deixassem casar-se com a mulher que amava, mas agora Eyre revela que, afinal, Felipe VI terá pedido ao pai que adiasse o casamento — um pedido negado por Juan Carlos.

Cerca de dois meses antes da cerimónia, em março de 2004, um atentado terrorista coordenado matou 193 pessoas em várias estações e comboios que circulavam por Madrid. Com o país em luto e uma investigação a decorrer, o então príncipe considerava que não havia clima para o casamento. A resposta de Juan Carlos, entretanto, foi negativa. O rei disse ao filho que diante do contexto, os espanhóis precisavam de “boas notícias”. “Somos como os palhaços de circo, apesar de termos coração, precisamos de fazer rir toda a gente”.

Eyre também traz detalhes novos sobre o vestido de casamento de Letizia, uma peça criada pelo conhecido designer de alta costura Manuel Pertegaz — conhecido por ter sido considerado para suceder Christian Dior. Na altura dos preparativos, a imprensa espanhola descreveu uma situação em que a princesa esteve aos gritos no atelier em Barcelona por não gostar do vestido. A versão da cronista da realeza, entretanto, é oposta: descreve Pertegaz como um “senhor idoso” a quem Letizia não era capaz sequer de dirigir a palavra. A noiva de Felipe terá feito apenas uma sugestão, através da cunhada, Cristina, a dizer que o decote com gola levantada lhe dava ares de “bruxa má do Oeste”. Ao vestir-se no Palácio Real no dia do enlace, já sem a presença de Pertegaz, a agora Rainha terá usado as próprias mãos para afrouxar a gola, deixando o decote menos rígido.

Cristina, aliás, era uma das poucas entre os Borbón com quem Letizia se dava. A cunhada terá acompanhado a futura mulher do irmão nas provas do vestido em Barcelona e dado dicas quando em 2005 ambas ficaram grávidas na mesma altura — Cristina pela quarta vez, de Irene; Letizia pela primeira vez, de Leonor. Também Felipe tinha uma boa relação com Iñaki Urdangarin, de quem se terá afastado no início de 2008, quando o cunhado terá pedido dinheiro emprestado para pagar as parcelas do palacete de Pedralbes, comprado em 2004. Na altura, segundo Eyre, Letizia já desconfiava dos negócios de Urdangarin, e insistia pelo afastamento do casal. Anos antes, já havia recusado hospedar os pais do cunhado em casa para a celebração do batizado da bebé Irene.

Na versão da cronista da realeza espanhola, o evidente isolamento de Felipe e Letizia foi moldado ao longo das últimas duas décadas especialmente pelas posições fortes da Rainha. Distanciou-se das polémicas do sogro e dos cunhados por princípios, mas da sogra por sobrevivência: nos bastidores, Eyre relata o sentimento de Letizia de ter as próprias filhas ignoradas pelo núcleo duro da família. Cita a tradicional fotografia após a missa da Semana Santa em Palma de Maiorca, especialmente a do ano de 2008, em que Felipe, Letizia, Leonor e Sofía “eram como quatro náufragos perdidos em alto mar”.

O futuro da coroa

Apesar de representarem o futuro da coroa — e serem efetivamente as sucessoras — a primeira menção a Leonor e Sofía vem quase a meio do livro, precisamente na página 147. As jovens serão mesmo o orgulho de Letizia, que terá feito o possível para que crescessem num ambiente familiar “normal”, apesar de não perceberem o motivo das outras crianças não terem seguranças na escola ou nunca terem entrado num El Corte Inglés. Entretanto, é também por causa da mãe, de acordo com a versão de Eyre, que as irmãs foram criadas o mais longe possível dos outros membros “tóxicos” da família real. E isso inclui a avó Sofía.

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▲ O dia em que Leonor fez 18 anos e jurou a Constituição, em 2023

POOL/AFP via Getty Images

A cronista da realeza dedica várias páginas a recontar um dos episódios mais mediáticos da família: o vídeo da missa de Páscoa de 2018, quando Letizia interrompeu de propósito uma tentativa da rainha emérita de tirar uma fotografia com as duas netas. Não há muito o que especular, as imagens que circularam o mundo falam por si. Mas Eyre traz os detalhes que anteciparam o momento e fala num distanciamento que terá motivado a rainha Sofía a desejar ter um retrato sozinha ao lado das meninas. “Tenho medo que qualquer dia apresentem-me duas adultas e digam que são as minhas netas”, terá dito a emérita ao marido, numa rara conversa civilizada entre ambos.

Ao mesmo tempo, a jornalista catalã também conta como a presença de Juan Carlos naquela ocasião foi uma exigência do filho, por “patriotismo”, e a pedido da rainha emérita; e como o rei emérito partiu em velocidade cruzeiro, com a ajuda de uma bengala, assim que a missa terminou. “Um último esforço e já estarei no aeroporto”, descreve Eyre, como se lesse os pensamentos do rei. Entretanto não terá sido apenas Letizia a responsável pelo distanciamento. Eyre descreve uma conversa entre Juan Carlos e Felipe VI, que antecedeu o anúncio do Rei de que iria renunciar à herança privada, em 2020. “Tenho que me desmarcar de alguma maneira. Por mim e por Leonor“, terá dito Felipe, diante das polémicas relacionadas às finanças do rei emérito.

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▲ O casal real numa visita em Paiporta, depois das cheias em Valência

Anadolu via Getty Images

Eyre escolhe o episódio das cheias em Valência, em 2024, quando Felipe VI e Letizia caminharam por entre gritos de “assassinos” nas ruas cheias de lama de Paiporta, para encerrar o livro. Conta que demoraram cinco dias para visitar o local da tragédia por ordens do Governo, que alegava que o casal real não podia ir até ao terreno enquanto continuasse o clima de hostilidade contra as autoridades espanholas. Contudo, em Zarzuela, terá sido Letizia a insistir. “Não quero ser uma Eugénia de Montijo a visitar doentes com um lenço a proteger a boca de dentro de uma carruagem”, terá dito a Rainha. Já o Rei assinalou que o episódio poderia ser o seu 23-F, uma referência à tentativa de golpe de Estado de 1981 rejeitada pelo pai.

O contacto com a população num momento de tanta comoção terá sido determinante para ambos, assinala Eyre. Regressaram a Madrid com as roupas sujas de lama. Primeiro pelos protestos de quem passou tantos dias com um sentimento de abandono; depois pelos abraços sentidos e sinceros que os Reis distribuíram. Um dia tão determinante, na visão de Pilar Eyre, que se materializa numa peça de roupa: o casaco que Letizia se recusou a lavar. “Vou levar ao Museo del Traje e vou exibir no lugar do meu vestido de noiva”.

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