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Boa tarde, Álvaro Covões. Importa saber uma primeira reação sobre esta decisão do Conselho de Ministros de adiar ou de impor esta data de 30 de setembro para proibir a realização de festivais em Portugal.
Não é uma boa notícia, mas na sequência da reunião que tivemos recentemente com o governo, em que obviamente tanto os organizadores dos festivais como o governo, o que puseram em cima da mesa é que idealmente os festivais, até pela força económica que representam para o país, deveriam acontecer. Mas que obviamente poderíamos tomar uma decisão contingente a partir do momento que as autoridades de saúde entendam que ajuntamentos de pessoas não devem acontecer em determinados períodos. E, portanto, sendo uma decisão de saúde pública, nós em primeiro lugar temos que defender a saúde dos nossos espetadores, a saúde dos artistas, dos nossos colaboradores, e não pensar apenas somente na atividade económica, mas temos que aceitar. Isto ainda vai à Assembleia da República, portanto, vamos ver a decisão final. Tudo indica que este ano não vamos ter festivais em Portugal.
Era isso que lhe ia perguntar, tendo em conta que pelo menos agora temos uma data, 30 de setembro. Perguntava-lhe também se isto significa que há plano B, ou seja, adiar para depois de setembro ou fica tudo adiado para o próximo ano?
Nós tínhamos plano A e acendíamos o abajur quase todo. Estamos a trabalhar nesta pandemia ou nas implicações que a pandemia podia ter na atividade já há cerca de três meses. E temos um plano, que é adiar a 14ª edição, neste caso, para 2021. No caso do Nós Alive.
Relativamente ao cartaz da edição deste ano, faria a transposição para o próximo ano ou sofreria alguns reajustes?
No nosso planeamento está falar com todos os artistas e ver se conseguimos, uma vez que vamos reagendar a 14ª edição, que não acontece em 2020, e acontece em 2021. Obviamente, ainda para mais, como muitas pessoas queriam assistir ao festival com o cartaz que apresentámos este ano, portanto, vamos trabalhar no sentido de tentar replicar ao máximo, se não tudo, o mesmo cartaz. Mas é um trabalho que vamos começar agora. Não podíamos fazê-lo sem ter uma indicação clara das autoridades relativamente à realização ou não dos grandes eventos. Mas atenção, há aqui uma ressalva, ainda não foi aprovado, tem que ser aprovado em Assembleia da República, porque é uma proposta de lei. Mas quer dizer, da mesma forma que nós não nos podemos opor, porque aquilo que está em atitude está a saúde pública, também não acredito que esta proposta não seja aprovada em Assembleia da República.
Relativamente a esta previsão de uma emissão de um vale de igual valor ao preço do bilhete, há algum pormenor ou é tudo?
Isto tem sido a política. Nós estamos na Europa, na União Europeia, e a generalidade dos países da Europa, sempre que proibiram a realização de grandes eventos até um determinado período, para sustentabilidade do próprio setor, criaram também a substituição do bilhete por um vale, que pode ser utilizado até finais de dezembro de 2021. Que Portugal já adotou isso, à semelhança também dos outros países europeus ou de grande parte deles, no setor das viagens. Portanto, aqui é exatamente a mesma situação que aconteceu com as viagens. E países como a Bélgica, como a Alemanha, um conjunto de países da Europa, também proibiram os grandes eventos e criaram um vale para quem tinha adquirido o bilhete, que pode ser utilizado até 31 de dezembro de 2021.