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Resposta pronta aqui na Rádio Observador. Estou com o Nuno Fachada, que foi director clínico do Centro Hospitalar de Setúbal. Doutor, mais uma vez muito obrigado por estas declarações à Rádio Observador, numa altura em que o Primeiro-Ministro Luís Montenegro permanece internado desde a 13h00 no Hospital de Santa Maria. Há momentos vimos já palavras do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a dizer que o Primeiro-Ministro está bem. O prognóstico do próprio hospital é favorável. Poderá ainda ter alta hoje, mas antes de tudo, questionava-lhe: que procedimentos, não só em termos de rapidez e também de formalidade, é que um hospital deve ter em casos como figuras de Estado, o Presidente da República, mas concretamente Primeiro-Ministro?

Eu também acabei há poucos minutos de ter essa informação. Como qualquer outro cidadão, uma pessoa que apresente sintomas do gênero daqueles que a comunicação social disse ter havido, um desconforto após uma situação de grande estresse, é normal que haja uma vigilância e que sejam efetuados exames de diagnóstico que excluem uma patologia mais grave, nomeadamente cardíaca. Penso que, pela informação que tive, fizeram aquilo que deve ser feito, medidas de segurança, mas que muito provavelmente, pela informação que deram, foi mais o receio do que a realidade. Pelo menos foi aquilo que me chegou. De qualquer maneira, deve haver alguma contenção em relação à exploração desta notícia, porque é frequente haver este tipo de situações e portanto estar a explorar em termos de especulação e mesmo de aproveitamento político, seja num sentido ou noutro, não é uma coisa muito favorável.

Era mesmo isso que eu lhe ia questionar, doutor, porque muitas vezes e em casos anteriores, por exemplo, com Marcelo Rebelo de Sousa, vemos o próprio presidente quase a dar um relatório daquilo que ocorreu. E muitas vezes o hospital, o centro hospitalar demonstra essa tal contenção naquilo que manda cá para fora. A pergunta que eu lhe coloco é: de que forma é que os hospitais, e neste caso o Hospital Santa Maria, deve comunicar este internamento, neste caso do Primeiro-Ministro?

Não sei se foi internamento, se foi uma situação de avaliação clínica, isso não é propriamente um internamento. Deve haver, como eu digo, a entidade responsável pelo hospital, e julgo que terá feito seguramente alguma contenção de dados e da publicitação da informação clínica. Seguramente. Portanto, a ida ao hospital do Primeiro-Ministro encontrou-se numa situação que pode acontecer. O que não é normal depois é aquilo que se pretende extrair do mesmo. Seja no sentido de especular no sentido de algum agravamento ou de não agravamento, ou de evocar a compaixão e a pena das pessoas em relação a essa situação. É isso. Recordo-me aqui há uns meses, quando Donald Trump teve um atentado em que foi ferido na orelha. Digamos que esse ferimento da orelha parece que foi quase que divino para a reeleição. De maneira que aproveitamentos políticos deste tipo de coisas é que não devem ser.

Nuno Fachada.

Basicamente é isso que eu gostava de dizer.

Muito obrigado por esta entrevista à Rádio Observador e bom fim de semana.