Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Peço-lhe então uma reação a estes números, ao maior número de alunos colocados numa primeira fase no ensino superior.

Estes números significam uma enorme responsabilidade para o ensino superior. Este é um setor que tinha sido condenado quase a um declínio, porque as pessoas consideravam erradamente uma ligação com uma regressão demográfica, não atendendo aos problemas de qualificação que Portugal tem face à restante Europa e face à OCDE. Nós ainda temos um longo caminho para cumprir em termos de qualificação e é muito importante que os nossos jovens adultos tenham assimilado aquilo que é a importância da qualificação para o seu futuro. Esperemos também que outras camadas da população possam abrir este movimento e que nós possamos ter um ensino superior mais forte. Agora, obviamente que daqui resulta a exposição daquilo que é a estratégia de desinvestimento do superior, com um grande subfinanciamento. Nós temos grandes desafios do ponto de vista das infraestruturas, tivemos uma enorme desvalorização da qualificação avançada, temos uma cada vez maior degradação do ponto de vista da contratação dos professores e temos agora, ainda para mais, um desafio do ponto de vista da saúde pública, em que nós estamos especialmente preocupados com as pessoas com condições de saúde mais fragilizadas numa classe docente absolutamente envelhecida. E, portanto, esta responsabilidade agora obriga a um investimento e a uma concentração com uma enorme responsabilidade da parte de todos, para que possam existir condições e que se não defraudem as expectativas destes milhares de alunos que entraram agora e a quem gostaria de dar os parabéns e serem bem-vindos ao ensino superior.

Em relação ao contingente para alunos com deficiência, foi também um número, não sei se recorde, mas pelo menos em relação aos anos anteriores, foi um número recorde, foi um aumento de quase 40% em relação ao ano passado. As universidades, os politécnicos estão preparados para estes alunos, quer em termos de infraestruturas, quer mesmo ao nível da oferta de educação, do ajustamento dos conteúdos?

Eu penso que isto trata-se de um enorme desafio para um setor que está muito paupérrimo e que tem muitas dificuldades do ponto de vista dos edifícios e das suas condições. Houve um esforço para adequação às pessoas com necessidades especiais, mas a verdade é que isto significa algo num sistema que tem muita tensão. Nós temos muitas dificuldades do ponto de vista de financiamento. As universidades sofreram um corte brutal no seu financiamento de 30% há alguns anos e ainda não recuperaram desse corte profundo de 30%. Portanto, nós estamos a falar de um setor subfinanciado, em que esse aumento do número de alunos com necessidades especiais, obviamente vai criar um esforço acrescido que teremos de ver como poderá ser ultrapassado, porque é um esforço enorme, inclusivamente da parte dos professores, e para conseguirmos um regime de equidade com os demais alunos.

O facto de termos tantos alunos colocados nesta primeira fase deriva também um pouco da situação atípica deste ano, da pandemia, do facto de ter sido só um exame. Não teme que seja difícil também para muitos alunos agora permanecerem no ensino superior devido às condições económicas que o país agora atravessa, devido à pandemia?

Não, não considero que seja fácil e por isso é que volto a salientar a principal mensagem da responsabilidade. Defraudarmos as expectativas destes alunos é defraudarmos o país. Nós conseguimos demonstrar que de facto é possível e é necessário mais ensino superior e é necessária mais qualificação. Agora existe qualidade. Existe qualidade do ponto de vista das infraestruturas, existe qualidade do ponto de vista da contratação dos professores, existe qualidade do ponto de vista da questão do funcionamento da ação social escolar e daquilo que é a sua oferta. Não é com anúncios de propaganda, que depois não se concretizam, que nós poderemos ter um ensino superior de futuro. É profundamente errada esta estratégia do ministro Manuel Heitor de anunciar 4500 camas que de facto depois não se materializam e que são apenas um acordo vago com alguns operadores da área da imobiliária e dos alojamentos locais. De facto, aquilo que está implementado não vai dar uma resposta às famílias e vamos ter um ano com uma pressão imensa. Da mesma forma, as lógicas de ensino à distância, etc. Defraudar as expectativas destas pessoas significa conduzir para um abandono escolar. Eu penso que esse será o principal desafio no ensino superior neste momento, será a questão do abandono escolar. Nós poderemos ter um abandono escolar como nunca vimos e alunos que sentem que este não é o ensino superior em que se queriam inscrever. Portanto, mais do que nunca, existe uma enorme responsabilidade e precisamos de ter ministério que afronta aquilo que tem de ser colocado e consegue de facto dar meios às instituições para respondermos a uma situação que ainda por cima é de uma situação de dificuldade do ponto de vista da saúde pública e do ponto de vista da crise económica que as famílias estão a atravessar. Exige-se a maior solidariedade com essas famílias.