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Carlos Alberto Cruz, do Movimento de Moradores do Bairro Amarelo, ontem vieram a público declarações da autarca de Almada, em que esta se refere ao bairro como um local maravilhoso, com uma vista incrível. Que comentário lhe merecem estas palavras da presidente da Câmara?

De facto, ela não está a mentir. Existe uma vista privilegiada daquele ponto mais alto da cidade. Desse bairro podemos avistar Lisboa em todo o seu esplendor ou avistar o sul de Almada e dos outros concelhos. Nesse aspeto, ela poderá ter razão. Agora, eu não sei se a senhora, de facto, poderia estar assim tão à vontade para viver dentro do bairro. Isso é que é um bocadinho mais difícil de acreditar.

Acha que a presidente da Câmara não está por dentro das condições do bairro?

Não está. A questão é: quem vive lá há 32 anos no bairro? Isso é um bairro que tem à volta de 30 e tal anos. Eu vivo lá há 33. O bairro é o bairro. O bairro foi muitos anos votado ao desprezo pela própria Câmara, quer nesta vereação, quer na anterior vereação. Foram lutas muito grandes para se fazer alguma coisa. Isto tem mais a ver com o IHRU do que propriamente com a Câmara, porque o próprio bairro não é património da Câmara. O IHRU é quem responde por toda aquela situação que ali se vive e estamos a falar da habitabilidade, da forma como o IHRU tem feito obras ou não, da forma como se deviam fazer coisas novas para melhorar toda a requalificação daquele bairro, porque o bairro está todo votado ao abandono. Tem uma cicatriz que se chama a chaga social. Está demarcada por isso.

No entanto, falava-me de uma promessa eleitoral que nunca foi cumprida.

Sim, pois esta vereação prometeu intervir. Quando falo em vereação, falo no Partido Socialista e falo no PSD. Obviamente, eles para entrarem naquele bairro, só podem entrar com uma questão eleitoral, que é intervir no bairro, tentar melhorar os aspetos negativos que o bairro tem. Mas isso não foi feito. Eu postei aqui no Facebook há coisa de dois meses, todas estas barreiras de acessibilidades ao bairro, o mundo parou aqui. Era ervas por todo o lado, invadiram metros e metros quadrados de áreas pedonais, cheias de ervas, lixo por tudo quanto é lado, passadeiras que não estavam marcadas. Nada. Esta vereação estagnou em relação ao bairro. O contrário se vinha a notar na anterior vereação, em que havia uma intervenção e fizeram alguns melhoramentos no bairro, em termos de acessibilidades à escola, de proteções às escolas que existem perto do bairro, mas esta parou. A consequência é negativa. Aliás, eles prometeram que iam fazer isso. Isso de prometer é uma questão, porque isto é propriedade do Estado e o Estado tem uma quota-parte dessa responsabilidade. Agora, no que respeita à higiene e limpeza, isso tem a ver com eles, tem a ver com esta vereação. No mínimo, tem a ver com essa. Isso não foi feito. Mas se formos falar em áreas quadradas de ambiente, este bairro todo tem coberturas enormes de ambiente, não tem outra forma de estar, e são extremamente expostas ao tempo. Falamos do quê? A presidente quer vir para aqui morar. Eu não estou a ver a presidente aqui morar. Aliás, porque ela diz que defende as coisas de uma forma, ela pode defender o que tem que defender na Câmara. Tem que alterar a situação para viver no bairro, penso eu. Ela não vai de armar a pobrezinha. Ela não tem esse estatuto, ela não é nenhuma pobrezinha para viver aqui no bairro. E se ela vivia só por questões de vista, então leve lá a vista, leve o que ela quiser, leve a vista para lá e vá lá ver e vá lá resolver os problemas do bairro. Coisa que ela não vai fazer, nem nesta vereação, nem noutra vereação. O que eles andaram a fazer foi arranjar formas e meios junto dos bairros sociais aqui do concelho, de tentar arranjar algumas pessoas na habitação, em que eles são os responsáveis, fazer um inquérito para ver se as pessoas têm ou não dinheiro para pagar mais rendas. Não há forma de fazer mais nada, porque eles não têm feito mais nada e eles não estão a fazer rigorosamente nada dos bairros. Isto é tudo uma falácia.