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Junta-se a nós agora em direto ao telefone Bruno Pereira, que é o porta-voz da plataforma que junta as associações e os sindicatos que representam as forças de segurança. Bruno Pereira, bom dia, revê-se no ultimato que é feito nesta carta?
Bom dia e muito obrigado pelo convite e a todos lá em casa que nos estão a ouvir. A carta é mais uma carta não subscrita ou subscrita pelo anonimato. Portanto, vamos dar-lhe o crédito e o valor que devemos dar, até porque não sabemos no limite se foi redigida por um próprio polícia e não sabemos até que ponto, temos que girar ao volta dela, tem aqui intenções e envies.
Admite que esta carta não seja escrita por nenhum elemento das forças de segurança?
Tendo em conta que não há subscrição formal de um nome, que não tem cara, mais ou menos ficamos sempre na dúvida e devemos pelo menos ter o cuidado de lê-la com a devida reserva e com o devido cuidado. Exatamente porque já várias outras houve ao longo de semanas de protesto, alertando e alimentando formas ou comportamentos pouco admissíveis ou pouco toleráveis por parte de um polícia, que deve ter um comportamento exemplar, e nenhuma delas, em momento algum vimos que o polícia ou os polícias deste país não souberam honrar os seus compromissos e aquilo que são as suas incumbências e deveres. E portanto, queria alertar e ter algum cuidado, até porque este próprio alerta vem um bocadinho fora de tempo, tendo em conta que vamos ter uma reunião dia 22, na próxima segunda-feira, com a senhora ministra, onde espero verdadeiramente que isso seja trazido para cima da mesa, não uma discussão à volta do valor, mas uma discussão à volta daquilo que será o plano de ação para restabelecer a justiça e dar respaldo àquilo que foram as várias dezenas de intervenções e de vinculação, também do senhor agora primeiro-ministro, mas de todos os demais líderes parlamentares, líderes políticos e também do senhor presidente da República. Portanto, vamos olhar para essa carta como alguém que vem criar aqui um aumento adicional de pressão, mas como digo, e com a devida cautela e previdência, temos que ter cuidado porque não sabemos verdadeiramente se terá alguma ligação a qualquer movimento orgânico, seja ele o zero, inócuo ou qualquer outro.
E se tiver alguma ligação, pode até prejudicar esse encontro que está marcado com a nova ministra da Administração Interna?
Ele nunca prejudicou, ou quase nunca prejudicou, durante semanas de protesto, porque a plataforma soube sempre encarar esta luta com elevação. A plataforma e os polícias deste país sempre souberam comportar-se de forma quase impoluta, quase inatacável. Portanto, creio que seja apenas ruído e, acima de tudo, espero, porque não espero sequer ter a necessidade, de voltarmos a deliberar sobre formas de protesto, porque seria sinal, ou pelo menos rogaria que houve bom senso por parte deste governo em resolver esta questão, na medida em que os polícias esperam que seja resolvida, e para a qual a plataforma alertou durante o dia de ontem que esperava que o ministério apresentasse já na próxima segunda-feira, verdadeiramente o seu plano de ação, não tanto quanto ao valor, porque isso está inquestionavelmente assumido e firmado, quanto aquilo que é a forma justa e igualitária com que os polícias das forças de segurança devem ser tratados, mas antes relativamente à forma, no tempo, como essa solução pode ser materializada.
Ou seja, para esse dia 22, isto é já na próxima semana, o que espera do governo não são só intenções, espera já um plano concreto com datas e com valores.
Para discutir nada, já tivemos a última reunião, que serviu acima de tudo para a apresentação de cumprimentos. Portanto, espero que seja uma verdadeira reunião de trabalho, exatamente para passar uma mensagem que permita apaziguar verdadeiramente e de uma vez por todas o âmago dos polícias da PSP e dos militares do GNR. De outra forma, acredito e não tenho a mínima dúvida que isso poderá alimentar e dar força a esses tais movimentos inorgânicos, que se alimentam exatamente da discórdia, do mal-estar e da tristeza que até hoje tem vindo a reinar nas fileiras destes profissionais, mas que ainda assim não extravasou o limite das linhas vermelhas.