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Já tem ideia das prioridades que vai apresentar nesta candidatura?
Olá, muito boa tarde. Em primeiro lugar, muito obrigado pelo convite. Tenho ideias claras do que vamos apresentar nesta candidatura. Eu sou um portuense, alguém que vive na cidade, que cria a sua família na cidade e portanto conheço muito bem os desafios que a cidade hoje tem. Nós, enquanto portuenses, temos hoje novos desafios. A cidade cresceu, tem uma nova dinâmica e isso fez com que novos problemas surgissem. E nós temos que ter uma capacidade de olhar para esses problemas e lhes dar uma resposta concreta. Dou alguns exemplos: a questão da segurança. Nós hoje temos, na nossa cidade, gente que vive com medo de circular na cidade. Temos gente que vive com medo de poder fazer coisas tão simples como sair à noite passear o cão, coisas tão simples como isso. E isso acontece por um motivo muito prático. Durante anos houve um desinvestimento nas forças de segurança que originaram isto. E nós não podemos ter uma cidade a dois ritmos: a crescer, a ter mais turismo, a ter mais desafios e, por outro lado, termos do Estado central um menor acompanhamento e isso depois reflete-se naturalmente no problema. Mas não é só isto que temos como prioridade. Temos que olhar também para um problema que todos os dias diz muito às pessoas, que tem a ver com a mobilidade. Nós vemos uma cidade que vive num caos de obras, de obras constantes, de obras não planeadas, de obras que ninguém percebe porque é que são feitas, de investimentos que ninguém percebe para que é que são feitos, e isto tem originado de uma forma clara um mal-estar diário nas pessoas. Temos gente que com estas obras perde mais de uma hora por dia no trânsito. Isto é muito tempo que podia ser dedicado a estar em casa, podia ser dedicado à família, e não é. Portanto, tenho uma visão clara de quem vive na cidade e conhece os seus problemas.
Miguel Correia, quem é que considera ser o seu principal adversário nestas eleições ou aquele que eventualmente mais teme, sendo que, por exemplo, temos Pedro Duarte, que vai com uma coligação que junta três partidos?
Temer, não temo ninguém. Eu acho que o que temo é o estado em que alguns aspetos da cidade estão. Sobre isto, eu acho que há um candidato do Partido Socialista, o Manuel Pizarro, que vem para esta eleição com programa naturalmente socialista, uma visão socialista da cidade, e nós não queremos ver a cidade com eles sozinhos. Nós defendemos uma cidade do Porto que deve ter uma dinâmica muito própria, mas que deve servir para servir as pessoas. A Câmara do Porto tem que servir para servir os portuenses, mas que ao mesmo tempo não os pode estrangular. E portanto, quando nós ouvimos o Partido Socialista, ouvimos também o PSD a falar em muita gratuidade, em muita construção, em muita coisa nova que nunca se fez, mas que agora, por milagre e por existirem eleições é que se vai fazer, nós temos que perceber uma coisa: nada é gratuito. Tudo que se promete, tudo que é feito com o dinheiro público não é gratuito, é pago por todos nós. E portanto quando eu olho para esta campanha e vejo que o principal adversário dela é essa demagogia e populismo, um conjunto de promessas que não são mais do que isso, promessas, porque se tivessem vontade de ter sido feitas, com certeza já tinham sido feitas nos muitos anos que estiveram na governação da cidade e do país.
Já que referiu algumas das ideias que já foram lançadas, nomeadamente por Manuel Pizarro, esta semana houve também a apresentação da candidatura de Pedro Duarte. Não sei se acompanhou, se merece algum comentário as ideias que foram trazidas também pelo candidato da coligação que junta PSD, CDS e Iniciativa Liberal.
Eu acho que as ideias dos dois são muito semelhantes e estão aqui assentes em três pilares. E os pilares estão certos, ou seja, o doutor Manuel Pizarro até é médico, portanto faz bem diagnósticos. O problema é que os problemas já existem há muito tempo. Esta questão da segurança não é uma questão que acontece agora, mas é estranho só ver as pessoas a falar agora. E acho que só falam delas agora por uma questão eleitoral, porque perceberam que efetivamente é um problema para as pessoas e acham que vão atrás dos votos com essas medidas, porque na prática o problema da segurança tem vindo a crescer. Eu já tive a oportunidade, na Assembleia Municipal e noutros espaços, há dois ou três anos, de falar destes problemas, que estavam em fases diferentes, e na altura toda a gente achou que era demagogia, toda a gente achou que era populismo. Agora finalmente fizeram o diagnóstico. A minha dúvida é se é só um diagnóstico eleitoral ou se é efetivamente um compromisso sério para a cidade. Eu espero que seja um compromisso sério, porque da nossa parte é um compromisso sério para a cidade, esses pilares da segurança, habitação, a mobilidade. Não diria mobilidade, diria trânsito. O problema da cidade é o trânsito. Vivemos com um trânsito que é uma consequência de termos uma política de planeamento mal feita, termos obras excessivas, termos obras desnecessárias. E eu fico muito contente de os ver a falar dos principais problemas. É importante para o debate público, estamos a recentrar o debate nos seus problemas. Falarei deles como sempre falei.