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Sentimo-nos um pouco abandonados e sentimos essencialmente que o discurso do "tenham calma, mantenham-se seguros" já não é suficiente.

Este é Francisco, um dos 40 portugueses que estão retidos no Peru.

Cinco rapazes e duas raparigas na casa dos 24, 25 anos.

O grupo de sete jovens tinha toda a viagem pelo Peru planeada, tudo comprado e tudo pago.

No entanto, fomos surpreendidos com este golpe de Estado e basicamente a estratégia do povo peruano para criar impacto a nível social e económico é o bloqueio das estradas. Enquanto viajávamos entre Arequipa para Huacachina, outro ponto turístico de renome aqui no Peru, fomos bloqueados na grande Via Pan-Americana, que basicamente vai conectando as cidades.

O grupo ficou retido perto de uma vila.

E permanecemos desde a madrugada, 10 para 11, até à manhã de terça-feira.

Foram quase três dias no deserto em que tiveram de gerir comida e esperança.

Tentámos racionalizar ao máximo todos os recursos que tínhamos disponíveis, desde água, bolachas, todo tipo de alimentos, e tivemos a sorte de ficar com uma vila perto e acima de tudo das manifestações e dos protestos serem pacíficos. Mas é óbvio que nós como sete jovens que nunca na vida tínhamos contactado com esta realidade, o primeiro impacto foi um pouco assustador.

Acompanhados com alguns turistas conseguiram chegar a Arequipa.

E daí pretendemos sair daqui o mais rápido possível.

Agora o grupo precisa de chegar ao aeroporto de Lima, que é o único aeroporto que faz voos internacionais.

Mas o que é que acontece? O voo de Arequipa apenas faz conexões nacionais, é um aeroporto que foi tomado pelas forças civis e neste momento estamos interditados. E daí a nossa situação de desespero, porque não sabemos o que fazer.

Francisco explica que sempre tiveram em contacto com a Embaixada Portuguesa, desde que ficaram retidos no deserto. No entanto-

Nós queremos é um apoio visível, um apoio mensurável. Até agora nada passou de um "estejam tranquilos, estejam calmos". No entanto, isso para nós já não é suficiente. Não há perspectivas próximas de que vamos sair daqui, porque o aeroporto está tomado, já foi declarado o estado de emergência nacional do Peru e ninguém faz nada para nos tirar daqui. E isso é que nos está a assustar um pouco.

O jovem médico aponta que a situação se está a tornar incomodável, tanto a nível psicológico como financeiro.