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Está decidido: Portugal não vai receber festivais de música este verão.

A decisão foi tomada em Conselho de Ministros esta tarde. O Conselho de Ministros, que em comunicado adianta que os festivais de música estão proibidos até o próximo dia 30 de setembro deste ano por causa da pandemia da Covid-19. Recebemos agora também em direto neste jornal Observador, José Barreiro, ele que é um dos organizadores do Nós Primavera Sound, na cidade do Porto. Muito boa tarde, José Barreiro, obrigado por se juntar a nós aqui na Rádio Observador. O Primavera já tinha adiado o festival para setembro. Como é que o festival acolhe agora esta decisão por parte do governo?

Digamos que é uma decisão que nos deixa muito tristes, mas infelizmente já esperávamos, porque das conversas que mantivemos nos últimos tempos com o governo, com as autoridades de saúde, até com a própria Câmara Municipal do Porto, tudo apontava para que o festival não pudesse ser organizado este ano, o que nós acolhemos com toda a naturalidade do mundo, porque em primeiro lugar está a saúde pública, as condições sanitárias dos artistas, do nosso público, até da própria organização, dos trabalhadores que durante quase dois meses montam o festival e seria uma tarefa muito difícil que o festival pudesse ser organizado este ano.

E daquilo que ouviu a propósito das decisões do Conselho de Ministros, com que ideia é que fica em relação também, por exemplo, à questão dos bilhetes? Há aqui esta ideia, está prevista essa emissão de um vale de valor igual ao preço do bilhete que tenha sido comprado pelo consumidor. Como é que o festival acolhe também esta decisão?

É uma decisão que nos agrada, porque como deve imaginar, numa organização de um festival, nós também já temos muito dinheiro adiantado ao artista e a tesouraria das empresas iria sentir, não diria definitiva, não levaria ao fechamento da empresa, mas passaríamos por dificuldades muito grandes. Quase todos os promotores.

Mas na prática e olhando agora para aqueles que compraram bilhete para o festival, quais são as opções que têm? De uma forma simples, para quem nos estiver a ouvir, o que é que podem fazer, no caso de, por exemplo, quererem reaver o dinheiro?

Neste momento é um bocado extemporâneo estarmos a falar. Estamos à espera do enquadramento legal do vale. Tem que ir à Assembleia da República, depois disso poderemos emitir. Ainda não sabemos qual é o enquadramento que o governo vai dar à questão do vale ou do voucher, como quisermos chamar. Acho que é uma medida que foi acolhida, foi proposta numa reunião com o primeiro-ministro e com o ministro da Economia. Acho que era uma forma de ajudar as empresas a sobreviver a esta pandemia. Ou seja, os direitos dos espetadores estão garantidos e não leva a uma situação caótica por parte dos promotores. Portanto, acolhemos com muito boa-- digamos que o governo preocupou-se conosco e nós só temos que estar ao lado do governo nesta questão.

Mas há essa perspectiva de quem comprou bilhete poder reaver o dinheiro ou de ser compensado de alguma forma?

Asseguramos que com o adiamento do festival, já o decreto de lei de 26 de março dizia mais ou menos isto: o adiamento de um evento, de um concerto ou de um festival não dá direito à devolução, mas sim a participar na próxima edição ou quando o evento for reagendado. Neste caso, como estamos a falar de eventos que vão ser reagendados, o espetador ficará com o direito a ir à próxima edição do festival e depois será compensado, por isso é que eu não quero falar antes do tempo, mas haverá um momento em que o espetador pode ser ressarcido do dinheiro que gastou no bilhete.

E já agora, enquanto organizador do Nós Primavera Sound no Porto, falava dessa questão da próxima edição do festival. Quando é que vai ser a próxima edição do Nós Primavera Sound no Porto? Que tipo de cartaz é que irá haver? Se o cartaz vai de alguma forma, por aquilo que são as vossas previsões, compensar aquela que é a perda registrada este ano também para os espetadores.

Sim, nós anunciamos o adiamento em 29, 30 de março, acho que foi 30 de março, que anunciamos o adiamento para setembro e já desde essa altura e antes disso. Para adiar uma edição, já estávamos a trabalhar com os artistas para perceber a disponibilidade, etc. Foi muito bem acolhida a ideia. Estamos todos no mesmo barco. Toda a indústria está neste impasse. Digamos que 2020 vai ser um ano adiado para a indústria da música e estamos a ver com muita recetividade que os artistas, pelo menos uma grande maioria deles, possa estar disponível para a edição de 2020, que vai acontecer em 2021. Porque no fundo trata-se precisamente, já que a nona edição do Nós Primavera Sound vai ocorrer em 2021.

E a ideia é ser em junho?

Desculpe?

A ideia é ser em junho do próximo ano?

A ideia é ser em junho do próximo ano, no segundo fim de semana de junho.

Ou seja, mantendo aquela que era a data original do festival.

A data original do festival era 11, 12 e 13 de junho.

Ou seja, não a data exata, mas o período, mais ou menos, ou seja, nos primeiros dias de junho.

Nós também trabalhamos em parceria com Barcelona, que é o festival que já acontece há 20 anos em Barcelona.

Portanto, estão também um pouco dependentes daquilo que serão as decisões do festival em Barcelona.

Digamos que sim, no sentido de a legislação própria que o governo espanhol também está a produzir, e portanto vai haver aqui uma diferenciação entre países, mas o fato é que também já estamos a preparar a edição do próximo ano em conjunto com Barcelona. Portanto, muito em breve vamos já anunciar o cartaz do próximo ano.

Já agora, aproveito também para lhe perguntar, José Barreiro, em relação a esse cartaz, já falámos um bocadinho sobre aquilo que pode ou não acontecer, mas obviamente que revelar já nomes é difícil, mas pergunto-lhe se poderá haver então muitos nomes que estavam previstos para este ano e pergunto-lhe também se já tem havido contactos com outros artistas de renome para participarem nessa edição do próximo ano em junho.

Neste momento, posso dizer-lhe que está praticamente garantido que grande parte dos artistas vai marcar presença em 2021.

Incluindo cabeças de cartaz?

Incluindo cabeças de cartaz. E provavelmente até vamos reforçar o cartaz com nomes que este ano, em junho, não estavam disponíveis e com esta mudança do paradigma da indústria, para o ano poderão estar. Portanto, nada como aguardar. Em breve anunciaremos, mas eu acho que do ponto de vista do consumidor, o consumidor e o público do Primavera, claro, que são os nossos consumidores que vão sair beneficiados com o cartaz que vamos propor para a nona edição em 2021.

Rádio Observador. 98.7 na Grande Lisboa, 98.4 no Grande Porto. Aconteça o que acontecer.