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Para além deste curso de Engenharia Aeroespacial do Instituto Superior Técnico, é o terceiro com a média mais alta, mas há um outro curso de Engenharia Aeroespacial da Universidade do Minho, esse sim, o que registou a média de acesso mais alta este ano. É um curso relativamente recente, mas que já lidera esta tabela. O último colocado teve 18.86 valores. Junta-se agora a nós neste jornal o reitor da Universidade do Minho, Rui Vieira de Castro. Desde já obrigado pela disponibilidade e por se juntar a nós. Satisfeito por liderar esta tabela, não deixa de ser simbolicamente importante para a universidade?
Muito bom dia, muito obrigado pelo convite. Certamente que sim. Esse senso de satisfação, tanto mais que é um curso, como acabou de referir, relativamente novo, mas que está a afirmar-se com muita rapidez. E isso é motivo de satisfação para a universidade, como é a generalidade dos resultados que obtivemos nesta primeira fase do concurso. Prova também que aquele esforço que vimos fazendo de procurar manter uma oferta educativa ajustada àquilo que nós entendemos ou percebemos serem as necessidades do país, da sociedade, da economia, que essa aposta que vimos fazendo é uma aposta bem-sucedida. Estamos evidentemente muito satisfeitos.
Fala-se muito do problema da habitação, sobretudo nas grandes cidades, mas isso vai se verificando já um pouco por todo o território e a área de atuação da Universidade do Minho também já tem registrado um aumento do custo e problemas com essa dificuldade no acesso.
É verdadeiramente um problema, um problema reconhecido por todos, um problema reconhecido também pela própria tutela. Tem sido feito um esforço de aumento do número de camas oferecidas aos estudantes. Esse esforço está largamente em processo ainda de concretização. Constitui hoje um dos grandes desafios que se colocam ao ensino superior e sobretudo aos jovens e às famílias que decidem apostar na formação superior. O custo de vida, como disse, está em contínuo crescimento. A resposta, sobretudo a resposta privada, tem diminuído por efeito da migração de habitações que anteriormente eram dedicadas, estavam destinadas sobretudo ao alojamento de estudantes e que hoje são deslocadas para outro tipo de utilização. E naturalmente, isso coloca uma enorme pressão sobre o sistema e uma enorme pressão sobre o estudante e as suas famílias. Como dizia, há um esforço que está a ser feito. Há neste momento muitas residências que estão em construção. No caso concreto da Universidade do Minho, nós temos neste momento, em associação com as Câmaras de Braga e de Guimarães, em desenvolvimento dois projetos que vão representar um aumento de cerca de 900 camas para a universidade. Isto é francamente interessante, mas continua a ser insuficiente e portanto, é necessário que se mantenha de forma continuada, de forma sistemática, esta aposta por parte do Estado na melhoria das condições de habitação para os nossos estudantes.
Só para terminar e porque há estes dados que são o elevado número de colocações, mas o menor número de candidaturas. Lá está, o governo olha pra isso como sendo uma aproximação da oferta ao interesse dos jovens. Faz a mesma leitura ou partilha dessa leitura?
Sim, eu diria que há um primeiro ponto que deve ser sublinhado e que deve ser valorizado. A procura do ensino superior em Portugal tem crescido regularmente ao longo dos últimos anos. Há um dado que se costuma utilizar e que é exemplificativo dessa mesma procura. Portugal, em 2012, tinha na faixa etária dos 30 e 34 anos, cerca de 28% de pessoas com curso superior. Em 22 já eram mais de 40% as pessoas que tinham esta formação. E isso, de facto, é muito significativo do reconhecimento social que existe relativamente ao ensino superior. Agora, esse reconhecimento também é verdade que responsabiliza, e responsabiliza significativamente as universidades. E as universidades têm que estar muito atentas àquilo que vão sendo as flutuações que vão ocorrendo, que acontecem num contexto que é preciso sublinhá-lo também, é de quebra demográfica acentuada. Portanto, eu diria que aquilo que nos espera nos próximos anos não será tanto uma estabilização ou um aumento da procura do ensino superior, mas provavelmente uma diminuição paulatina que vai agravar as diferenças entre aquilo que é a capacidade instalada e a procura do ensino superior. Naturalmente, também que as instituições podem, e devem, e muitas estão a fazê-lo já, reorientar a sua oferta no sentido de públicos novos, sobretudo de públicos adultos, de pessoas que estão já a desenvolver as suas carreiras profissionais e que podem regressar à universidade para a busca de novas competências, novos conhecimentos que suportem o desenvolvimento da sua carreira profissional. Mas no que diz respeito aos estudantes que procurarão a universidade pela primeira vez, digamos assim, aquilo que se antecipa é claramente uma quebra na procura por efeito da quebra demográfica. E a isso as instituições têm que estar particularmente atentas. Na verdade, há já sinais que devem ser assumidos como sinais muito preocupantes. Se nós percorrermos a lista das colocações que foi divulgada há poucas horas por parte do Ministério, verificaremos que há um número que é significativo de cursos que no nosso sistema têm procuras que são residuais e, portanto, a reorientação da oferta educativa, a sua reorganização, a sua racionalização, são objetivos que do meu ponto de vista, devem ser perseguidos pelas instituições.
Rui Vieira de Castro, muito obrigado pela sua disponibilidade para se juntar a nós, reitor da Universidade do Minho, que tem este ano o curso com a média mais alta em Engenharia Aeroespacial e também aqui com esta reflexão sobre esta necessidade de poder reajustar a oferta do ensino superior ao longo dos próximos anos.