Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Que tipo de apoio é que o movimento está a prestar ao bairro do Talude?

Durante os últimos meses, o apoio que o Movimento Vida Justa prestou ao bairro do Talude foi necessário para visibilizar aquilo que a Câmara de Loures estava a fazer com aquelas pessoas. A Câmara, ao longo destes meses, foi postando editais na porta das pessoas, muitas vezes com tempo insuficiente para elas poderem recorrer de alguma forma ou sequer organizar-se para poder sair daquele sítio. E a Vida Justa tornou visível essa questão, comunicou à imprensa, comunicou nas redes sociais, prestou providências cautelares para tentar evitar que famílias com crianças fossem para a rua. Em alguns casos, conseguiu. Este foi o apoio que a Vida Justa conseguiu fazer contra uma máquina de demolições que é a Câmara Municipal de Loures. Tivemos as nossas dificuldades. Este foi o apoio que fizemos às pessoas durante estes meses todos. Nas últimas semanas, temos estado a prestar apoio no terreno com voluntariado, refeições, limpeza do entulho que a Câmara lá deixou para tentar melhorar um pouco a situação das pessoas que tiveram que dormir ao relento durante mais de uma semana, com crianças inclusive, no meio de entulho e num sítio insalubre. Este tem sido o cenário que o Movimento Vida Justa tem encontrado no Talude nos últimos meses.

E têm algum conhecimento daquilo que o Ricardo Leão afirmou, de alguma comercialização ilegal de barracas dentro do bairro? Como é que se posicionam efetivamente relativamente a estas acusações feitas pelo presidente da Câmara?

Acho que o presidente da Câmara utiliza fenômenos que podem acontecer ou não em situações destas para tentar tirar legitimidade às pessoas que, no fundo, são vítimas desta situação da crise da habitação. As pessoas tiveram de erguer um teto da maneira que puderam, com as condições que encontraram, para poderem manter os seus trabalhos. E isto é tudo culpa da crise da habitação, que permite que pessoas em Portugal não tenham acesso a um teto, que trabalhem, que tenham contratos de trabalho e que tenham salário. Ricardo Leão quer arranjar todas as desculpas e mais algumas para não se responsabilizar por uma questão que devia contribuir para a solução dela. Ele é presidente da Câmara de um território que tem barracas a crescer. Ou olha para isto e tenta resolver a crise da habitação de forma que as barracas não cresçam mais, ou vai continuar à procura de desculpas como esta. Hoje é isto, amanhã pode ser outra coisa. Ricardo Leão mostrou-se um irresponsável e até maldoso ao fazer isto, porque ele sabe muito bem que as pessoas são vítimas de uma situação terrível, que é trabalhar, ter um salário, ter um contrato e não conseguir alugar uma casa.

Com a autarquia, tem havido algum diálogo, ou nem por isso?

Nós tentámos por várias vezes reunir com a autarquia, pedir reuniões à vereação da habitação, ao gabinete da presidência, sem sucesso. Os moradores tentaram com o Movimento Vida Justa também, e sempre sem sucesso. A política que a autarquia mostrou ter foi uma política de expulsão destas pessoas e de tentar assustar as pessoas para a ideia da construção de barracas no concelho de Loures. Nunca quiseram dialogar, nunca quiseram resolver o problema. Pioraram todos os problemas que lá tinham, instalaram uma crise humanitária, não dialogaram conosco, quiseram apenas continuar esta política de terror em relação às pessoas que estão nesta situação dramática de trabalhar e não terem um teto. E, portanto, a relação entre o Movimento Vida Justa, os moradores do Talude e a Câmara não nutre muita simpatia por estas razões, obviamente. O movimento vai fazer tudo o que puder para proteger estas pessoas, que o único crime que cometeram foi tentar arranjar um teto para poderem continuar a trabalhar. É isto que Ricardo Leão quer criminalizar. Ricardo Leão quer criminalizar pessoas que são pobres e não conseguem pagar uma casa. Isso é da maior injustiça e o movimento vai sempre lutar pela reposição de justiça destes trabalhadores, dessas pessoas que ajudam o país a funcionar.

Mesmo tendo em conta estas controvérsias, vão continuar a manter o apoio que já têm prestado ao longo dos meses e destas semanas no bairro?

Sim, o Vida Justa é composto pelas pessoas do bairro. Nós não fazemos coisas numa lógica assistencialista. Nós fazemos coisas decididas em conjunto com o morador do bairro. Nós sabemos muito bem qual é a política de Ricardo Leão para a habitação. Vamos continuar a contestá-la, seja em Loures, seja em qualquer bairro deste país, e isso não acaba por causa das ameaças de um presidente de Câmara. Isso acaba quando todas as pessoas que trabalham em Portugal conseguirem ter um teto para morar.