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Junta-se a este jornal Tiago Maian Gonçalves. É fundador da Iniciativa Liberal. Já reagiu, como dissemos, nas redes sociais à saída de Carla Castro. Tiago Maian Gonçalves, bom dia. Escreveu que o partido tem que repensar tudo o que tem sido feito. O que isso significa? O que é preciso repensar?
Olá, muito bom dia. Bom dia a todos e a quem nos ouve. Deixe-me só começar com uma primeira palavra de óbvio reconhecimento e agradecimento à Carla por tudo o que ela deu ao partido. A história de sucesso deste partido fez-se também muito do que a Carla pôde fazer ainda antes de ser deputada, no apoio ao gabinete parlamentar do deputado único. Na verdade, não preciso falar só do passado, também do presente da deputada Carla Castro e do trabalho inestimável e reconhecido em todos os quadrantes políticos, não só o nosso. Portanto, é de facto lamentar, mas uma palavra pessoal de reconhecimento e agradecimento à Carla por tudo o que deu ao partido. Naturalmente, isto é só um sintoma de algo mais que está a suceder no partido. Esta comissão executiva foi eleita há um ano. É uma comissão executiva que tem todos os recursos do partido ao seu dispor, recursos que o partido nunca mais teve. Tem órgãos nacionais colaborantes na sua ação e na aplicação da sua estratégia, tem todos os candidatos que quis escolher. A estratégia, os recursos, o domínio de todos os aspetos no último ano está nas mãos desta comissão executiva.
A responsabilidade é desta liderança.
Naturalmente, depois do dia 10 de março, porque até lá temos algo a fazer e estamos a trabalhar nisso, que é uma campanha para nos preparar para umas eleições legislativas, e isso assume sempre prioridade dentro de um partido. Mas a partir de 10 de março, e independentemente do que sejam os resultados eleitorais no dia 10 de março, há de facto um momento de reflexão absolutamente necessário a fazer, do meu ponto de vista. E esta saída da Carla é só mais um sintoma, um sintoma grave e visível, mas um sintoma de algo muito mais profundo que vai ter que merecer reflexão.
Mas diz que até 10 de março é preciso estarem concentrados na campanha eleitoral e nas propostas da Iniciativa Liberal. Mas estas saídas não lhe parece que podem ter impacto nos resultados da Iniciativa Liberal?
As opções, toda a estratégia, todos os recursos estão nas mãos desta comissão executiva e portanto ela poderá fazer o seu trabalho e deverá fazer o seu trabalho. O trabalho depois terá os seus resultados, mas repito, independentemente dos resultados, temos que internamente no partido também fazer uma análise do que foi este ano, para podermos depois seguir em frente.
Esta saída de Carla Castro, como sabe, não é a primeira. Os críticos internos de Rui Rocha estão a ser perseguidos na Iniciativa Liberal?
Eu não vou dizer isso. Sei que quem sai do partido foram as pessoas que tomaram. Eu não vou formular um juízo genérico sobre cada pessoa que saiu do partido, porque cada pessoa terá as suas razões. Quanto à Carla, eu só posso apontar que a Carla sempre demonstrou um elevadíssimo nível ético e de resiliência dentro do partido, mas tenho que compreender a sua decisão tomada agora. Compreender, mas naturalmente lamentar, porque eu e outros que ainda se mantêm no partido reconhecem, com certeza, a enorme perda que é deixarmos de ter a Carla conosco.
Teme que outras pessoas possam sair do partido?
Eu espero, acima de tudo, que os que fiquem possam ter a oportunidade de fazer a tal reflexão interna após o dia 10 de março. Até lá, de novo, as decisões pessoais de cada um vou ter que respeitar. Espero que no dia 11 de março, os que estejamos, possamos ter este momento de reflexão.
Faz aí muita reserva. Admite que outras pessoas possam efetivamente sair.
A verdade é que eu vou vendo notícias ao longo do tempo de outras saídas. Neste ano fomos vendo isso e, de novo, cada pessoa terá as suas razões e eu não vou estar a fazer uma formulação genérica sobre por que todas estas pessoas saem, porque serão razões diferentes. Mas segundo a comissão executiva, são mais os que entram do que os que saem. É um argumento que pode ser desenvolvido por esta comissão executiva e eu, pessoalmente, considero que muitas das pessoas que já vi sair são de facto perdas importantes do partido, porque cada pessoa não é um número. Cada pessoa tem as suas competências, as suas valias, a sua dedicação e o seu ânimo dadas ao partido e muitas das que eu vi sair eram de facto ímpares nisto que eu acabei de descrever.