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João Sandra, em altura de pandemia, o apelo tem sido para fazer férias cá dentro. Há até uma campanha do Turismo de Portugal para promover destinos nacionais dirigida aos portugueses. "Tu podes, visita Portugal" é o nome desta campanha que mostra algumas das atrações que tem o nosso país. Uma delas é a Estrada Nacional número dois. É uma estrada de 739 km que atravessa o país de norte a sul, vai de Chaves até Faro e é considerada uma das rotas mais bonitas do mundo. O secretário de Estado do Planeamento, José Mendes, decidiu percorrer a Nacional dois de bicicleta. É o secretário de Estado que se junta agora a nós em direto neste jornal. Muito boa tarde, senhor secretário de Estado. A viagem começou já na passada sexta-feira, a norte, em Chaves. Onde é que está neste momento? Qual é o quilómetro?
Muito boa tarde. Só uma pequena precisão. A minha viagem é de Bragança até Chaves, portanto, inclui a N2, mas é mais um pouquinho, são 1000 km. E passei em Chaves.
Portanto, a pedalar ainda mais cerca de 300 km do que aquilo que tinha sido anunciado por nós.
Exato, mais um pouco. Eu estou em Góis neste momento, estou mesmo no meio de Portugal, aliás, numa zona que no passado, infelizmente, e agora estou a fazer referência à peça anterior, foi sujeita a fogos. Neste momento está aqui tudo muito tranquilo. Sinto que no território está tudo mais bem preparado, mais precavido, mas esse não é o nosso tema. Fiz já cerca de mais de 300 km e estou felicíssimo, desde logo, para chamar a atenção para esta possibilidade, que acho muito interessante, de fazer as férias em Portugal, mostrar este país que é único, autêntico, irrepetível. E depois fazê-lo em bicicleta. Eu tenho a paixão pelas bicicletas, fui secretário de Estado da Mobilidade na legislatura anterior. Penso que é um meio de transporte excelente, sobretudo para este tipo de atividades, porque nos permite dar tempo e naturalmente temos de estar dispostos para esse efeito, mas permite-nos tomar tempo, parar, falar com as pessoas, fotografar o território, interagir e descobrir que temos um país verdadeiramente inescapável e muito seguro, que esse é um aspeto muito importante.
E até agora daquilo que viu, até porque falamos muitas vezes de questões como a fixação de populações no interior do país e fora das zonas mais litorais. Aqui foi percorrendo a zona centro, a partir do norte, a partir, como dizia, de Bragança. Tem visto muita desertificação também, com muitas zonas abandonadas? Tem parado também para tomar o pulso nalguns concelhos, nalgumas freguesias, que eventualmente não conheceria tão bem a realidade desses locais?
Tenho parado e inquestionavelmente há uma parte do território que está desertificada e tem poucas pessoas. Esse tema é conhecido, aliás, razão pela qual o governo português tem procurado também dinamizar os territórios, a economia e a sociedade no interior do país. É um exercício difícil, com certeza, mas não é impossível. Agora, há algo que me parece inequívoco: há um potencial de toda esta faixa central do país, daquilo que designamos normalmente por interior, que é tremendo. Esta combinação que nós temos de rios e de serra é verdadeiramente fantástica. Há boas instalações, há praias fluviais muito interessantes, há boa gastronomia, há bons vinhos. As pessoas são excelentes, recebem muito bem. E a chamada é esta: uma das formas de ajudarmos a ultrapassar o problema da desertificação é também nós, portugueses, sermos capazes de responder à chamada de usufruirmos do nosso território e também de dinamizarmos a economia no interior do país. Repare que há coisas que se podem fazer aqui que noutras geografias são mais difíceis. Eu hoje cheguei a Góis, fiz os meus cerca de 120 km, de Viseu até Góis, e não tinha nenhuma reserva de alojamento, não me preocupei com isso. Cheguei a Góis, naturalmente cansado, como imagina, sentei-me numa esplanada junto a uma praia fluvial, tomei a minha bebida para me refrescar e perguntei à senhora se haveria um hotel ou algum alojamento por perto. A senhora indicou-me uma residencial, cheguei à residencial, tinha lá quarto, tinha lugar, estou instalado. Este tipo de coisas podem-se fazer e é preciso descobrirmos ou redescobrirmos este nosso país, porque as férias cá dentro não podem ser apenas uma palavra, uma expressão. Eu não tenho nenhum mandato do governo português, porque não é essa a minha tutela, para promover o turismo cá dentro, mas enquanto cidadão e também sendo solidário com os meus colegas de governo, naturalmente, fazer estas chamadas de atenção e dar este testemunho na primeira pessoa. Eu fiz questão de fazer estas minhas férias deste ano, esta minha semana e pouquinho, percorrendo a solo e sem apoio. A minha bagagem é a mochila que eu trago às minhas costas de 3 kg para 10 dias e devo dizer que chega bastante bem. E fazê-lo para mostrar também que é um país muito seguro, não há dificuldades, não há problemas de maior, não há insegurança. Isso não é um assunto. Isso é um valor inestimável. É isso que faz de Portugal um destino verdadeiramente ímpar em termos globais, posso dizê-lo. São os outros que o dizem também. Já agora, Portugal foi eleito nos três últimos anos como o melhor destino turístico do mundo. Isso quer dizer alguma coisa. Mas fazer esta chamada de atenção e repare, as pessoas hoje, naturalmente, têm o seu quadro de preocupações relacionadas com a Covid, a pandemia, etc. Aquilo que eu verifico é que o cumprimento daquilo que são as normas definidas pela Direção Geral de Saúde é absolutamente escrupuloso. As pessoas fazem-no com tranquilidade em qualquer pequeno café, qualquer pequeno restaurante, qualquer hotel No interior do país, as pessoas usam a máscara, as pessoas têm aqueles cuidados que nós sabemos que têm que ter de higienizar, de separar as entradas das saídas. Tudo flui com muita naturalidade e de facto é um país que está aqui à nossa espera e é preciso ou é desejável, direi eu, usufruir dele e fazer as férias cá dentro. De facto, eu estou felicíssimo com esta minha opção, esta minha decisão. Isto são 1000 km, eu costumo dizer de forma um bocadinho jocosa, que são os 1000 km da minha vida.
Não pensa em desistir, obviamente.
Não.
Está a sentir-se bem fisicamente para cumprir esse percurso, esses 1000 km até Sagres?
Até bem estou. Completei hoje a quarta etapa. Naturalmente, as pernas começam sempre a cansar um pouco, mas temos consciência do treino que fizemos e faremos o percurso com o ritmo possível. E o meu desejo, com certeza, é no dia 2 de agosto chegar a Sagres, portanto, à pontinha sudoeste do país e do continente europeu. E eu acho que isso é emblemático, percorrer o país de canto a canto. Eu tenho feito a solo, portanto, neste momento, tive apenas ali num troço entre Regueira e Lamego, companhia de dois amigos, e sendo que os meus amigos estão convidados para aparecerem quando quiserem e pedalar ao meu lado, mas tenho feito a solo, eu gosto de andar de bicicleta sozinho. Ao contrário da maior parte dos ciclistas, mas eu gosto de andar sozinho.
Já agora, não vai fazendo pelo caminho promoção às suas funções governativas enquanto secretário de Estado do Planeamento, mas já houve pessoas que falassem consigo por causa das suas funções e que lhe deixassem algumas questões ou algumas dicas?
Já, tem existido. Aqui e ali algumas pessoas vão-me reconhecendo, naturalmente, não muitas, mas enfim, aqui e ali. E ainda há pouco, quando almoçava ali em Góis, no restaurante ali perto, dizia o senhor da dificuldade dos comércios e a restauração, enfim, os negócios mais pequenos acederem a fundos comunitários. Tive a explicar a possibilidade do programa Adaptar, que permite que para estas alterações que é necessário fazer agora nos estabelecimentos para melhor proteger os funcionários e os clientes, existem apoios. Mas enfim, isto se quiser, nós, como governantes, estamos permanentemente em dívida de tudo. Ou seja, é impossível nós-
Portanto, aproveita estas pedaladas para, como dizíamos no início desta conversa, tomar o pulso a algumas zonas do país e fazer essa prospecção e perceber também o que é que de bom ou de menos bom vai ocorrendo em algumas regiões do país.
Sem dúvida. Isso é fundamental, é preciso estar sempre com a abertura necessária para perceber as dificuldades que se manifestam aqui, independentemente, como dizia, de estarmos em férias, não há dúvida que este é o país que governamos, são os nossos compatriotas, é para essas pessoas que nós trabalhamos, que nós servimos e, portanto, se não formos capazes de resolver, com certeza que não estaremos a fazer bem o nosso trabalho.
Muito obrigado, José Mendes, é secretário de Estado do Planeamento, está a percorrer esses 1000 km de Bragança até Sagres. Espera chegar a cortar a meta, já que não estamos este ano em volta a Portugal, mas temos aqui uma meta colocada em Sagres para o secretário de Estado. Espera cortar essa meta no próximo dia 2 de agosto. O secretário de Estado do Planeamento conosco neste jornal Observador, nesta pequena paragem que fez em Góis. Fez hoje esse troço entre Viseu e Góis, mais alguns quilómetros, pedalando de norte a sul do país para mostrar o que há de bom também no turismo português, para perceber também, como ouvimos, como é que estão a correr também essas restrições em algumas das regiões do país motivadas pela pandemia de Covid-19. Conosco, o secretário de Estado José Mendes, que decidiu percorrer essa Estrada Nacional dois de bicicleta. São, no total, 1000 km.