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O que falhou aqui para mais uma vez haver tantas urgências fechadas no Natal, visto que quase nada melhorou relativamente aos números de urgências fechadas no ano passado?

Não é novo, estes encerramentos não são novos. Parte muito significativa dessas urgências tem encerrado nos períodos mais críticos, no verão, também no período de festas, como é agora, e reflete esta dependência de prestadores de serviço. Portanto, se temos mais de metade dos turnos assegurados por prestadores de serviço e se eles têm geralmente menos disponibilidade nesses períodos de festas, é natural que seja impossível colmatar a sua falha. Repare, não existem pessoas no quadro suficientes para substituir estes turnos. Portanto, não há alternativa, de facto, ao encerramento e à concentração da atividade noutros serviços de urgência dessas regiões. Naturalmente, com todos os inconvenientes que daí decorrem para os doentes. Não estou com isto a simplificar ou a relativizar o impacto destes encerramentos, mas, de facto, não existe alternativa. Estes prestadores de serviço, infelizmente, são dias difíceis.

Portanto, não faltou aqui planeamento por parte dos hospitais, faltam é profissionais.

Não, repare, faltam profissionais. Os hospitais tentam sempre completar os turnos, naturalmente, em primeiro lugar, com as pessoas do próprio quadro do hospital. Quando não conseguem, tentam com prestadores de serviço. E de facto existe um esforço enorme para tentar todas as prestações de serviço, muitas vezes até pagando mais do que aquilo que se paga noutros períodos, mas esta elasticidade tem um limite. O limite é, de facto, a disponibilidade dos profissionais. Estamos a falar de dias muito específicos, dia 24, dia 25, dias de Natal, dias de festa, em que geralmente estes prestadores de serviço não mostram essa disponibilidade e, portanto, não há uma alternativa. A alternativa é concentrar a atividade. Por exemplo, na margem sul, se temos três maternidades e se duas delas vão estar encerradas, o que se espera é que uma das maternidades, neste caso aquela que está sediada no Garcia de Orta, se mantenha em funcionamento durante estes dias e que dê uma resposta à população da margem sul. A alternativa, eu diria mais exequível, é esta: encontrar em cada região uma concentração e a garantia de um local que possa dar resposta a essa região e a essas urgências que vão encerrar. E, portanto, infelizmente, não existe outra alternativa que não seja esta.

E apesar de ser uma situação obviamente grave, preocupante, no fundo, acaba por ser algo normal, algo que está normalizado.

Infelizmente, foi-se normalizando, isto não é novo. Repare, todas as urgências que está previsto que encerrem, quer em pediatria, quer em ginecologia e obstetrícia, nestes dois dias, são urgências que já vêm com problemas de trás, portanto, são urgências que já têm muitos dias de encerramento. Nos períodos mais críticos, particularmente no verão e períodos de festas. Todas. Não há aqui nenhuma novidade, infelizmente. Volto a dizer, não estou a relativizar os encerramentos, até porque têm um impacto nas populações. Não quero relativizar, de todo, mas infelizmente não é novo. Já aconteceu em anos anteriores e vai continuar a acontecer enquanto nós não tivermos ou o número de profissionais de que necessitamos nos quadros dos hospitais para completar estas escalas, ou não revirmos os rácios de profissionais, em alguns casos. Repare, e sabemos que esse trabalho está a ser feito, nomeadamente pela Ordem dos Médicos. Se está previsto que tenhamos quatro ou cinco profissionais, basta que um deles falte e a urgência encerra. Nós sabemos que é assim. Essa é uma outra alternativa, tentar rever estes quadros, muitas vezes até partilhando tarefas entre diferentes profissionais. Por exemplo, se tivermos enfermeiros a assegurar um maior número de partos, é possível que um serviço possa não encerrar, mesmo tendo menos médicos do que aqueles que tinha tradicionalmente. Obviamente que há aqui medidas, são medidas que têm de ser implementadas no médio e longo prazo, mas no imediato, com a situação atual, de facto, não há alternativa a estes encerramentos e à concentração da atividade noutros locais.