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António Costa pediu para ser recebido por Manuel Clemente. Há mais de um mês que há várias proibições, como a celebração das missas comunitárias, casamentos, batizados, os funerais também estão reduzidos ao mínimo. Para já, até o dia 2 de maio, são mantidas todas as proibições. O decreto do governo sobre o terceiro período do estado de emergência está em vigor até essa data, mas a partir daí o primeiro-ministro admite algum alívio. Temos ao telefone agora o arcebispo de Évora, Francisco Serra Coelho. Bom dia, muito obrigada por estar conosco. O que pode estar em cima da mesa nesta discussão? A ideia de idas alternadas à igreja, por exemplo?
Olá, muito bom dia. Eu, antes de tudo, gostaria de sublinhar que o que está sobre a mesa é a análise de uma situação muito concreta, que tem que ter um olhar objetivamente técnico. Ou seja, temos que referenciar, antes de tudo, a opinião daqueles que têm especialidade sanitária e que possam dizer a situação concreta que vivemos, lê-la, para que seja possível fazermos uma ação concertada, mas ao mesmo tempo uma ação com toda a qualidade. E a qualidade aqui é objetivamente a prudência para que não criemos qualquer situação de risco, porque gostava de esclarecer que esta atitude foi tomada no dia 13 de março, num documento que saiu da Conferência Episcopal Portuguesa, bastante antes da primeira declaração de emergência. Portanto, foi a consciência da própria Igreja que assumiu esta decisão de suspender as celebrações comunitárias. Não foi uma consequência de um decreto do governo. Quando o decreto do governo chegou, nós já tínhamos tomado essa atitude bastante antes, por decisão assumida pela própria Igreja.
E isso quer dizer que mesmo quando o governo deixar de impor algumas limitações nas celebrações religiosas, a Igreja irá fazer a sua própria avaliação das condições de segurança?
Eu penso que também. Não significa que uma postura do governo seja para nós indiferente ou não lhe demos atenção, mas é uma decisão da Igreja. Portanto, a Igreja tem um estatuto livre, assumido pela nossa liberdade de prática religiosa e, ao mesmo tempo, pela concordata, no caso da Igreja Católica, e a decisão última será sempre dos pastores da Igreja, que são os bispos.
Em todo o caso, temos sempre falado no regresso gradual à normalidade possível. Nesse sentido, poderão estar aqui, de facto, várias possibilidades em cima da mesa, nomeadamente a celebração de missas com menos presentes. Essa pode ser uma possibilidade?
Sim, todos desejamos regressar à vida normal. Não há ninguém que não deseje retomar todas as suas atividades, os seus direitos de cidadania, a sua liberdade de movimentação. Também os católicos praticantes o desejam, nomeadamente participar nas celebrações dominicais, etc. Por isso, não estamos indiferentes, de modo algum. Aliás, são muitos os apelos que nos chegam. E também queria dizer que quando tomamos a decisão de suspender as celebrações comunitárias, nem toda a gente entendeu. Depois, enfim, foram percebendo e toda a gente abraçou esta necessidade, mas haverá, provavelmente, com um acompanhamento técnico muito cuidadoso, e é importante que o tenhamos, porque não é a nossa especialidade concreta, não é a saúde pública, não são os cuidados sanitários. Tem que haver, de facto, um acompanhamento muito cuidadoso da situação, porque as coisas também mudam de região para região.
E isso pode ser também avaliado. Estamos quase a terminar o nosso tempo, mas estamos já muito perto do 13 de maio. Como é que antevê que possa ser celebrado esse dia para os católicos?
Já foi anunciado, será celebrada a Eucaristia na Basílica Nossa Senhora do Rosário, sem participação de fiéis, é assim que chegou a nota do santuário, e também no dia 13 de maio, a oração do terço. Mas dizia que há momentos, por exemplo, na zona do Alentejo, é muito marcante a celebração dos defuntos. Por exemplo, as chamadas missas de sétimo dia, missas de trigésimo dia, onde se juntam sempre muitas e muitas pessoas, os amigos, para além da família. Não é fácil dizer quem entra e quem não entra na igreja. Quer dizer, de uma maneira geral, a missa dominical, podemos, por exemplo, estabelecer com clareza que quem vai ao sábado não vai ao domingo, dá a vez ao irmão. Temos que manter a distância entre as pessoas, teremos, porventura, que usar máscara. São possibilidades que vamos percebendo que podem ser realidade, mas há questões muito concretas que têm que ser, de facto, discernidas e acompanhadas nas localidades em que os párocos vão precisar de orientações muito objetivas e, ao mesmo tempo, do apoio, porque haverá situações em que não será fácil decidir, nomeadamente, como digo, quando são muitas as pessoas que querem participar. Não se vai dizer que o senhor não pode entrar, não é? A senhora não pode entrar.
Tem que haver sensibilidade e bom senso também a guardar para algumas determinações.
Diria, para terminar, que é necessária maturidade de tempo, é necessário que não demos, de facto, um passo em vão. E volto a repetir que é melhor uma perrengueada segura do que uma derrapagem que venhamos a lamentar dela.