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A esta hora conversamos em direto com o antigo ministro da Saúde, social-democrata Fernando Leal da Costa. Muito boa tarde, Leal da Costa, obrigado por se juntar a nós. A saúde, e ouvimos isso ainda há pouco, é sempre um tema quente para qualquer governo. Não têm faltado casos e polémicas. Será este o tema mais complicado de gerir neste debate para o governo e para o primeiro-ministro?

Muito boa tarde a todos e obrigado pelo convite. Eu não sei se será o tema mais complicado, mas é sempre seguramente um dos temas mais complicados na governação, quer pelo impacto que tem na vida das pessoas, quer pelo facto de ser necessariamente uma área onde tem que haver um grande dispêndio de recursos públicos, nomeadamente financeiros. E, portanto, não ficarei surpreendido, aliás, nem será mau sequer, que os senhores deputados mostrem interesse pelas áreas da saúde e que, já agora, possam, além das críticas e perguntas que possam fazer, também contribuir um pouco para este debate apresentando algumas soluções, porque todos nós temos que, neste momento, estar em posição de poder ajudar o governo numa questão que é da maior importância para todos os portugueses.

De resto, o PS apresentou ontem uma proposta de uma unidade de coordenação de urgências. Como é que olha para esta proposta apresentada ontem pelo PS?

Pois é, eu sinceramente esperaria mais do Partido Socialista. Acho que é uma pequena proposta e que além do mais até é estranho ela vir do Partido Socialista, quando foi o próprio Partido Socialista que criou a direção executiva. E esta matéria é, claramente, no meu entender, matéria para ser tratada pela direção executiva. Portanto, acho estranho que seja o Partido Socialista a propor mais uma comissão por cima de uma comissão em cima de outra comissão. Esperamos mais e seguramente que há coisas mais interessantes a serem apresentadas. Não é seguramente a criação de mais uma comissão que não vai rigorosamente resolver nada, embora saúdo a boa vontade do Partido Socialista em querer apresentar qualquer coisa, mas não há de ser por falta desta comissão que as coisas funcionam melhor ou pior.

E qual é a sua expectativa para os próximos meses no setor da saúde? Acredita que podem ser de esperar mudanças a breve prazo, nomeadamente a nível da direção executiva? Pode ser repensada? Qual é a sua perspectiva para aquilo que poderão ser os próximos meses neste setor?

Eu sei que há, por parte do Ministério da Saúde, um compromisso para com os portugueses no sentido de fazer as mudanças que é preciso fazer, e algumas delas necessariamente terão que ser feitas com algum tempo, para que o Serviço Nacional de Saúde possa desempenhar a sua função. A minha preocupação tem a ver essencialmente com a sobrevivência do Serviço Nacional de Saúde, com a sua sustentabilidade a médio e longo prazo. Nós vamos passar um verão difícil, não vale a pena escondê-lo, mas convirá que não nos foquemos apenas na questão das urgências e dos helicópteros. Há problemas mais complicados, que aliás a vossa notícia deu nota, que se prendem com a falta de profissionais e com a necessidade de nós criarmos condições para programar as respostas ao longo do tempo. E isso só será possível, do meu ponto de vista, e não sei até onde o governo quer ir, se nós começarmos a olhar para um problema de fundo que tem a ver com o financiamento das unidades, a remuneração dos profissionais e, acima de tudo, a distribuição dos recursos. Há recursos que necessariamente vão ter que ser concentrados, não há como fugir a isso.

Fernando Leal da Costa, muito obrigado por ter estado em direto conosco neste Jornal das duas da tarde. Obrigado. Nesta antevisão àquilo que poderá ser o debate do Estado da Nação, o tema da saúde será certamente um dos temas em destaque durante esta tarde