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Junta-se já a este jornal João Brás Gonçalves, biologista da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Antes de mais, obrigado por esta disponibilidade em estar conosco aqui neste jornal. Bom dia. Já tinha dito aqui na Rádio Observador que não havia evidência científica para que esta vacina da AstraZeneca não fosse dada a maiores de 65 anos. Como é que entende este atraso na decisão por parte da Direção-Geral de Saúde, que hoje acaba por concordar, de certa forma, com o que já tinha dito aqui?

A decisão hoje da Direção-Geral de Saúde, fundamentalmente, vem no seguimento de uma série de dados científicos que nós já tínhamos, mas que houve aqui uma certa precaução por parte da DGS em não aprovar já para maiores de 65 anos, apesar de nós já termos, e a Agência Europeia de Medicamentos já ter os dados que indicavam, não eram dados concludentes, mas indicavam claramente que esta vacina para os maiores de 65 anos já era eficaz. E além disso, nós temos agora dados muito bons, que é na Escócia e na Inglaterra, onde há mais população idosa vacinada com esta vacina da AstraZeneca, que mostra claramente que a eficácia é praticamente semelhante à eficácia das pessoas mais novas e, portanto, isso dá-nos uma grande segurança que esta vacina pode claramente ser utilizada.

João Brás Gonçalves, a vacina da Johnson & Johnson também deverá ser aprovada amanhã. É uma vacina que tem características muito diferentes daquelas que estão a ser usadas nesta altura. Que vantagens é que vai trazer também neste plano de vacinação contra a Covid-19?

As vantagens são claramente da dose única. Portanto, aqui há uma vantagem de aceleração do ponto de vista do número de pessoas que rapidamente poderão ter a totalidade da imunidade mais rapidamente. Nós sabemos que tanto estas vacinas que nós temos, tanto da Pfizer como da AstraZeneca, nós temos que ter duas inoculações e portanto, nós só consideramos que a pessoa está protegida depois das duas inoculações e esta dá-nos aqui claramente um potencial de rapidamente podermos, sem ter a logística toda implementada, de conseguirmos ter uma imunidade mais rápida. Isto são boas notícias que nos estão a aproximar do verão. Ainda bem. Nós pensávamos certamente que depois do verão já tínhamos toda esta imunidade implementada. Esperemos que sim. E estamos a conseguir fazer isso até porque, no fundo, toda esta contenção que temos tido nos ajuda à vacinação. Portanto, eu acho que temos aqui boas notícias, que são boas notícias do ponto de vista da vacina e que temos que estar confiantes.