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Temos agora em direto nesta edição das 19h, João Manuel Brás Gonçalves, diretor do Instituto de Investigação do Medicamento, professor também da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa. Boa tarde, obrigada por estar conosco.
Boa tarde.
Boa tarde. A pergunta aqui é: sabe-se pouco sobre esta nova variante, mas do que sabemos até agora, há razões para preocupação?
Antes de entrarmos numa ansiedade crônica acerca destas novas variantes, o que podemos dizer é que esta variante é descendente, entre aspas, de outra de setembro, como disse muito bem. E essa variante de setembro não conseguiu, de maneira nenhuma, sobrepor-se à variante Delta. Portanto, neste sentido, penso que esta variante é apenas mais uma, e que vão aparecer certamente outras, mas que não vai conseguir suplantar claramente esta disseminação massiva que estamos a ver com a Ômicron. Penso que a Ômicron é muito mais transmissível que o Delta, faz uma disseminação na população muito maior que o Delta e certamente será muito maior do que esta que está a aparecer. Mas de qualquer modo, é necessário mantê-la em vigilância. Mas eu penso que não há uma necessidade de uma ansiedade muito grande acerca desta variante.
E era precisamente por isso, para esclarecer, porque quando há notícias sobre novas variantes, pode haver esse alarmismo social. Mas pelas suas palavras, depreendo que não há então razão para preocupação maior, tendo em conta que já foi identificada há alguns meses e não se sobrepôs nem à variante Delta, nem agora à Ômicron, que de resto já representa 90% das infecções em Portugal. Estamos próximos de chegar aos 100%?
Estamos próximos de chegar aos 100%. É relativamente importante que esta disseminação do Ômicron seja perto dos 100%. Significa que temos aqui uma vantagem desta variante superior ao Delta, que vai, no fundo, nos proteger da entrada de outras variantes relativamente mais patogênicas, mas menos transmissíveis. E, portanto, esta disseminação é algo expectável, que vamos assistir, certamente na próxima semana, a uma diminuição dos casos à medida que ela se vai implementando. Mas eu penso que este domínio do Ômicron vai ser certamente quase que uma arma biológica, entre aspas, para a disseminação de outras variantes.