“Nada o explica, nada o desculpa.” Foi com estas palavras que o presidente francês se dirigiu aos autores dos tumultos deste sábado em várias cidades francesas, num discurso ao país. Emmanuel Macron definiu o sucedido, que levou a pelo menos 2.300 detenções, como “um momento de extrema gravidade”. O Ministério do Interior aponta que 997 agentes das forças de segurança ficaram feridos; sete, com gravidade.

“Grupos de extrema-esquerda a que se juntaram vários delinquentes saquearam lojas e edifícios públicos foram destruídos. Porque é que queimaram a câmara municipal de Limoges?”, questiona. “Como é que puderam chegar a este ponto? Nada o explica, nada o desculpa. Todos sentimos raiva e vergonha.”

“Ontem, apesar do seu profissionalismo, as forças da ordem sofreram uma violência sem precedentes”, salienta o presidente francês, que expressou o “apoio da nação” às mesmas.

Quanto aos comerciantes afetados, “não serão deixados sozinhos face às dificuldades”. O primeiro-ministro irá presidir a uma reunião de crise para mobilizar “ajudas o mais rapidamente possível” e acompanhar os afetados pela violência.

O governo francês terá ainda que retirar “lições” do sucedido, quanto a informação prévia e antecipação, para que estas cenas “não se possam reproduzir”. “Espero respostas claras e com a maior transparência.” Quanto às investigações, “serão conduzidas com a maior diligência, o mais rápido possível”.

“Aqueles que destruíram têm que pagar, aqueles que tentaram fazer tombar a República terão que responder por isso”, rematou, ao ressalvar que os manifestantes que expressam as suas reivindicações devem ser distinguidos dos saqueadores.

Emmanuel Macron deixou ainda palavras aos mais jovens que se manifestaram em liceus e universidades, dizendo compreender a sua “angústia profunda” relativamente às condições de vida e dos estudos, e o futuro. “A nossa responsabilidade é dupla: entender a cólera e agir sobre as suas causas, e fazer firmemente respeitar a ordem republicana.”

“O país precisa de ordem, apaziguamento, não de uma escalada” de violência. O governo francês irá contactar com estudantes, professores, sindicatos, e organizações patronais para responder às reivindicações dos jovens. “Não podemos pedir aos nossos jovens que creiam no futuro sem lhes dar a possibilidade de construir as respostas e de terem um lugar à mesa.”

Quanto aos autores dos atos violentos, Macron promete ser “inflexível”. “Escutar e dialogar não querem dizer fraqueza nem impunidade.”