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É um bom nome? Que expectativas? É a pergunta que faço a Paulo Macedo, presidente do SPP, o Sindicato dos Profissionais de Polícia, um dos mais representativos da classe. Bem-vindo a esta emissão. É uma escolha acertada, Paulo Macedo?
Estou sim, boa tarde. O Sindicato dos Profissionais de Polícia, quanto a esta nomeação, gostaria de iniciar desejando muito sucesso para esta nova fase que agora inicia. O nome diz-nos que é alguém com muito currículo, mas não é o currículo que nos interessa. Interessa-nos alguém que tenha a competência de resolver os vários problemas que ainda existem na PSP. Nós, como foi falado ainda agora, temos graves problemas no que diz respeito à violência que é praticada contra elementos da polícia, neste caso da PSP, mas não só. A legislação terá que ser adequada quanto a esse problema e teremos que ter algumas formas de combater esta situação. Também temos problemas muito graves no que diz respeito à idade da pré-aposentação, em que temos, neste momento, mais de 3500 policiais, aproximadamente 4000 policiais, que ainda estão no ativo, mas que já deveriam estar pré-aposentados e isso é um problema muito grave.
Apresenta já aqui, Paulo Macedo, o seu caderno reivindicativo e que seguramente terá a oportunidade de apresentar à nova ministra. A nova ministra que enquanto Provedora de Justiça manifestou muita preocupação, como já aqui demos conta, com aquilo que define como racismo sistémico nas forças de segurança. Que comentário lhe merece alguma preocupação sobre aquela que vai ser a atuação da nova ministra?
Sim, aquilo que está a referir, realmente, ocorre, mas é no sentido inverso, ou seja, quem é agredido diariamente são os policiais e não os cidadãos. Os cidadãos, sempre que há alguma dúvida, um polícia tem uma série de entidades que vão avaliar o seu trabalho e é punido se não agir de acordo com aquilo que está previsto. Já o contrário, isso não acontece, porque nós temos centenas, milhares de policiais agredidos em cada ano. Temos todos os dias policiais a serem agredidos pela sua profissão, pela profissão que desenvolvem. E temos também, depois, o que resulta da falta de condições de trabalho e de falta de apoio da tutela na maior taxa de suicídios existente em qualquer profissão em Portugal, destacada por muitos números.
Será seguramente um problema, e deixe-me só fazer aqui uma retificação, sob pena de ter arranjado aqui um conflito institucional entre o SPP e a nova ministra, que ainda não assumiu funções, só o deverá fazer amanhã. A nova ministra tem sido, sim, crítica dos relatórios internacionais sobre violência policial e racismo sistémico nas forças de segurança. E sim, e não apontando para os riscos desse racismo nas forças de segurança. Paulo Macedo, fica aqui a primeira reação do SPP, a segunda estrutura sindical mais representativa dos agentes da Polícia de Segurança Pública. Muito obrigado pela sua presença nesta emissão da Rádio Observador.