Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Está conosco, em directo neste jornal, o Presidente da Câmara Municipal de Mirandela, Vítor Correia. Mirandela foi um dos concelhos mais afectados pelos incêndios das últimas semanas. Muito bom dia, Vítor Correia.

Bom dia.

Já há uma contabilização dos estragos causados pelas chamas. Foram consumidos cerca de 5800 hectares.

Sim, exatamente, é como disse. Foram consumidos 5800 hectares, 1800 deles da área agrícola, de olival, vinha, sobretudo assuntos que se relacionam com a economia diária das nossas populações. A nossa população é muito dependente das explorações agrícolas, do cultivo, e que é necessário repor o mais rápido possível essa capacidade produtiva. E é isso que estamos a fazer. Neste momento, apenas temos a área ardida, não temos ainda a avaliação dos prejuízos em termos de valores, mas estamos, juntamente a Câmara Municipal de Mirandela, mais a CCDR-N, que logo no primeiro momento se disponibilizou, à semelhança do incêndio do ano passado, para fazer equipas que venham aqui dar o apoio e para que os prejuízos possam ser ressarcidos o mais rápido possível, porque os agricultores precisam disso mesmo.

Claro, e falou já dos incêndios do ano passado. Estamos a olhar para uma situação que é muito recorrente. Como é que se recupera de um ano para o outro?

É muito difícil recuperar. E uma das nossas preocupações, que temos dado a todas as entidades dos três Estados, já tivemos cá o senhor Ministro da Agricultura, já tivemos cá o senhor Secretário de Estado da Protecção Civil, ontem tivemos o senhor Ministro da Administração Interna, enfim, a nossa preocupação é sempre a mesma, que é sempre garantir que as populações, que os agricultores, não desistam. Nós temos aqui uma capacidade de resiliência enorme, mas percebemos que os nossos agricultores têm uma média de idade acima dos 65 anos, e isso é complicado. Estão todos os anos fustigados por estes incêndios e depois começa a ser difícil se as medidas não forem práticas, não forem rapidamente colocadas no terreno e que se sintam apoiados pelos governantes, quer locais, quer nacionais, é difícil de retomar. Porque, de facto, o quadro é bastante negro e nós não vemos medidas que estejam já mais ou menos desenhadas e que sejam implementadas no terreno. E aquilo que eu pedi ontem ao senhor Ministro da Administração Interna é que tudo aquilo que já foi feito o levantamento, porque os levantamentos estão feitos, é preciso agora tomar medidas concretas para que o terreno possa sentir, o território possa sentir que elas são aplicadas e para que não possa voltar a acontecer. Agora, nós sabemos que a questão dos incêndios não é uma questão que veio só esporádica, é uma questão que, em função de todas as alterações climáticas, de todo o nosso mosaico do território, também tem que ser alterado. E é por aqui que nós temos que, sobretudo, trabalhar ao nível da prevenção. Aliás, o paradigma já foi completamente alterado. Ainda ontem o senhor Ministro dizia, e bem, que havia uma altura em que 20% apostava-se na prevenção e 80% no combate. Neste momento, já está mais ou menos a metade, metade na prevenção e metade no combate, mas efetivamente ainda é pouco e nós temos de perceber que há muito ainda a fazer para evitar que se repitam estes maltes.

Ouviu seguramente ontem o Presidente da República a dizer isso, que as medidas devem sair da gaveta e que pouco foi feito desde os grandes incêndios de 2017. Subscreve o que disse o presidente?

Sim, aliás, subscrevo eu e subscreve toda a gente. Nós, neste momento, muito mais do que fazermos uma análise das razões, é preciso operacionalizar essas razões. E mesmo até a legislação ser um pouquinho mais assertiva naquilo que é a aplicação das contraordenações por falta de cumprimento da legislação.

É preciso ir por aí.

Sim, nós temos que tomar medidas mais assertivas e quando digo mais assertivas, nós temos a identificação do terreno e sem estar aqui a querer repetir, nós temos que perceber porque é que o terreno, porque é que algumas questões não são devidamente tratadas. Nós sabemos que há muito abandono, abandono das terras, por várias razões, porque não há garantia de rentabilidade da produção, mas quem não trata as terras, se não trata as terras, pode efetivamente vendê-las, cedê-las, alugá-las a quem as pode tratar. Isso pode ser aqui também uma das formas de nós ultrapassarmos isso, porque onde é que está a agricultura, onde é que há cultivo, há efetivamente menos incêndios, há um controlo maior desses incêndios. Hoje a agricultura é vista como uma forma de controlo, uma forma de garantir que o meio ambiente seja sustentável. Precisamos de ter mais terreno produtivo, mais terreno agrícola em produção e tratado. E é nessa medida que temos que evitar o abandono. E é por aí, quando eu dizia há pouco, falava de legislação, legislação tem que ser mais assertiva no sentido de poder permitir que alguém possa adquirir, seja de que forma for, essas mesmas terras, para que possam ser tornadas produtivas.