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Apito inicial para mais um Sem Falta. Como sempre, com o ex-árbitro Pedro Henriques. Como sempre, com o ex-árbitro Pedro Henriques, este Sem Falta especial quanto à final da Taça da Liga, uma final que os Leões venceram por 1 x 0, com gol de Pedro Porro. Bem-vindo, Pedro Henriques.
Boa noite.
Pedro, vamos olhar para esta equipa de arbitragem, liderada pelo árbitro Tiago Martins, hoje com assistência de André Campos e Pedro Mota. O quarto árbitro foi Manuel Mota, com vídeo-árbitro de Hugo Miguel e assistente de vídeo-árbitro, Ricardo Santos. Vamos, como sempre, em primeiro lugar, olhar para os lances antes da classificação final. Hoje com muitos lances, também com muitos cartões mostrados. E vamos começar ao minuto 24, logo com um cartão amarelo mostrado a Jóvane Cabral, o jogador do Sporting foi carregado por trás. Pergunto, Pedro, se foi uma decisão correta.
Ora bem, não concordo com este cartão amarelo mostrado ao Jóvane, porque exatamente como disseste, o Jóvane inicialmente é ele que é carregado por trás e depois ele desequilibra-se e ao tentar chegar à bola, disputando a bola com o adversário que estava à sua frente, acaba por ele próprio ser pisado. O árbitro tem uma interpretação diferente, que ele entra de forma negligente nesse seu adversário, mas depois a repetição mostra que ele foi pisado. E, portanto, um cartão amarelo mal mostrado, não só pelo lance em si, mas por toda a gestão que estava a ser feita do jogo até aquele momento, em que em situações de contactos e de algumas faltas, o árbitro, e no meu ponto de vista, até ali bem, estava a não atuar disciplinarmente, porque nenhuma delas mereceria ainda o respectivo cartão amarelo. E esta também não. Portanto, houve aqui um erro claro na mostragem deste cartão amarelo.
Vamos avançar então ao minuto 31, também com o Jóvane Cabral como protagonista. Pisou Matheus de forma negligente. Pergunto se havia aqui motivo para cartão amarelo.
Aqui sim. É uma bola perdida, o defesa do Braga está a proteger a bola para o Matheus agarrar. É óbvio que o Jóvane tem a intenção clara de tentar chegar a essa bola para ver se ainda a consegue tirar do alcance do guarda-redes, mas não só carrega o defesa, até aí tudo bem, utilizando o corpo, como depois com o pé, ao tentar chegar à bola, acaba por pisar de cima para baixo o pé do Matheus, que de resto até ficou lesionado. Esta sim, era infração para cartão amarelo, pela tal infração negligente. Ora, o Jóvane já tinha um cartão amarelo e tínhamos aqui uma situação um bocadinho complexa, que era se o árbitro consegue se aperceber desta situação, iria expulsá-lo. O segundo cartão amarelo era bem mostrado, o primeiro era errado, então estaríamos a falar de um jogo completamente diferente. Digamos que é o escrever direito por linhas tortas. De certa forma, ainda bem que acabou por não mostrar, porque o primeiro tendo sido mal mostrado, teríamos aqui uma expulsão que era injusta. De qualquer maneira, isolando os lances, este minuto 31 era cartão amarelo para Jóvane pelo pisão que fez negligente sobre o Matheus.
Decisão errada do árbitro nesta partida. Vamos avançar um minuto com mais um cartão amarelo mostrado a Sequeira. Pergunto se desta vez também é uma má decisão.
Má decisão também. O Tiago Tomás está de costas pro Sequeira, está na zona do meio-campo. Um lance absolutamente normal, ele recebe a bola. Quando contorna e passa de forma clara sobre o Sequeira, o Sequeira com a perna direita tenta chegar à bola, não consegue, rasteira o seu adversário. Nem a zona do terreno tinha qualquer problema relativamente a ser uma jogada de perigo ou ataque prometedor, nem a infração em si passou de uma mera rasteira normal, imprudente, portanto, sem cartão amarelo. E portanto, o árbitro acaba por mostrar um bocadinho, na perspectiva de já tendo mostrado ao jogador do Sporting, acaba por tentar daqui dar uma maneira, acaba por equilibrar. Mas equilibra de forma errada e, portanto, um cartão amarelo mal mostrado.
Vamos avançar mais um minuto e aqui com um lance caricato, vamos dizer, Pedro, porque não é, pelo menos, habitual vermos os dois treinadores das duas equipes a serem expulsos na mesma altura. Mas foi o que aconteceu. Ao minuto 33, tanto Carlos Carvalhal como Rúben Amorim foram expulsos com cartão vermelho direto. Foi uma boa decisão do árbitro Tiago Martins neste lance.
Temos que ver isto sob duas perspectivas. Primeiro, o árbitro quando vai supostamente aos bancos para expulsar alguém, muitas vezes nem sabe por que ele vai fazer. Isto é, eu explico, se o árbitro assistente ou o quarto árbitro entenderem que houve uma utilização de linguagem ofensiva ou grosseira, o que quer que seja, ou gestos, ou atitudes, dizem ao árbitro: "Olha, expulsa o treinador, treinador junto, quem quer que seja". Como é uma equipa, a equipa de arbitragem confia uns nos outros, não vão todos perder tempo para tentar perceber a explicação. Portanto, ele expulsa e depois, na matéria de relatório, como tem que ficar tudo muito bem explicado, é aí que o quarto árbitro, o árbitro assistente, quem tomou essa iniciativa, vai dizer ao árbitro: "Olha, a palavra foi esta, foi isto, etc". Isto para dizer que, provavelmente, aquilo que o árbitro vai escrever no relatório, que terá sido insultos, de certeza, por aquilo que nós vimos nas imagens, que vimos na perspectiva só visual, não ouvimos nada. Terá sido por insultos recíprocos entre os dois treinadores e, portanto, insultos com linguagem que se enquadra em injúria, ofensas ou grosseira, com os tais palavrões. E, portanto, olha, se isso fosse um teste escrito, a pergunta era: foram bem expulsos? Bem, com aquilo que eles vão escrever no relatório, de certeza que a resposta é sim, foram bem expulsos, porque objetivamente houve ali linguagem que se enquadra na lei. Ponto final, parágrafo. Mas é a questão do bom senso e da gestão do jogo e deste jogo muito em particular. E, portanto, o quarto árbitro e o árbitro assistente nem sequer deviam ter chamado o árbitro. Cada um deles, até porque um árbitro assistente está com um treinador e o quarto árbitro está mais próximo do outro treinador, agarravam nos treinadores, falava: "Calma, cuidado com a linguagem, senão a gente tem que chamar o árbitro". Criavam ali uma situação diferente. Ou então, que para mim ainda era mais assertivo, para mostrar autoridade e até para mostrar inteligência em relação à gestão do jogo, o árbitro ia aos bancos para verbalmente falar com cada um dos treinadores. E as pessoas que estavam cá fora, neste momento não há público, mas quem está a ver o jogo diz assim: "Olha, o árbitro já foi ali, deu uma advertência verbal a cada um dos treinadores, já os avisou". E se eles fossem reincidentes, o árbitro depois iria lá mostrar o cartão vermelho direto, passado um, dois, 10 minutos. E aí toda gente compreendia. O árbitro já lá foi, já fez o papel dele, já os advertiu, já os levou até ao limite, eles excederam-se e ninguém ia colocar isso em questão. Portanto, para nós percebemos Obviamente, aquilo que ele vai escrever no relatório e que com certeza terá razão para sustentar a expulsão, porque senão era ele, o árbitro, que era penalizado, e eu não tenho dúvidas que houve ali insultos, mas outra coisa é a gestão, as leis são 17, a 18ª lei, que é muito importante, gestão do jogo, gestão deste jogo em especial, que isto é uma final chamada mata-mata. Portanto, podia haver aqui uma atitude e um complemento diferente, ou por parte dos assistentes ou quarto árbitro, nem sequer chamavam e resolviam, ou chamavam o árbitro para ele verbalmente ou até disciplinarmente poder mostrar algum cartão amarelo, mas haver aqui, digamos, um passo intermédio, não a expulsão direta. No meu ponto de vista, má gestão do jogo sob o ponto de vista do bom senso, neste aspecto da expulsão dos treinadores.
Pedro, três minutos depois, ao minuto 36, Fran Sérgio atinge com o braço Tiago Tomás, ficou em mau estado o avançado do Sporting. Pergunto se merecia aqui um cartão, Fran Sérgio.
Sim, aqui claramente cartão amarelo, entrada negligente. O Fran Sérgio, o único objetivo que tem é acertar na cara do adversário. Não o agride, é um fato, mas tem uma entrada negligente, não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato, única e simplesmente para travar o seu adversário. E a lei, neste momento, já disse isto aqui várias vezes, é muito clara quanto à utilização de mãos, braços e cotovelos. Em relação à zona mais protegida do corpo que eles querem que seja protegida, cabeça, cara, rosto, pescoço, é algo que a lei tipifica como pelo menos cartão amarelo, a não ser que haja uma agressão. E aqui não houve agressão, mas era uma situação para cartão amarelo. Relembro que o protocolo do vídeo-árbitro não permite o vídeo-árbitro intervir em situações de cartões amarelos, nem que fossem o segundo. Portanto, isso para relembrar que só em vermelhos diretos.
Vamos avançar até ao minuto 41, último lance desta primeira parte, com o gol do Sporting, marcado por Pedro Porro, um lance que, de resto, mereceu muitas críticas por parte do presidente do Sporting Braga no final, na conferência de imprensa, a deixar críticas quanto à falta de Almusrati. Pergunto, Pedro, se António Salvador tem razão nas críticas e se o gol do Sporting deveria ter sido anulado.
O gol tem duas componentes: tem infração e tem o pós-infração, após a execução do pontapé livre. Vamos começar pelo fim. Quando o livre é executado e todo o momento que ocorre entre o livre ser executado e o gol, é tudo legal. O Coates faz a assistência, o Pedro Porro não está em fora de jogo e não há qualquer infração, portanto, gol legal. Relembro que o vídeo-árbitro, como é um gol, vai ter que sempre rever o lance a partir do momento que o livre é executado. Mesmo que o livre tivesse sido mal assinalado, o vídeo-árbitro não se pode intrometer. O protocolo não permite o vídeo-árbitro intrometer-se num pontapé livre. Como não se pode intrometer num pontapé de canto que seja errado ou num pontapé de baliza, se depois de um pontapé de canto, lançamento mal executado, que devia ser para outra equipe ou de um pontapé livre que existiu ou que não existiu, se surgir o gol, o vídeo-árbitro não pode anular. Portanto, o protocolo não permite. E para nós percebermos que aquilo que o protocolo permite é a partir do momento que o livre é executado, se há alguma infração, e não houve, não há fora de jogo. Relativamente também à questão do pontapé livre, é um pontapé livre claro e evidente. O Almusrati, efetivamente, chega primeiro à bola e toca na bola, mas não para o seu movimento e o Palhinha, que chegou depois de ele tocar na bola, é claramente pontapeado. E portanto, é para nós percebermos que o fato de se jogar na bola primeiro não invalida que ações subsequentes não sejam faltosas. Temos é que ver depois qual é a ação que ocorre. Isto não é a mesma coisa que o guarda-redes quando sai, que toca na bola e toca no adversário. São situações distintas. E aqui, de forma clara, o Almusrati, na forma como aborda o lance, que é imprudência, nem sequer é negligência, é imprudência, que é um patamar abaixo, não tem situação disciplinar. Basicamente não tem atenção e consideração para com o adversário, isto é a linguagem técnica que está na lei. Portanto, ele pontapeia a bola, mas já de continuo e praticamente simultâneo, pontapeia o Palhinha e derruba-o. E portanto, há aqui uma infração clara e evidente que foi bem assinalada pelo árbitro. De qualquer maneira, mesmo que o livre fosse eventualmente mal assinalado, há uma diferença entre um livre que é assinalado a 50 metros da baliza, do qual depois vai resultar uma ação subsequente, um gol, e um livre. Imaginemos que este livre era entrada da área e que era mal assinalado e que o jogador que executava, executava o livre direto e marcava o gol. Aí poderíamos falar eventualmente de uma maior influência relativamente ao lance, embora o protocolo não pudesse anular. Agora estamos a falar de um pontapé livre a 50 metros. Portanto, o erro que ocorre aqui, para já o árbitro não errou, acertou na decisão e portanto, se houver erro, eventualmente, isso não é minha competência, será na colocação dos jogadores defensores, de deixarem o jogador aparecer sozinho, isolado, etc. Haverá outros erros de outros intervenientes que não o árbitro. O árbitro acertou no pontapé livre, o árbitro acertou porque não há nenhuma infração de fora de jogo, o gol é completamente legal.
Primeira parte para esquecer um pouco a equipa de arbitragem, ainda que com este último lance bem assinalado, bem validado.
Desculpa interromper, o próximo lance que tens aí, eu mandei-te como minuto 46, mas é 45 mais um, portanto, ainda é da primeira parte.
Então ainda vamos à primeira parte, sem problema. Ficamos aqui a desvendar também um pouco dos bastidores do nosso "Sem Falta". Vamos então a esse minuto 46, ainda na primeira parte, com queixas do lado do Sporting de Braga, sobre um lance de Sebastián Coates. Havia ou não motivo para haver o pênalti para o Sporting de Braga neste lance?
Não, boa decisão da equipa de arbitragem. No primeiro minuto de tempo perdido, de desconto, o Coates na sua própria área, estica o pé e toca claramente na bola. Ponto final, parágrafo. E portanto, não há qualquer infração sobre o Alan Ruiz. Boa decisão da equipa de arbitragem, arriscou. É daqueles lances que se o jogador não acerta na bola e a bola não estando lá ou falhando a entrada e acerta no adversário, era o pênalti clássico, mas não. Boa decisão, toca claramente e única e exclusivamente na bola. Boa decisão, não havia motivo para o pontapé de pênalti.
Agora sim, vamos então a essa segunda parte e começamos com o minuto 65, com mais um pedido de grande penalidade por parte da equipa do Sporting de Braga, desta vez com um lance em que há uma bola no braço de Gonçalo Inácio. Pedro Henriques, havia aqui motivo desta vez para assinalar pênalti para a equipa do Braga?
Não houve motivo para pontapé de penalty. É uma bola que vai claramente ao braço, não é o braço que vai ao encontro da bola. O Gonçalo Inácio tem o braço encostado ao corpo, não faz nenhum gesto deliberado, não ganha volumetria, não toma nenhuma ação no sentido de tentar interceptar a bola com o braço e, portanto, é a chamada bola inesperada, não deliberada, sem volumetria, braço em posição normal, natural, junto ao corpo. Não havia motivo para pontapé de penalty.
Seis minutos depois, ao minuto 71, todos os adeptos do Braga em casa certamente se terão levantado do sofá. Paulinho isolado atira à trave da baliza defendida por António Adán, mas o lance estava em fora de jogo, certo, Pedro?
Na minha opinião, sim. Vamos ver, não há nenhuma repetição com imagens paradas. A única repetição que deram, lateral da câmera do fora de jogo, foi em movimento normal e por essa repetição parece-me que ele estava ligeiramente adiantado em relação ao adversário. Mas em relação aos foras de jogo, nós estamos agora, felizmente, com as tecnologias das linhas de gol e com a intervenção do vídeo ao árbitro, estamos perfeitamente tranquilos, porque se a bola terminasse no fundo das redes do Sporting, teríamos uma situação que o VAR obrigatoriamente teria que rever e com a tecnologia de linha de gol iríamos dizer se estaria ou não adiantado. Portanto, estaríamos tranquilos e descansados. A equipa de arbitragem não deu fora de jogo, para eles foi um lance legal. De certa forma, o árbitro assistente cumpriu aquilo que está escrito, nós normalmente dizemos que em caso de dúvida deixa seguir, neste caso era em lance de limite de um jogador fora de jogo, deve deixar prosseguir. Fez isso e, portanto, tomou essa decisão que é o que é aconselhável aos árbitros assistentes. De qualquer maneira, pareceu-me que se caso houvesse gol, seria anulado por fora de jogo.
Vamos avançar para dois cartões amarelos. Primeiro, ao minuto 76, cartão mostrado a Nuno Mendes, o lateral do Sporting. Viu de forma correta aqui o cartão amarelo?
Sim, é uma pisadela sobre o pé, obviamente, do Yuri Medeiros, uma entrada negligente sobre o jogador do Braga, bem mostrado o cartão amarelo.
Minuto 81, mais um amarelo, desta vez a Pedro Porro, o homem do jogo, por falta sobre Galeno.
Sim, é uma falta no corredor esquerdo. O Galeno está a tentar no um contra um passar por ele, Pedro Porro rasteira, o Galeno iria embalar se passasse sem falta pelo Pedro Porro, iria entrar pelo lado esquerdo da área, portanto, a tal situação já de um ataque promissor, uma jogada de algum perigo e por isso, não tanto pela falta em si, mas sobretudo pelo local da falta em termos do espaço do terreno de jogo, por isso o cartão amarelo foi bem mostrado.
Vamos avançar até ao minuto 85, um dos momentos do jogo. O Sporting de Braga ainda marca numa recarga, coloca a bola dentro da baliza de António Adán, mas foi anulado o gol por fora de jogo. Pergunto se foi bem anulado este gol, que seria o do empate do Sporting de Braga.
Sim, bem anulado. Na primeira repetição vê-se o Yuri, que é quem faz a recarga. Percebe-se que no momento do remate do seu colega, o Yuri está muito adiantado em relação ao adversário. E quando digo muito adiantado, não é centímetros, aqui seria mesmo metros. Portanto, bem anulado o gol ao Sporting Braga por fora de jogo. De resto, houve logo essa perceção por parte do jogador do Braga quando fez o gol.
Minuto 87, mais um cartão amarelo, mais uma vez a um elemento do Sporting, a Matheus Nunes. Foi bem mostrado este cartão ao médio do Sporting?
Sim, este é um lance muito no limite, que em câmera lenta ficamos com a ideia que podia ser mais que cartão amarelo. Em jogada normal, ficamos pelo cartão amarelo. O Novais, que é quem tem a bola, o Matheus Nunes ao tentar aparentemente acertar a bola, falha claramente a entrada e acaba por pontapear na zona do baixo-ventre o Novais. É uma infração, no mínimo, negligente, portanto, cartão amarelo claro, mas o Matheus Nunes pôs-se de jeito de eventualmente haver aqui outra interpretação. O vídeo árbitro foi ver com certeza este lance pra perceber se havia cartão vermelho direto, por não ser uma situação clara e óbvia, obviamente, não se intrometeu. Fez bem. Na minha perspectiva, é amarelo, mas é um amarelo muito no limite pela forma como o Matheus Nunes acabou por acertar e pontapear Novais.
Pedro Henriques, já estamos a chegar ao fim. Temos aqui vários lances dentro do período de compensação, o período de descontos, o que mostra também como foram os momentos finais desta final da Taça da Liga. Vamos começar ao minuto 94, 90 mais quatro. Um cartão amarelo, primeiro para Al Musrati, desta vez para o lado do Sporting de Braga. Foi bem mostrado este cartão ao médio líbio?
Sim, bem mostrado. É na zona do meio-campo, ele falha completamente a entrada, acaba por acertar e rasteirar o Palhinha. É uma entrada negligente, bem mostrado este cartão amarelo.
Ao minuto 95, um minuto depois, foi Pedro Gonçalves que passado um minuto ou dois até acabou por ser expulso, mas primeiro Pedro Gonçalves a receber cartão amarelo. Foi bem mostrada esta cartolina a Pedro Gonçalves?
Sim, foi bem mostrado, talvez por dois motivos. Eu acho que o árbitro mostra logo pelo primeiro motivo, que é os protestos em relação a uma decisão que o árbitro assistente deu de infração. De qualquer maneira, o Pedro Gonçalves depois agarra na bola, leva a bola. Portanto, há aqui uma mistura de protesto com comportamento desportivo e não deixar que o jogo recomece e, portanto, por tudo isto, o cartão amarelo foi bem mostrado.
Vamos avançar mais um minuto, até ao minuto 96, primeiro com Luís Neto a receber um cartão amarelo, mesmo ali nos últimos instantes do jogo.
Exato. Uma falta, mesmo à entrada da área, talvez o último lance praticamente do jogo, um livre muito perigoso contra o Sporting, não tanto pela infração em si, mas pela zona do terreno onde foi feita essa falta, acabou por cortar ali uma jogada de perigo, um ataque promissor, bem mostrado o cartão amarelo.
E ao minuto 96, agora sim, um dos lances capitais da partida, com a expulsão de Pedro Gonçalves, um dos principais homens do Sporting esta temporada. Um cartão vermelho. Ficamos um pouco sem saber o que terá acontecido nesse lance, Pedro.
Sim, por palavras, de certeza, porque a maneira como foi todo o desenho, o árbitro estava a colocar a bola para o pontapé livre, estava a marcar distância e de repente sai um cartão vermelho. Portanto, provavelmente, ou quase de certeza que terá sido por palavras, utilização de linguagem injuriosa, ofensiva ou grosseira e, portanto, duvido que seja esse o motivo do cartão vermelho.
Pedro, e já agora aproveito para perguntar. Tenho visto muito essa questão, principalmente nas redes sociais, até porque está se a aproximar um Sporting e Benfica e este cartão vermelho pode ter implicações para Pedro Gonçalves, para o derby?
Se for um jogo, cumpre no próximo.
Ou seja, contra o Boavista.
Exatamente. Cumpre já no próximo contra o Boavista. Se for mais do que um jogo, obviamente, neste caso dois, cumprirá dois jogos e o segundo jogo implica, como o Sporting neste momento não está na Taça de Portugal, irá cumprir sempre, porque as expulsões, seja por acumulação de cartões amarelos, que não é o caso aqui, as task five que normalmente existem na liga, quando faz cinco cartões amarelos, normalmente cumpre sempre na mesma competição. Isso que eu quero dizer. Quando é na liga, o jogo castiga sempre na competição da própria liga. Quando são situações de duplo amarelo, que não foi o caso, ou de vermelho direto, como foi o caso, cumpre sempre, se for um jogo, sempre o jogo imediatamente a seguir, seja qual for a competição interna. Portanto, o Sporting neste momento, o próximo jogo em competição interna é com o Boavista. Esse jogo, de certeza que vai levar pelo menos um jogo castigo, fica de fora. Se por acaso levar mais do que um jogo castigo, aí como o Sporting não tem Taça de Portugal, vai ser esse jogo com o Boavista e será o jogo contra o Benfica. Agora tudo depende. Digamos que quem ministra esta disciplina tem lá as tabelas deles, tem aquelas questões das reincidências, já foi expulso, se não foi, e tem depois a reincidência para os atos. Quando é condutas violentas, quando é brutalidade, quando é linguagem. Tudo depende efetivamente daquilo que o árbitro agora for escrever no relatório. Isso vai ser determinante para quem administra a disciplina ir administrar o tal, no mínimo, um jogo castigo ou mais do que um. E se for mais do que um, ficará de fora no jogo com o Benfica.
Resta agora esperar por essa penalização, Pedro Gonçalves. Vamos terminar, Pedro, com um vermelho para um elemento do banco ao minuto 97, mais um cartão vermelho nos bancos de suplentes.
Eu aproveito isto aqui para dizer o seguinte, eu não sei para quem foi. Às vezes a gente pode não conhecer a pessoa, mas eu nem sei para quem foi o cartão vermelho. E aqui mostra algo que eu não gostei da parte da arbitragem. É que já nos cartões vermelhos aos treinadores, é lógico que os treinadores sabem que foi para eles. É lógico, porque está lá o quarto árbitro, e foram eles que se foram embora e que saíram do banco. Mas não é assim que se mostra um cartão vermelho à distância. A autoridade impõe-se, não é autoritarismo, com rigor, claro que sim, mas também com educação e respeito para com os intervenientes. E a educação e respeito de um árbitro que mostra o cartão amarelo ou vermelho, é de forma clara, isolar as pessoas ou ir ter perto das pessoas e mostrar, não com aquela agressividade que às vezes a gente vê o árbitro com o cartão na mão, etc. Não! Mostrar o cartão amarelo ou vermelho com autoridade e ao mesmo tempo humildade. E estes cartões foram dados todos à grande distância. Isso não é assim que se faz. Isto revela, no meu ponto de vista, aquilo que eu vou dizer e a nota que eu vou dar relativamente ao Tiago.
E vamos a ela, Pedro.
Na nota final. Pronto, e a nota que eu vou dar, eu vou ter que dar nota positiva baixa, ou seja, não posso dizer que não posso dar nota positiva, que é o cinco, porque objetivamente não temos aqui um pênalti ou dois, ou um cartão vermelho de um jogador que devia ter sido ou não devia ter sido, não temos um gol em fora de jogo, não temos. Aqueles erros graves com influência no resultado. Mesmo que se pudesse considerar que o livre não tinha sido regular, foi um livre a 50 metros de distância. Para isso íamos ter que buscar o lançamento de lateral antes e o pontapé de canto. Não há um erro grave em relação ao jogo, mas há uma má gestão, no meu ponto de vista, daquilo que é a confusão que os árbitros fazem muitas vezes entre autoridade e autoritarismo, e passa uma imagem de arrogância que não faz sentido. Porque eu conheço o Tiago, ele não é arrogante, ele tem qualidades como árbitro, é uma pessoa com quem nós conseguimos falar e estar. Só que ele transmitiu exatamente tudo ao contrário em termos de sua body language, da sua postura, da maneira como acabou por gerir este jogo. Não foi, no meu ponto de vista, a forma mais correta. Nós tivemos 46 faltas. Primeira parte com 23. Está bem que estava a chover muito, está bem que o terreno estava escorregadio, mas aquilo aos primeiros minutos foi um concerto autêntico de tapico. E os jogadores sabendo isso, qualquer contato aproveitam-se para cair no chão, porque se o árbitro não for atrás dessas situações, os jogadores pensam: "Não vale a pena cair, senão eu estou a prejudicar a mim e à minha equipa". E é esta forma que os jogadores muitas vezes são liderados pela equipa de arbitragem ou pelo árbitro, exatamente nisto, na maneira como a gente mostra os cartões, na maneira como a gente fala com os jogadores, na maneira como ele poderia ter ido aos bancos acalmar os treinadores, fazendo ali um aviso verbal, acalmando, etc. Essa gestão muitas vezes faz com que o jogo se torne em algo diferente daquilo que aconteceu neste jogo. Até mesmo os minutos finais com muitos cartões, tem a ver exatamente com aquilo que mais me preocupa em relação à arbitragem neste momento, que é os jogadores, não tem a ver com a honestidade nem a idoneidade dos árbitros, tem a ver com os jogadores não acreditarem na forma como os árbitros gerem os jogos e na forma como os árbitros controlam o jogo. Não acreditam. Por isso é que discutem e não aceitam. Por isso é que não aceitam a autoridade dos árbitros na maior parte dos casos. Não concordam com essa autoridade. E isto é a diferença muitas vezes entre uma arbitragem que, podendo ter erros, pode ser mais bem ou menos bem conseguida em relação a treinadores e jogadores. Não gostei da arbitragem, muito honestamente, da forma como ele fez toda a gestão do jogo, da forma dos comportamentos e da gestão, sobretudo disciplinar. Ressalvo, não houve erros graves? Não houve. Tiago Martins é um bom árbitro, tem condições para fazer melhor? Tem, inclusivamente neste patamar, mas hoje não conseguiu. Felizmente, não houve erros graves em relação ao jogo e nesse aspecto, eu acho que a verdade desportiva, sob o ponto de vista de quem pode ter ganho ou ter perdido, neste caso, acho que aconteceu sem que alguém se possa dizer que houve um pênalti ou um gol em fora de jogo. Mas não gostei da gestão. Nota cinco, sendo positiva, positiva baixa, com esta ressalva.
Nota positiva baixa, nota cinco para o árbitro Tiago Martins. Também relembro a restante equipa, os assistentes André Campos, Pedro Mota, quarto árbitro Manuel Mota, vídeo-árbitro Hugo Miguel e o assistente de vídeo-árbitro Ricardo Santos. Foi esta a equipa de arbitragem que hoje esteve presente no Estádio Doutor Magalhães Pessoa, o Estádio Municipal de Leiria, para esta final da Taça da Liga. O Sporting vence por 1x0, é o campeão de inverno desta temporada. Obrigado, Pedro Henriques.
Obrigado, boa noite.