Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Sem falta, na Rádio Observador, vamos analisar o trabalho da equipa de arbitragem do jogo entre o Futebol Clube do Porto e Arouca e também do Sporting Clube de Braga frente ao Sporting. Conosco temos Pedro Henriques. Pedro, boa noite.
Muito boa noite.
Começamos então pelo Porto Arouca, que empataram 1x1. Aos 12 minutos, temos o VAR a reverter um gol irregular de Taremi, por fora de jogo, é isso?
Exatamente. O gol que tinha sido validado inicialmente por parte da equipe de arbitragem, depois o VAR anula e percebe-se que no momento do passe do João Mário para Taremi, Taremi está adiantado 32 centímetros e, portanto, boa decisão depois do VAR ter revertido a decisão inicial.
E aos 35 minutos, há ou não um pênalti sobre Jason?
Não. O Jason está a recuar, o Marcano está nas suas costas e o Marcano toca claramente com o pé direito na bola, cortando a bola, única e simplesmente, o contato é até promovido pelo Jason, que vem a recuar e acaba de costas chocando com Marcano. Mas, de qualquer maneira, o mais importante é que não houve motivo para pontapé de pênalti, boa decisão da equipe de arbitragem.
E também ainda sobre Marcano, aos 89 minutos, há um pênalti sobre Marcano e sobre Fran Navarro.
O lance teve a ser analisado na videoarbitragem e, neste caso concreto, digamos, são duas situações seguidas, praticamente, em que na primeira, o Galovic não arrastará o Marcano, que aparece caído no chão. Ele não chegou nunca a tocar na bola, ele, Marcano, e portanto, aparece fora da zona da bola. E depois, já de contínuo, há um cruzamento pra área e o Fran Navarro, que tem o adversário nas costas, que salta com ele, há contato, mas não há qualquer carga incorreta. E, portanto, nos dois momentos, boa decisão da equipa de arbitragem, confirmada depois por VAR, não houve motivo para pontapé de pênalti.
E já mais perto do que seria o final do jogo, aos 90 minutos, o VAR reverte bem o pênalti sobre Taremi?
Deixando para depois a explicação da tecnologia e da falha tecnologia, olhando só para o lance, para mim, boa decisão, porque não havia motivo para pontapé de pênalti. O Milovanov tem efetivamente um momento em que com o seu braço direito, digamos, que toca no ombro do Taremi, mas é um contato normal dos jogadores que estão em marcação. Não o empurrou, não agarrou no puxão, não o puxou. De resto, Taremi quando cai, fica-se a queixar e faz um gesto muito ostensivo de ter sido empurrado. Isso, então, não existiu mesmo. E, portanto, seria errado se, neste caso concreto, o pênalti tivesse sido assinalado e acabou, pois, por ser revertido com aquela questão, que já vamos falar, da parte tecnológica.
E ao minuto 102 também foi assinalado outro pênalti sobre Taremi. O que tens a dizer?
Exatamente. Eu não concordo com a decisão, embora haja contato, e é o contato do Galovic com o seu joelho direito na coxa esquerda do Taremi, também ao mesmo tempo, nesse momento, com o seu braço esquerdo no ombro esquerdo do Taremi. Mas aquilo que nós normalmente falamos em termos populares, que é a questão da intensidade, nós em termos de arbitragem, falamos na consequência. Ou seja, perceber se esses contatos têm alguma consequência, se o jogador cai, efetivamente, por esse contato ou se projeta. Se perde o contato com a bola, se não consegue chegar à bola, não consegue prosseguir com a bola, o que quer que seja. E neste caso concreto, o contato existiu, mas é o contato exatamente de alguém que está por trás e nas costas. Não parece o suficiente, até porque o Taremi não cai logo, pois dá dois passos e depois é que praticamente cai no chão. Acho que ele tenta tirar proveito, claramente, da situação, para mim, sem motivo para pontapé de pênalti. Neste caso concreto, e como já havia a problemática do visionamento das imagens, não havia esta ligação áudio e de fornecimento de imagens, teria que ser por meio alternativo, neste caso, por telefone. O que se passa aqui é que havendo um contato, o vídeo à árbitro não tinha imagens que pudessem provar que aquele contato era insuficiente para a falta. Ou seja, o vídeo à árbitro não tinha, perante aquela situação, uma situação de erro claro e óbvio, e por isso acabou por aceitar e validar a decisão do árbitro que tomou em campo. No meu ponto de vista, errado, porque, como já disse, para mim, não há motivo para pontapé de pênalti.
E queres falar agora sobre esta falha tecnológica, então?
Exatamente. De forma muito rápida, eu vou dizer o seguinte: o protesto que o Futebol Clube do Porto fez, os protestos podem ser feitos perante erros de direito, não perante erros de fato. O VAR faz parte da equipe de arbitragem. Um erro de fato, e a equipe de arbitragem quando toma uma decisão, normalmente, é pênalti, não ser pênalti, mudar essa decisão, fora de jogo, livre, o que quer que seja, são situações factuais do jogo das quais não se pode apelar. Só se pode fazer apelo em relação a erros de direito. E o erro de direito é quando há uma má interpretação daquilo que é a interpretação do espírito de arbitragem, ou seja, o não conhecimento da lei e aplicação errada. Por exemplo, o jogador faz um lançamento, linha lateral, e marca um gol na baliza adversária e o árbitro, desconhecendo a lei, validava o gol, quando o jogo tinha que começar com pontapé de baliza. E isto não aconteceu. O que aconteceu aqui foi uma situação que está contemplada no protocolo, que é: em caso de falha das comunicações, a utilização de um meio alternativo, que em inglês eles chamam o walkie-talkie, que nós aqui utilizamos como sendo um telefone para fazer essa substituição. E aí, se o árbitro aceitar e confiar na sua equipa de arbitragem, pode aceitar essa decisão, mesmo que não tenha a possibilidade de ver as imagens. Uma coisa era a cidade do futebol não ter qualquer tipo de imagem, aí o jogo prosseguia com arbitragem, entre aspas, à moda antiga. O vídeo à árbitro tinha as imagens e, portanto, tinha as imagens que comprovavam de forma factual e de forma clara e óbvia que realmente não havia motivo para o pontapé de pênalti. Não conseguia passá-las por causa dessa falha tecnológica, são coisas distintas. E aí, o árbitro, de acordo com aquilo que diz o protocolo, pode fazer aquilo que fez. Só pra relembrar, que o que diz em inglês é qualquer coisa como: se as comunicações do sistema falharem, o VAR pode ou deve usar o walkie-talkie, que é a expressão que é usada em inglês, para comunicar com o quarto árbitro ou para notificar a equipa de arbitragem ou ambos Mesmo que não haja that handy review, mesmo que não haja qualquer possibilidade de revisão. Isto está perfeitamente escrito. E depois, na página 148, o protocolo também diz que, em princípio, não dá o 100%, mas diz o quase 100%, "um jogo nunca será invalidado por motivos de:" e depois dá uma série de explicações, "avarias na tecnologia VAR, decisões incorretas envolvendo o VAR, uma vez que o VAR faz parte da equipe de arbitragem, decisões de não reverter uma infração, revisões de situações, decisões não passíveis de revisão". Ou seja, explica que, no fundo e na realidade, quaisquer que sejam os erros e falhas nas avarias tecnológicas, isso não dá direito à repetição do jogo. Há que aceitar aquilo que for, as decisões da equipe de arbitragem ou do próprio VAR. E repito, porque isto é muito importante. E neste caso concreto, que houve uma falha de comunicação visual e áudio, o walkie-talkie, neste caso, não é um walkie-talkie, mas é um telefone, serve para exatamente, mesmo sem qualquer revisão, o árbitro, se confiar na sua equipe de arbitragem, neste caso, no videoárbitro, que faz parte da equipe de arbitragem, aceitar a alteração da decisão. Não houve aqui nenhuma quebra e eu também sei de fonte segura, e quando digo isto é porque sei mesmo de fonte segura, quem é VAR especialista, que posso afirmar que não houve nenhuma quebra de protocolo, nem se fez algo que é incorreto. Não há nenhum erro de direito. Depois as pessoas podem concordar ou não concordar, se é penal ou não ser penal, mas seguiu-se aquilo que está protocolado para quando há uma falha neste sistema. E repito, não foi a sede de futebol que não tinha imagens, não conseguir transmitir, que são coisas distintas.
Então no Futebol Clube do Porto Arouca seguiu-se o protocolo, não há erros. E no frente a frente entre o Sporting Clube de Braga e o Sporting, também acabou 1 x 1. Começamos então aos 27 minutos, não é, com o amarelo a Giocres.
Sim, é uma situação sobre o Niakate, em que ele, Giocres, tentou realmente jogar a bola, mas falhou e acabou por ponteapear de forma negligente o Niakate e, portanto, o cartão amarelo bem mostrado.
E aos 33, o amarelo mostrado a Morita. Também concordas?
Boa também. Sim, uma infração sobre o Abel Ruiz. É a situação clássica que entras para jogar a bola, falhas e pisas com a sola da bota o pé do adversário, neste caso, o Abel Ruiz, e portanto, cartão amarelo bem mostrado.
Aos 38 minutos, temos um gol anulado ao Sporting. Bem ou mal?
Bem anulado, o gol é anulado por um fora de jogo posicional, ou seja, é anulado por causa da posição do pote que nunca tocou na bola. E aqui é bom relembrar a lei 11, o fora de jogo, a página 97, que diz que quando há situações em que o jogador não toca a bola e mesmo assim se considere que ele vai ser penalizado por fora de jogo, por interferir com o adversário. Neste caso, entenda-se o guarda-redes. Quando, por exemplo, impede, neste caso, o guarda-redes, o adversário, de jogar ou poder jogar a bola ou obstruindo claramente a linha de visão. E que nós, pelas imagens por trás da baliza, percebe-se claramente que o pote está na linha da chamada carreira de tiro no momento do remate. Até se vê o guarda-redes do Braga olhar para a esquerda e passar para a direita porque tem alguma dificuldade em ver, eventualmente, a bola partir. Portanto, este é daqueles dos livres, gol bem anulado por fora do jogo posicional do Pedro Gonçalves.
Já no prolongamento do intervalo, foi dado um amarelo a NKT por protestos. Achas que foi bem aplicado?
Exato. Eu quando é protesto, praticamente não tomo posição. Vou sempre aceitar como boa, a não ser que se veja muito claramente ou que não se veja. Aceito sempre como boa decisão, porque o árbitro está lá, é que ouve e muitas vezes vê determinados gestos. Nós só nos limitamos a ver aquilo que as imagens muitas vezes nos mostram em termos televisivos e por vezes há falhas, há coisas que nós não conseguimos ver e, sobretudo, não ouvimos. Por isso aceito como boa decisão a questão do cartão amarelo, do protesto, mesmo que haja razões, porque muitas vezes os jogadores quando protestam, até têm razão, porque foram situações anteriores que não foram julgadas da mesma maneira ou faltas que o árbitro marca e que não são. Mas isso não invalida, ou aliás, não valida que o jogador possa protestar, obviamente. E, portanto, aceito sempre como boa esta decisão.
E já mais para o final do jogo, temos aos 83 minutos um amarelo para Vítor Carvalho e depois aos 90, um amarelo a Gonçalo Inácio. Concordas com estes dois amarelos?
Sim, na primeira é uma falta sobre o Trincão, perto da área. É a tal situação que entra uma entrada, portanto, sola também e acaba por acertar em cheio no Trincão e além de ser próximo da área, corta uma jogada de perigo. Em relação à infração, ao amarelo do Gonçalo Inácio. É uma situação em que ele faz uma obstrução junto ao corredor lateral direito do ataque do Braga, esquerdo da forma como o Sporting está a defender. E se realmente o jogador do Braga passa, criava uma situação de transição ofensiva muito perigosa e aquilo foi uma falta também para destruir a jogada. Bem mostrado o cartão amarelo.
E aos 92 minutos, há ali uma situação entre Koates e o Álvaro Djaló. Na tua opinião, há pênalti ou não?
Não, sempre tive para pontapé pênalti. De resto, o próprio Artur Jorge, se melhor pudesse haver reforço daquilo que eu vou dizer, na conferência de imprensa, depois disse que acabou por ser expulso neste lance por protestar, foi o segundo cartão amarelo, mas que realmente no jogo viu aquilo, mas depois já tinha confirmado que não havia motivo para pontapé pênalti. O Djaló projetou-se claramente para cima do Koates na tentativa de passar por ele, mas projeta-se para cima dele para tentar ganhar o pontapé de pênalti. O Koates até se encolhe, tem a posição, ganha, não estica a perna, não rasteira, por isso boa decisão de não ser pontapé de pênalti.
E aos 94, também temos ainda um amarelo de Amandé, não é?
Exatamente. Agora é no corredor esquerdo do ataque do Braga, do lado direito de como defendia o Sporting, parecido com o outro que falámos há bocadinho em relação ao Gonçalo Inácio. Uma obstrução com contato impede o adversário de passar, objetivo de destruir aquela jogada. Estamos nos minutos finais e, portanto, para o caso do Sporting, era importante matar as jogadas para não sofrer o tal gol. E, portanto, cartão amarelo bem mostrado.
Pedro, tivemos dois jogos esta noite com muito para comentar. Vamos então à tua nota. Qual é que é a pontuação para estas equipes de arbitragem?
Para o primeiro caso, vou dar uma nota extremamente negativa, nota 3, talvez das notas mais baixas até hoje, porque o VAR auxiliou e acabou por ajudar muito nas decisões. Era um gol em fora de jogo, era um pênalti que ia ser mal assinalado, houve outro que ele validou e, portanto, tendo um pênalti que por acaso não entrou, depois os 22 minutos de descontos, compensando o tempo perdido, foi, no meu ponto de vista, demasiado. Houve aqui muitos equívocos e sobretudo a maneira como ele não conseguiu conduzir o jogo, porque estes casos todos acontecem na maneira irregular como o árbitro não conseguiu ter mão no jogo. E daí vou dar uma nota negativa, nota 3, que engloba tudo isto, todo este processo das falhas de comunicações, não haver um sistema alternativo hoje. Quer dizer, os bancos têm televisões, têm iPads, conseguem estar a ver o jogo. Não há meios alternativos para resolver uma situação desta, com tanto dinheiro que há na Liga e na Federação investido no futebol, não faz sentido, no meu ponto de vista, e portanto, penalizo a arbitragem, a maneira como conduziu e toda esta circunstância que não é bonita sob o ponto de vista plástico. No jogo do Braga x Sporting, dou uma nota claramente positiva, jogo difícil, jogo bem conduzido pelo Luís Godinho. Não puxou do cartão amarelo a torto e direito, só puxou na parte final. Boa gestão técnica, acertou nos lances importantes, fez uma boa gestão disciplinar com uma ou outra falha que eu nem referi aqui e por isso dou uma nota claramente positiva, nota 7.
Temos então uma nota 3 para a arbitragem do Futebol Clube do Porto Arouca e a nota 7 para o Sporting Clube de Braga e o Sporting. Obrigada, Pedro Henriques. Foi mais um Sem Falta.
Obrigado, boa noite.