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Temos então, sem falta, com o Pedro Henriques. Pedro, bem-vindo.
Boa noite, uma vez mais.
Muito boa noite. Fica disponível também através de podcast. Vamos então para a análise desta arbitragem hoje, vitória do Futebol Clube do Porto, foi em casa, uma vitória por 2x0 perante o Estrela da Amadora. Ora, ao minuto 19, Pérez não faz pênalti.
Certo. É uma bola que é cruzada para a área, bate na coxa direita do Pérez e só depois na zona da barriga. Ele até desvia o braço direito ou puxa o braço direito para trás para mostrar claramente que nem sequer, mesmo que fosse sem querer, queria tocar na bola com o braço e não tocou e por isso boa decisão, sem pênalti.
Entretanto, ainda na primeira parte, amarelo para Danilo, primeiro amarelo.
Sim, e torna-se importante, como vamos ver, por causa da expulsão do mesmo jogador. O Danilo Veiga estava fora do terreno de jogo, teria recebido assistência e obviamente para retomar o terreno de jogo tinha que pedir autorização, tinha que pedir ao quarto árbitro ou árbitro assistente para estes darem o sinal para o árbitro mandar entrar. Lógico que nós, a seguir pela televisão, não temos as imagens totais e completas do que aconteceu, mas depois os nossos repórteres que estavam em campo foram-nos dando também uma ajuda. Mas a ideia que fica exatamente é essa, que o jogador estando fora, tendo sido assistido, para entrar tinha que pedir autorização, não terá pedido e o árbitro acabou por mostrar o respectivo cartão amarelo e cumpriu a lei.
Minuto 54, portanto, já na segunda parte. Miguel Nogueira diz se há ou não pênalti de Dramé.
Sim, é um lance do Dramé com o Namaso. Aliás, foi muito contestado, porque depois a bola saiu para pontapé de canto.
É tal, sim, isso foi fora de jogo, não é?
Exatamente, a decisão fora de jogo, e o árbitro começa com pontapé de canto. E, portanto, aí a contestação surge porque para quem está no estádio, fica a ideia que o Dramé ou com a mão numa primeira fase ou com o pé, poderia ter, primeiro, com a mão jogado a bola e num segundo ponto, ter tocado o Namaso e arrastrado. Especificamente, para mim, não há pênalti nem no toque com a eventual mão, que não houve, e sobretudo com o possível arrastar. Ele fica realmente o pé, mas acaba que não derruba o adversário. Mas qual fosse a interpretação que quem quer que seja faça relativamente à mão, que não existiu, ou mesmo ao toque, poderia ser pênalti, o VAR iria transformar aquilo num fora de jogo, porque claramente, e aqui o claramente não é preciso linhas, o Namaso saiu de posição irregular. Ora, o que acontece? O VAR, ao ir verificar que não há pênalti, tem que deixar seguir o jogo como está. Portanto, não pode dar o fora de jogo. E daí o árbitro começar com o pontapé de canto. Se o VAR entendesse que ele havia infração, aí teria que dizer ao árbitro que há realmente pênalti, mas o jogador que sofre o pênalti, que é o Namaso, saiu de posição fora de jogo, por isso começa o jogo com fora de jogo. E aí as pessoas iriam perceber, se soubessem do protocolo, que para o árbitro começar com fora de jogo é porque tinha considerado que tinha havido pênalti, mas como o fora de jogo foi antes, era isso que se assinalava. Neste caso concreto, o VAR entende que não há pênalti, eu também acho que não, e nessas circunstâncias, tem que deixar prosseguir o jogo, e prosseguir o jogo aqui é com o pontapé de canto, não obstante ter nascido uma posição irregular. O mais relevante e importante disto tudo é percebermos claramente que nunca podia ser assinalado pênalti a favor do Futebol Clube do Porto, porque os jogadores do Futebol Clube do Porto, o Namaso, que sofreria esse eventual pênalti, que não existiu, de qualquer maneira, partiu de fora de jogo.
Minuto 74 é a expulsão, é o segundo amarelo ao Danilo.
Primeiro penso eu que é minuto 70.
Desculpa. Faltou, exato. Minuto 70, faltou o amarelo ao Nílton.
Sim, eu na altura no direto e quis até sublinhar este lance, porque pareceu-me que realmente o árbitro fez bem em não ter mostrado cartão amarelo, mas eu não tinha visto em plano aberto, vi só mesmo na repetição. Vi, mas depois é que puxei para trás e vi com olhos de ver. Realmente o Nílton tem uma entrada muito dura sobre o Otávio. Podia ter evitado claramente aquela entrada, ainda cima em ação ofensiva, portanto, isto é na área do Futebol Clube do Porto e aqui o Nílton devia ter visto o cartão amarelo.
Agora sim, o tal lance da expulsão, que é o segundo amarelo ao Danilo, ao minuto 74.
74. E a expulsão, neste caso o segundo cartão amarelo, é clarinho. Portanto, ele, Danilo Veiga, com o pé esquerdo, pisa também o pé esquerdo, e quando digo pisa é a posição da sola, dos pitões de cima para baixo, o pé esquerdo também do Francisco Moura. E portanto, é uma entrada duríssima, passível de cartão amarelo, chamada entrada negligente, não tem em conta o perigo, as consequências do seu ato, e portanto vê o segundo cartão amarelo e correspondente vermelho. E na sequência disso, o treinador do Estrela da Amadora também acaba por ser penalizado no banco, penso que até foi expulso mesmo.
Sim.
Exatamente pelos protestos. Este foi um jogo em que do princípio ao fim, já vou falar nisso na nota, toda a gente, de ambas as equipas, bancos inclusivamente, passaram o jogo todo a protestar.
Entretanto, já na reta final, amarelo também para Rúben Lima, minuto 76.
Sim, sobre o Fábio Vieira, agarra e puxa, é aquela puxão ali junto ao limite da linha de baliza, faz ali um género de placagem, puxa e o árbitro bem, diz direto e cartão amarelo. Mesmo assim, o Rúben Lima também protestou depois de ter visto o cartão amarelo.
Finalmente, gol do Porto, o segundo. Tudo legal?
Sim, é para dizer que quando o Rodrigo Moura passa para o Gonçalo Borges, Gonçalo Borges está descaído ligeiramente para a direita, portanto, entre o meio e o corredor direito, que não há fora de jogo e por isso o gol do Futebol Clube do Porto completamente legal.
Então nota final para Miguel Nogueira.
Eu vou dar a nota seis, vou dividir isto em duas partes para dizer o lado positivo e o lado menos positivo. O lado positivo é claramente aquilo que é a expulsão de Danilo, bem, aquilo que foram pelo menos os dois lances de área, bem. E por isso, no essencial, o árbitro esteve bem. O menos positivo é que eu acho que ele fez uma má gestão do jogo e dos jogadores. Nunca conseguiu se impor ao ponto de quando marcasse uma falta, ser aceito. E se eu compreendo que há algumas infrações, os jogadores por vezes acham que não cometeram ou por vezes não concordam com a decisão do árbitro, não é normal Que em situações em que as faltas são muito claras e até os cartões amarelos são claros, como foi este do Rúben Lima, mesmo assim haja protesto. Isto implica, para além do nervosismo que pode estar latente no jogo por parte dos jogadores e que às vezes os árbitros, entre aspas, não têm culpa, implica que o árbitro não conseguiu se impor sob o ponto de vista da proatividade, sob o ponto de vista da gestão do jogo e dos próprios jogadores. Eu acho que este foi o lado menos positivo, foi a dificuldade que Miguel Nogueira teve em conseguir impor e passar a sua mensagem durante o jogo. Eu a dado momento estava a ver e estava-me a pôr na pele do Miguel Nogueira e o que eu faria era qualquer coisa como uma interrupção.
Vou-me embora.
Pois, eu disse isto a brincar.
Na brincadeira.
Na brincadeira, mas faria outra coisa, que era duas apitadelas fortes, chamar os capitães, esperar ali, a malta depois ia toda assobiar porque estamos a perder tempo. Mas eu iria ali falar bem com os capitães, exatamente por causa disso, que é eu estou a arbitrar, eu não posso aceitar que sempre que eu interrompa o jogo para assinalar uma falta, mesmo assim haja contestação às minhas decisões. E vou avisar os capitães para irem falar com os seus jogadores, que é tão simples quanto isso. Se isso voltar a acontecer, eu marco a falta, contestam a minha decisão, levam cartão amarelo. Portanto, eu estou a ser proativo no sentido de os avisar que vos vou dar cartão amarelo. E o jogador, se calhar, ia lá, dizia à malta para ter calma e as pessoas percebiam a mensagem. E se houvesse alguém que mesmo assim levantasse o bracinho, depois levava o cartão amarelo e as pessoas percebiam isso. E esta mensagem, às vezes, é como apitar, e termino com isto, é como apitar às vezes uma infração que é ligeira e uma pessoa apita suave no apito e depois em seguida uma entrada mais dura que não é para cartão amarelo e a gente faz ali o apito mais forte. Isto não é bem body language, mas é também comunicação não verbal, que às vezes é importante para os jogadores perceberem o papel do árbitro. E acho que é isso, não só o Miguel Nogueira, como a maior parte dos árbitros, neste caso portugueses, estão com dificuldades em fazer passar a sua mensagem. Falta qualquer coisa aqui, mesmo quando se faz arbitragens em que o essencial foi bom e esteve correto e neste caso, o essencial esteve bem. Daí, termino com isto, nota 6.
Nota 6 então para Miguel Nogueira. Fica também disponível o "Sem Falta" de Pedro Henriques, disponível através do podcast da Rádio Observador. Pedro, um grande abraço.
Grande abraço. Até quarta-feira.
Até quarta.