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Tempo de Sem Falta, na Rádio Observador, como sempre com o Pedro Henriques. Vamos olhar para os principais lances deste encontro entre Portugal e França. Jogo que terminou empatado a dois gols. Jogo que teve três pênaltis, muitos lances que exigiram o trabalho da equipe de arbitragem. Pedro Henriques, muito boa noite, estiveste conosco também nesta emissão. Vamos olhar para esses lances, para o trabalho da equipe de Mateu Lahoz. Começamos pela primeira parte. Começamos por esse pênalti que deu o primeiro gol a Portugal no minuto 28.

Sim, começamos por esse lance, um lance relevante do jogo, dos três lances de pênalti, e este é um pênalti bem assinalado. Na altura, já tivemos a oportunidade de falar. O Lloris, o guarda-redes, ao sair, só tinha uma hipótese, que era mesmo tocar e interceptar a bola. O Danilo antecipou-se, tocou de cabeça primeiro na bola e o guarda-redes tem aquilo que se chama uma entrada fora de tempo e acaba por, com o punho e sobretudo com o cotovelo, acertar em cheio na cabeça do seu adversário, leia-se Danilo. Portanto, esta entrada fora de tempo, em que não toca na bola e apenas toca e derruba o seu adversário na área, é punido com pontapé de pênalti. O cartão amarelo insere-se na entrada negligente, que não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato. Não há nenhuma agressão, ele claramente tentou jogar a bola, não o conseguiu e, portanto, esta infração bem punida com pontapé de pênalti, bem punida disciplinarmente com o respectivo cartão amarelo.

Seguimos então nesta análise ao trabalho de Mateu Lahoz, o árbitro espanhol, para o minuto 36 e para o primeiro cartão amarelo, neste caso, o segundo cartão amarelo deste encontro, mostrado a Hernández.

Eu aceito o cartão amarelo, aliás, vou dar como válido e positivo os cartões amarelos, mas são lances que em outro contexto o árbitro poderia não fazer. É realmente a chamada falta tática. Ele acaba por agarrar o Bernardo Silva no corredor direito, e lá está a tal situação que falávamos no direto, quando depois vejo em plano aberto, ele está muito longe, está mesmo a sair do meio-campo e com outro controle de jogo poderia não ter feito. Mas, de qualquer maneira, isolando o lance, percebe-se que há a perspectiva do árbitro que ele, ao agarrar o seu adversário, impede que ele possa sair em contra-ataque ou ataque rápido e que poderia levar a algum perigo, embora esteja muito longe da baliza adversária. E por isso aceito este cartão amarelo mostrado ao Hernández pela agarrão sobre o Bernardo Silva.

Vamos para o minuto 40 e para mais um cartão amarelo, desta vez a Griezmann.

Sim, no direto, fiquei com a ideia que o Griezmann teria sido advertido pelo protesto, mas depois fui rever melhor o lance e ele o advertiu mesmo pela entrada sobre o Danilo. É a chamada entrada negligente, há ali um toque no pé. Uma vez mais, com outra forma de atuar, e este árbitro muitas vezes até nos habituou a isso, poderia não ter mostrado o cartão amarelo. Mas eu aceito, até porque ele depois acaba por ser coerente ao longo do jogo, não que o jogo tivesse tido um grau de dificuldade muito elevado ao nível das entradas, o complemento dos jogadores foi muito exemplar. Portanto, aceito também aqui o cartão amarelo mostrado ao Griezmann pela entrada negligente sobre o Danilo.

Avançamos para o minuto 45 e para esse pênalti polêmico. Já temos vindo a falar disso ao longo desta emissão, ao longo desta tarde, noite, esse pênalti contra Portugal.

Para mim, erro grave. Dividindo isso em duas partes, árbitro primeiro, vídeo árbitro depois. Não há pênalti, o Nelson tem a sua posição ganha, vai a correr na frente, olhos postos na bola, e é o Mbappé que vai chocar contra o seu adversário. A única questão que se coloca aqui, e depois analisamos nas diversas repetições, é que o Nelson Semedo realmente levanta o seu braço direito, mas levanta o seu braço direito não é pra agarrar, não é pra empurrar, não é pra puxar, não é pra carregar o adversário. Ele tem o direito de o fazer, sentindo que o seu adversário, que vai contra ele, exatamente por chocar, até num ato de proteção, no sentido de amortecer aquilo que é o contato inevitável. Se ele, com esse braço, carregasse o adversário antes de lá chegar, o empurrasse, puxasse, etc, teríamos uma infração. Portanto, há apenas um contato, um choque. Ambos jogadores vão na sua movimentação e é o Mbappé que choca contra o jogador português, o Nelson Semedo. Portanto, um erro grave. Parte do vídeo árbitro. É lógico que estes vídeo árbitros, da forma de atuar, das indicações que têm, havendo contato, porque realmente o contato existe, eles vão se cortar, peço desculpa pela expressão, mas não há outra igual, vão se cortar a fazer intervenção. Mas há um erro claro e óbvio, e este erro claro e óbvio tem que ser revertido. Volto àquilo que já disse no direto. As pessoas dizem: "Ah, mas o vídeo árbitro convém ser do próprio país, porque se entendem, fazem parte da mesma equipe, etc". Mas é a questão hierárquica. O Artur Soares Dias quando arbitra, se tem o Tiago Martins ou tem o João Pinheiro, neste caso, o João Pinheiro aqui no Europeu, depois o Tiago Martins quando for os Jogos Olímpicos, há uma questão hierárquica de um árbitro que, embora do mesmo nível, está muito acima do outro. E portanto, é muito difícil que um vídeo árbitro vá fazer uma intervenção para desautorizar aquilo que ainda por cima é o seu colega e que está sempre salvaguardado nesta perspectiva. Erro grave, o vídeo árbitro tem que intervir, tem que reverter, não há motivo para o pontapé de pênalti e portanto, é um erro que marca claramente a atuação do árbitro e pode ter consequências muito mais graves.

Sim, e deixa o seu impacto também no resultado. Vamos para a segunda parte, ao minuto 47, e para esse gol validado à seleção francesa. O que dizer deste lance? Teve aqui várias dúvidas quanto ao posicionamento de Benzema.

Em princípio, eu aceitarei que quatro pessoas que estão no vídeo árbitro, porque está lá o Alejandro Hernández, mas depois estão mais assistentes de vídeo árbitro. Eu aceito, ainda por cima numa questão de linhas, nem sequer é uma questão de interpretação, eu tenho que validar sempre as decisões do vídeo árbitro. Mas eu já parei a imagem, já paremos a imagem, inclusivamente, a imagem que foi validada com a linha Que eles estão a passar a imagem do João Palhinha no ombro a colocar em jogo o seu adversário, mas eu vejo e revejo este lance e tenho muitas dúvidas, porque estamos perante uma videoarbitragem, em termos de linhas, com cores. E as pessoas dizem que essas cores são melhores, etc. Não, essas cores permitem ao vídeo-árbitro, não é manipular no sentido de que esteja a prejudicar ninguém, mas manipular no sentido de ser mais fácil justificar o que se quer. Por isso é que eu prefiro os centímetros, mesmo quando as pessoas ficam escandalizadas com os três centímetros e com os quatro centímetros. Mas de qualquer maneira, eu vou dar como válido, deixando muitas dúvidas. Ainda por cima, quanto tempo é que depois apareceu a imagem? Ora bem, se fosse uma coisa clara e óbvia e com cores fáceis de colocar, não estariam tanto tempo a demorar para colocar. E houve imensas interrupções até ao momento em que colocaram. Por acaso eu não tive o cuidado de ver a que minuto é que foram colocar essas imagens, mas de qualquer maneira, é a UEFA no seu melhor. Na perspetiva de que não dão grandes repetições, dão repetições em planos abertos, etc. Não gosto, não estou a gostar e, portanto, foi uma decisão que eu vou aceitar e esta não me vou meter.

Dúvidas, muitas dúvidas neste lance.

Exatamente.

Minuto 58, penalty assinalado a favor de Portugal.

Sim, com D, com o braço esquerdo bem levantado acima da linha do ombro, roda, vai interceptar a bola. Até se quisermos ir às duas expressões que agora a UEFA coloca para a questão dos braços, que é se a volumetria é anormal em relação à movimentação, claramente anormal, não tem que estar ali o braço numa posição tão levantada, e se é o braço que descreve alguma trajetória para interceptar a bola, é o braço que faz isso. Portanto, já não vamos socorrer-nos dos outros chavões, do braço fora do plano do corpo, etc. O braço acima da linha do ombro é realmente uma volumetria anormal. É o braço que procura a bola, interceção e penalty bem assinalado.

Seguimos então para o minuto 83 e para um cartão amarelo a Kimpembe.

Sim, é uma entrada por trás sobre o Cristiano Ronaldo, varre-o completamente. De alguma maneira, Portugal estaria a sair num contra-ataque e, portanto, por ambas as situações, pela entrada, pela jogada em si, que podia prever-se uma situação de contra-ataque, bem mostrado o cartão amarelo.

Seguimos em frente nesta análise para o minuto 93. A França pede penalty nesse minuto.

Exatamente. É uma jogada em que eu, na altura, no direto, fiquei focado no braço do Bruno Fernandes, que poderia ter feito falta, e se agarrasse fora e entrasse dentro, seria penalty. Mas o que acontece, e depois tive a oportunidade já de parar imagens e de ver, ele pisa o número 20 da França. Como foi o último lance, nem tirei o nome do jogador francês, mas de qualquer maneira, ele pisa com o seu pé esquerdo, pisa claramente a perna direita e é isso que faz com que o jogador caia. Portanto, a movimentação do braço no ombro do adversário não tem qualquer consequência. E é este pisão que faz com que o jogador francês depois acabe por cair. Ficou por assinalar um livre direto e um cartão amarelo. Como é óbvio, o vídeo-árbitro, não acertando um penalty, não podia intervir. É um erro menor, mas não deixa de ser, obviamente, um erro.

Sim, e está feita essa análise aos principais lances deste encontro. Depois de tudo o que referiste, Pedro Henriques, é tempo de olhar para a nota. Que nota para este árbitro, Mateo Lauz, e para a equipe de arbitragem que liderou?

É assim, eu vou dar nota quatro. É lógico que há o mérito de assinalar dois penalties bem assinalados, mas reparemos uma coisa. Nós agora, como portugueses, estamos contentes pela passagem, mas isto é um jogo que se pode dizer que há clara influência naquilo que é o resultado e até no ordenamento, naquilo que poderia ser, a gente não sabe o que ia acontecer depois. Portanto, é um jogo que se nós analisarmos só o lance em si, já é grave para o jogo, ficou dois a dois e é um penalty mal assinalado. Pelo menos. Se olharmos para aquilo que até podem ser as consequências, pontos, etc, estaríamos a aumentar a gravidade desta tomada de decisão. E com o vídeo-árbitro, eu não posso, obviamente, pôr paninhos quentes numa situação que é grave em relação ao jogo, um penalty muito forçado e que depois com as repetições é claramente um erro grave. Portanto, nota negativa, nota quatro, já nem vou ao resto que há de descrever, baseado sobretudo neste penalty, que é um erro grave no momento crucial do jogo, que dá o empate mesmo à beira do intervalo.

Nota negativa para Lauz, árbitro espanhol que esteve neste encontro entre Portugal e França. Análise de Pedro Henriques, como sempre, no Sem Falta, aqui na Rádio Observador.