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Sem falta que fica também disponível através de podcast da Rádio Observador. Pedro, bem-vindo.
Boa noite.
Muito boa noite. Minuto sete, golo do Benfica, 1 x 0. Teaser.
Tudo legal, não há fora de jogo, são 93 centímetros que Pedro Álvaro coloca em jogo o Orsini quando o Kokçu lhe faz o passe, portanto, tudo correto.
Entretanto, logo a seguir o amarelo para Pavlídis, minuto 27.
Sim, o João Carvalho acaba por não rasteirar ao tocar no Pavlídis. O Pavlídis projeta-se claramente pra frente para tentar se sacar, é uma expressão feia, mas para tentar ganhar uma falta. Pareceu-me demasiado evidente esta maneira como ele se projetou e eu compreendo o árbitro numa tentativa de segurar o jogo e de evitar que estes lances possam acontecer, sobretudo dentro das áreas, que é onde muitas vezes os jogadores tentam ganhar infrações pra pênalti, e o árbitro tentou ali segurar o jogo e mostrou o cartão amarelo.
Prosseguindo ainda nesta primeira parte, temos aqui o segundo golo do Benfica, minuto 35.
Sim, dois momentos de análise. Primeiro, o Otamendi não está em fora de jogo e esse parece claro, porque é o próprio Pedro Álvaro que está a colocar em jogo. E depois, a questão da mão do Otamendi na camisola do Pedro Álvaro. Nós quando vemos a imagem corrida, fica esta ideia de que primeiro, sim, há a mão na camisola do jogador adversário, mas como eu tenho dito aqui, a lei 12 é muito clara nesse aspecto, quando falamos, por exemplo, em agarrar, saltar, empurrar, etc, é preciso que haja sempre uma causa e efeito, ou seja, uma consequência. E muitas vezes este tipo de contactos que existem dos jogadores, que utilizam muitas vezes até as mãos, tem que ser visto nesta perspectiva. Com isto, o jogador, neste caso, e estamos a falar relativamente ao Pedro Álvaro, ele ficou impedido de saltar a bola? Não. Ele ficou impedido de fazer, neste caso, o corte. De alguma maneira, ele ficou limitado naquilo que era a sua ação defensiva de tentar tirar aquela bola ao Otamendi, e aquilo que se apercebemos é que nem o próprio Pedro Álvaro se apercebeu que tinha havido aquela mão. Portanto, aquilo que é o impacto ou a consequência deste contacto que existiu naturalmente o Otamendi no Pedro Álvaro, não teve exatamente esse impacto ou essa consequência. Não foi por causa disso que o Otamendi cabeceou, não foi por causa disso que o Pedro Álvaro foi impedido de, por exemplo, evitar esse cabeceamento ou de cortar a bola. Aliás, as imagens são claras, o jogador do Estoril nem se apercebe que houve esse contacto. Não é só por uma questão de protestar ou não protestar, não é isso que conta pra assinar as faltas, mas percebe-se isso claramente. E portanto, não há impacto, não há qualquer infração no sentido de com isso o Otamendi cabeceou à vontade porque o tirou o adversário da jogada, nada disso aconteceu. Até fica a ideia que aquele contacto existe até mais para ele se equilibrar no momento do salto e até para evitar uma carga no seu adversário. E portanto, na minha leitura, na minha observação, não há impacto nesse contacto que realmente o Otamendi provoca no Pedro Álvaro e por isso dou como legal este segundo golo do Benfica.
Entretanto, mesmo a acabar a primeira parte, não há pênalti de Orellana. Minuto 45 mais um.
Não, é aquele lance em que o Benfica, um ou dois jogadores fica a pedir uma possível mão ou braço dentro da área. Percebemos que quem desvia a bola é o próprio colega o Pedro Álvaro, e depois a bola vai bater na anca do Jandro Orellana, acho que é assim que se diz o nome dele. E, portanto, tudo legal, não há mão, não há braço.
Faltou amarelo a Florentino, isto já na segunda parte, logo ao sexto minuto.
Agarrou de forma clara o João Carvalho, puxando, complemento desportivo, falta tática e à saída do meio-campo e aqui sim ficou um cartão amarelo para mostrar ao Florentino.
Amarelo para Orellana, exatamente ao minuto 62.
Este é um lance de difícil análise. É aquele lance em que o Florentino realmente é completamente varrido. Eu vou dar como boa a decisão do cartão amarelo. Estamos naquelas situações se houvesse um cartão laranja era o melhor, porque realmente há ali uma certa intensidade na maneira como o Orellana acaba por se projetar e acaba por varrer. E ele acaba por, com os dois pés, fica a ideia que fica ali a tocar, a raspar e a passar, os dois pés, um de cada lado, e o pé esquerdo do Florentino ali pelo meio. Depois, nas repetições, há algumas repetições mostram que há ali um ligeiro contacto de sola no pé esquerdo do Florentino. E há ali alguma velocidade e alguma impetuosidade na maneira como ele vai a deslizar. O lance é extremamente apertoso. Não tem consequência, efetivamente, se calhar estaríamos a ver o lance de outra maneira. É um lance muito no limite. Eu vou dar como boa a decisão até porque o VAR, para intervir numa situação de cartão vermelho direto, tem que ter a certeza de que há um erro claro e óbvio, e se este lance tem alguma coisa de não ser claro e óbvio, é um lance de interpretação, claramente, e entra negligência, que é não ter em conta o perigo e as consequências do seu ato, e aquilo que é o pôr em risco a segurança e integridade física do seu adversário, há aqui uma fronteira que é muito ténue. E como eu acho que acaba por não ter essa consequência, de não pôr em risco realmente a segurança, embora isso não tenha a ver só com a consequência, tem a ver também com a maneira como ele entra, é um bocadinho neste limite, o tackle é ao nível do solo, é sempre a deslizar, não levanta bem a bota, em movimento normal, não é propriamente aquela solada que se dá e que fica ali a marcar. Eu vou dar como boa a decisão, mas num lance que me deixou realmente muitas dúvidas e olho pro lance e continuo com muitas dúvidas.
Olha, se calhar é para juntar aqui esta situação, minuto 64 e 66.
Exato.
O pênalti e a defesa do pênalti.
Em primeiro lugar, há infração, claramente. O Otamendi com o pé direito toca no pé direito do Yanis Begraoui. Na altura, até fiquei na dúvida se tinha tocado no esquerdo ou direito, mas de forma muito clara é no pé direito que toca. E o pé direito do Begraoui já está dentro da área. Portanto, há motivo para pontapé de pênalti. Isso parece-me claro e óbvio, o árbitro assinalou. Aqui a questão que se coloca é a questão daqueles lances que os árbitros, é um lance chato, que é preferível não acontecer. Não há a lei da vantagem nos pontapés de pênalti. Portanto, sempre que tu vês que há um pênalti, deves até ser rápido e assinalar. E realmente, quando nós paramos o momento da infração, em que o árbitro apita, e percebe-se ele a colocar o apito à boca e ele aparece na imagem, portanto, vê-se mesmo o momento em que ele apita, naquele momento há infração para pontapé de pênalti. O que acontece é que depois do árbitro interromper o jogo, obviamente tudo o que segue a seguir já não conta. Mas ficamos com esta ideia, até porque isso depois foi falado, que é por um jogador do Estoril na faixa televisiva, que é pelo próprio treinador, de forma mais subtil, a dizer que tinham marcado dois gols, é que há ato contínuo da falta. Há um jogador do Benfica que ainda toca na bola e que depois sobra pra outro jogador do Estoril, que acaba por rematar e a bola entrar na baliza. Estamos a falar aí no espaço de dois, três segundos. Realmente a bola entrou na baliza, mas o jogo já está interrompido. E nós nunca sabemos, a partir do momento que um árbitro interrompe, se tudo aquilo que acontece a seguir existiria da mesma maneira. Porque se o árbitro não interrompe, se calhar a atitude de todos os jogadores, e nomeadamente aquele jogador do Benfica que acaba tocar na bola, podia ser diferente. Se calhar podia ter dominado a bola, podia ter pontapeado, não sabemos O ideal, nestas circunstâncias, é que o árbitro faça uma coisa chamada compasso de espera, que é: se tiver a perceção que há penalty, mas que pode sobrar para alguém que até pode fazer imediatamente, num ou dois segundos, um golo, o ideal é retardar o puxar do apito, porque se porventura retarda e o lance continuasse a desenrolar como se depois desenrolou, depois de ele ter apitado e a bola entrasse, ele não precisava dar o penalty, validaria o golo. Assim, ficamos sempre na dúvida, é um lance que não há erro propriamente dito, porque há penalty e o árbitro apitou, e como digo, não há lei da vantagem, portanto fez isso, mas fica aquela sensação de que um compasso de espera um bocadinho para tentar perceber se aquilo que aconteceu depois aconteceria na mesma, sem interrupção, e talvez pudesse ter acontecido, talvez pudesse ter golo. Mas na prática e na realidade, é esta a chamada de atenção, mas o penalty existiu e o árbitro assinalou e acaba por fazer aquilo que normalmente, em 99% dos casos, os árbitros fazem, que é nem muitas vezes fazem o tal compasso de espera e apitam imediatamente. Peço desculpa, e o minuto 66, que é esse que tu pediste para juntar, a defesa do Trubín, tudo correto, o Giannis Begrao quando remata, o Trubín faz aquilo que a lei permite, adianta um dos pés, neste caso o direito, e o esquerdo, que pode estar ou a pisar a linha, ou no enfcimento, ou até estar para dentro da linha de baliza, que foi o caso, ele até recuou ligeiramente o pé esquerdo, isto está contemplado na lei, na página 125, na lei 11 e, portanto, tudo certo naquilo que é a defesa do penalty.
Antes do lance final, há aqui pelo meio cartão amarelo para Florentino, minuto 74.
Sim, é um toque com o pé direito no Guitanho junto à linha lateral, mas acerta ali no calcanhar direito do jogador do Estoril quando ele faz um pare e arranca e, portanto, uma entrada negligente, cartão amarelo bem mostrado.
Finalmente, o lance da polêmica ou semipolêmica, afinal há ou não penalty sobre o Belotti?
Não há. Eu estive à espera, por isso também eu perderei um bocadinho o juízo final, porque estava à espera de ver dois lances. Um foi essa da questão do cartão amarelo e vermelho, e este lance aqui, porque realmente o Pedro Amaral estica o pé esquerdo e coloca-o ao lado do pé esquerdo do Belotti. Ou seja, não há nenhuma imagem que mostre o contacto. Se houvesse contacto, estaríamos a falar de rastelha. E depois há o outro aspecto interessante é que não só não se fez contacto e fica a ideia que o pé esquerdo fica ao lado do pé esquerdo do Belotti, porque o Belotti realmente com o pé esquerdo tocou na bola. É um facto, e o Pedro Amaral não tocou na bola, mas fica ao lado e depois vê-se o pé direito e a perna direita do Belotti já, ainda antes desse possível contacto, que no meu ponto de vista não existiu, já a cair, em queda, em desequilíbrio, à procura já daquilo que seria uma queda em consequência de um eventual toque, que não existiu. E, portanto, para mim, boa decisão, sem penalty.
Falta a nota para João Gonçalves.
Nota seis.
Uma nota seis.
Nota seis. O árbitro começou por deixar jogar, depois começou a apertar um bocadinho o jogo. Depois houve ali algumas situações de faltas e nós tivemos até o cuidado de falar, numa falta a favor do Benfica não marcou, depois a seguir marcou a favor do Estoril, era uma falta do Benfica à entrada da área. Portanto, acho que o árbitro depois perdeu um bocadinho esse critério. Enfim, dou como boa a decisão do amarelo e não ser vermelho nesse lance que falámos sobre o Florentino. Dou como boa a decisão do penalty, embora pudesse haver aqui o tal compasso de espera. Dou também como bom este penalty, sobretudo de não haver penalty sobre o Belotti. Enfim, o grau de dificuldade elevado para o jogo, muitos lances de difícil análise, mesmo com repetições, quanto mais para o árbitro que está a ver em direto. Mas acho que, no fundo, o árbitro e o VAR acabam por sair com nota positiva, embora aqui com alguma intermitência, aquele cartão amarelo dado ao Florentino, algumas faltas que não marcou. Enfim, é um bocadinho por aí que faço aqui a minha análise, mas de qualquer maneira, nota positiva, nota seis. Porque o jogo foi muito difícil, teve grau de dificuldade elevadíssimo, é por isso.
Muito bem, nota seis dada então pelo Pedro Henriques a João Gonçalves, o árbitro de 33 anos de idade que esteve na vitória do Benfica no Estoril por 2 x1. Amanhã, Pedro, de volta.
Exatamente, amanhã mais. Um abraço.
Grande abraço. Entretanto, já sabe, fica disponível este "Sem Falta", sempre através de podcast da Rádio Observador.